BNB garante continuar com centro cultural

Após a venda de sua sede, o destino do equipamento continua incerto. Parte do prédio já foi desocupada

Exatamente um ano após a venda da parte do Edifício Raul Barbosa que (ainda) abriga o Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB) em Fortaleza, o destino do equipamento continua incerto. Adquirido por R$10 milhões pela Justiça Federal, os quatro andares pertencentes ao Centro Cultural já começaram a ser entregues, tendo sido desocupado no início do mês o terceiro andar, onde funcionava sua biblioteca.

O insucesso das negociações que até hoje foram divulgadas e a falta de informações mais concretas por parte da diretoria sobre novas soluções vem fomentando boatos e especulações, que chegam a apontar prédios que estariam sendo negociados, sugerir possíveis destinos e até mesmo cogitar o encerramento das atividades. A diretoria do banco respondeu perguntas do Diário do Nordeste, por e-mail, e foi taxativo em afirmar: "Não há possibilidade do Centro Cultural Banco do Nordeste deixar de funcionar. O Banco do Nordeste vai continuar apoiando a cultura, por entender que cultura também é um fator de desenvolvimento".

O prazo para desocupação total encerra-se em março de 2013. Cinco meses são, portanto, o prazo que o Centro Cultural tem para negociar, adquirir, preparar e mudar-se para a nova sede sem que suas atividades sejam interrompidas. O banco garante que as negociações estão em andamento, mas opta por não revelar detalhes nem dos possíveis locais, nem do valor estipulado para a compra da nova sede.

O presidente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Paulo Linhares, defende a mudança do Centro Cultural BNB para o entorno da instituição, na Praia de Iracema. Para ele, uma ação que fortaleceria o potencial cultural e criativo da área.

Rumores

Entre os possíveis endereços cogitados, está o de um prédio situado no cruzamento das ruas São Paulo com Major Facundo, que já está sendo reformado. Segundo foi apurado, o prédio na realidade receberá apenas a agência do banco, que hoje funciona no quarto andar no Edifício Raul Barbosa. As obras no local não têm prazo de conclusão.

O andar onde hoje funciona a agência deveria ter sido entregue à Justiça Federal no início deste mês. Como o novo endereço não está pronto, para não descumprir o acordo, o banco cedeu à Justiça o terceiro andar, onde funcionava sua biblioteca, que foi transferida para o térreo.

Uma outra opção de mudança foi cogitada pelo presidente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Paulo Linhares. O sociólogo defende que o entorno do Dragão do Mar dispõe de prédios aptos a receber o equipamento e destaca os ganhos para a área com uma possível instalação do CCBNB.

"Eu acho que essa região tende a se tornar um distrito criativo e a gente vai trabalhá-la neste sentido, com a criação da Escola Porto Iracema, a recém-inaugurada Caixa Cultural, o Sesc-Senac. A vinda do CCBNB, essa energia dos equipamentos juntos, criaria uma energia comum muito importante do ponto de vista urbanístico", argumenta. Segundo Linhares, a sugestão não foi passada oficialmente ao banco, mas já chegou a sondar um possível endereço, cujo prédio teria capacidade para abrigar o CCBNB. "Não vou revelar onde é, para evitar especulação imobiliária", despista.

Realidade

Por meio da assessoria de comunicação, o BNB confirma que não há nenhuma negociação em curso quanto a ocupação de prédio no entorno do Dragão do Mar. O banco se furta a comentar a possibilidade de, caso não apronte a nova sede até março, sua programação ser mantida em parceria com outros equipamentos. Sobre o assunto, responde apenas que "faz parte da tradição do Centro Cultural Banco do Nordeste realizar ou apoiar atividades fora de sua sede. Temos projetos desenvolvidos em diversos outros espaços culturais da cidade".

Sobre o recente episódio de desocupação do segundo andar, que levou a suspensão, por falta de espaço, da exposição "Perambular, Experimentar e Correr Perigo" - produzida pela primeira turma do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza e que estava em cartaz no térreo, onde foi instalada a biblioteca - o banco afirma que, até o prazo final, em março, nenhuma outra área será desocupada. Apesar da indefinição de quando e onde, a assessoria garante que uma nova sede será adquirida e que todo o equipamento técnico disponível atualmente no Centro Cultural será utilizado no novo espaço. O planejamento orçamentário para 2013, também não ainda está definido.

"A agência deveria estar saindo ainda em outubro"

Antônio Carlos Marques
Diretor da Secretaria Administrativa da Justiça Federal do Ceará

Desde quando vinha sendo negociada a compra do prédio?

As tratativas iniciais foram realizadas entre 2005 e 2007, mas foi em meados de 2010 que foram retomadas as negociações. Em 2011, finalizou-se o processo de compra com assinatura de contrato entre as partes envolvidas, bem como um contrato de concessão de uso entre a União Federal - através da Justiça Federal - e o Banco do Nordeste.

No início do mês, o segundo pavimento já foi desocupado pelo Centro Cultural. Qual o calendário de mudança?

Até o presente momento, a JFCE já ocupou o subsolo, onde fez uma reforma, e a metade do 2º andar, onde fez algumas adaptações. Entre 6 e 7 de novembro, será iniciada a reforma.

A mudança está sendo cumprida de acordo com o planejado?

A agência bancária deveria estar saindo ainda em outubro de 2012, mas está sendo assinado um aditivo prorrogando a concessão até março de 2013, quando sairá do prédio, juntamente com o CCBNB-Fortaleza. (FM)

FÁBIO MARQUES
REPÓRTER