Blues para fechar a festa

Dividindo o palco com um brasileiro e dois argentinos, o veterano guitarrista norte-americano Magic Slim encerra hoje, no Theatro José de Alencar, o Festival Jazz & Blues 2010. Ao som do Chicago Blues

Tudo acaba em blues. A 11ª edição do Festival Jazz & Blues tem encerramento hoje, às 21h, no Theatro José de Alencar. O mais tradicional palco das artes cearenses receberá um mestre de outro contexto, mas também de uma longa trajetória. O norte-americano Morris Holt, mais conhecido por Magic Slim, traz sua guitarra ao Ceará aos 72 anos. Para festa dos amantes do blues, que poderão conferir uma das vertentes mais clássicas do gênero, pelas mãos de um de seus protagonistas.

Nascido no Mississipi e consagrado como um dos grandes nomes do Chicago Blues, de lendas como Muddy Waters e Buddy Guy, o guitarrista se apresentou em Guaramiranga no sábado de Carnaval, primeiro dia do festival. E arrancou aplausos de um público entusiasmado pro assistir ao veterano bluesman tirar solos rascantes de sua Gibson Les Paul . Chamando atenção também pela voz encorpada, sob medida para seu som.

O norte-americano sobe logo mais ao palco do Theatro José de Alencar ao lado do baixista brasileiro Silvio Alemão, conhecido como integrante da Irmandade do Blues, e dos argentinos Adrian Flores na bateria e Juan Ignácio Codazzi na guitarra. Enquanto Adrian literalmente desce a mão nas conduções e faz as vezes de mestre de cerimônia, anunciando os números e puxando os aplausos para o convidado, Codazzi também se destaca no show, tanto pelos solos certeiros, quanto pela elegância e pela constante busca de novos detalhes sonoros entre as convenções do blues, ao fazer a base para o norte-americano brilhar, em notas esticadas e frases de sotaque próprio, sob olhares atentos do público, em um show de muita interação.

Bastidores

No show de Guaramiranga, Magic Slim e banda mostraram bastante disposição, apesar de alguns problemas. O guitarrista, que entra em cena com passos lentos e conta sempre com os cuidados de um auxiliar, chegou a sofrer uma queda no camarim. Já no palco, teve problemas com o amplificador de sua guitarra nas primeiras músicas.

Percalços superados, Magic Slim e o trio mandaram o blues que o público queria ouvir. Com constantes incursões por clássicos como "Highway is my home" e "The blues is all right", o repertório dos shows costuma variar, nas palavras do músico, de acordo com o "feeling" de cada local e plateia. Interessante atentar para o modo como o guitarrista, no melhor clima de improviso, dita o tom para os colegas de palco, antes de iniciar cada música.

Para quem não subiu a serra, um convite a um mergulho no blues de raiz, na "saideira" do festival.

DALWTON MOURA
REPÓRTER