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´Na Brasa´, mora?

E aí, minha joia? Com um sotaque carregado que não nega as origens, a saudação de China, bastante comum em sua terra natal (Olinda), chega, de segunda à sexta, aos quatro cantos do País através do "Na Brasa", programa da MTV que tem se revelado um celeiro de audiência e vitrine para novos artistas.

Nunca foi tão cool conhecer bandas independentes sob a batuta do pernambucano que, ironicamente, em 13 anos de carreira como músico, no entanto só ganhou notoriedade após testar sua faceta de apresentador. Mas ele não se queixa não. É bem-humorado, tranquilo, paciente. E garante que não é porque está famoso agora que "ficou besta" (com a licença poética de quem é nordestino).

"A TV ajuda um bocado mesmo. Um monte de gente não conhecia o meu trabalho na música. Já a galera que acompanhava antes fica mais ansiosa com o próximo disco . Mas não é porque estou na TV, que mudei meu jeito de ser. É lógico que mais pessoas vêm falar comigo. Até agora não vi um lado negativo [da fama]. Tenho recebido muito material bacana de novas bandas", conta o ex-vocalista do Sheik Tosado.

Em menos de um ano no canal paulista, China emplacou a versão show do "Na Brasa", às quintas, em que recebe, em um estúdio maior, seus convidados, de artistas conhecidos aos independentes.

A lista é considerável de nomes que já passaram pelo palco da atração como o grupo cearense Cidadão Instigado e os cantores Otto, Criolo, Emicida, Marcelo Jeneci e Marina Lima. "Tinha essa ideia de um programa o vivo, em mostrar a banda tocando, que é o que ela faz melhor!", acredita.

Preocupado em mostrar a música que tem sido feita no Brasil, grande parte dela pouco divulgada na mídia, China não concorda nem quer ser uma espécie de porta-voz dessa cena: "Somos todos colegas, todo mundo começou de baixo, vem ralando bastante e se ajuda. O importante é divulgar", assegura o pernambucano, negando ainda qualquer preconceito por parte de colegas ou privilégio por estar na telinha. "Me chamaram justamente por ser músico, por ter conhecimento de causa".

A novidade fica por conta mesmo de seu terceiro disco solo, o "Moto Contínuo", em que estreia também como produtor. "Fiz sozinho. Acredito que esse foi mesmo o grande diferencial dos outros álbuns", comenta o dono do selo Joinha Records. Do tipo que não gosta de criar expectativa, ele diz que conseguir fazer seu trabalho já o deixa feliz.

"Não procuro saber como meu som vai chegar no público. Se as pessoas gostam é uma consequência disso".

Sucesso nas paradas da MTV, a boa aceitação do primeiro single, "Só serve para dançar", tem surpreendido o próprio China. "Morri de rir. Dia desses, essa música alcançou o primeiro lugar no ´Top 10´, ficando à frente do NX Zero e Fresno, bandas consolidadas no cenário nacional e que contam com clipes superproduzidos", destaca ele, que depois de bancar o próprio disco, se viu com pouca verba e resolveu apostar em um vídeo colaborativo, através da internet, com participação de dezenas de garotas em gingados diferentes.

Requisitadíssimo

Aproveitando a boa fase, China viu crescer também a demanda por shows seja sozinho (ele começa nova turnê em São Paulo, no dia 8) ou com o Del Rey, projeto paralelo em que faz parte junto com os integrantes Mombojó. Para o alívio de fãs do grupo, que faz releituras de sucessos de Roberto Carlos, o frontman já avisou que a ideia é continuar firme e forte com o repertório homenageando o Rei! "É bem de brincadeira mesmo. As pessoas perguntam se a gente vai lançar disco, mas o grande barato mesmo é o show".

O único momento em que reclama é da dificuldade em fechar apresentações no Nordeste. "Tô querendo muito fazer uma tour por aí. Mas é difícil e não é só para os nordestinos como também para músicos oriundos de outras regiões". Fica o desabafo!



Disputa

É fato: muitas das grandes bandas ou artistas deram seus primeiros passos na música na época da escola. Com o objetivo de revelar novos talentos, o Pepsi Música chega à sua quinta edição. Pela primeira vez, o concurso de bandas colegiais receberá inscrições de todos os estados e contará com a participação do público, via redes sociais, para eleger o grupo vencedor, que gravará um CD pela Som Livre. Lucas Silveira (foto) e Rodrigo Tavares, da Fresno, foram os escolhidos para apadrinhar a competição. As inscrições vão até o dia 11. Quer saber mais? Acessa o site

World music?

As andanças do inquieto Damon Albarn (Gorilaz e Blur) na África renderam o projeto DRC Music (abreviação de República Democrática do Congo). Gravado em cinco dias, o experimental "Kinshasa One Two" será lançado digitalmente no dia 3 de outubro, no Reino Unido. Elaborado em parceria com a Oxfam, o dinheiro arrecadado com as vendas será destinado aos esforços em prol da erradicação da pobreza no País. Envolvido agora numa ópera, Albarn já liberou algumas faixas para audição como "Hallo". Escuta aqui!