Escolas cearenses são semifinalistas no Prêmio Respostas para o Amanhã, da Samsung

O concurso contempla jovens da rede pública de ensino que desenvolvem projetos para solucionar problemas locais

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Legenda: Um capacete de construção civil foi transformado em sensor de movimentos para pessoas com deficiência visual pela equipe do professor Igor Cajaty
Foto: Arquivo pessoal

Dos 20 semifinalistas do Prêmio Respostas para o Amanhã, iniciativa global da Samsung, seis equipes cearenses formadas por alunos e professores da rede pública, disputam uma posição na final do concurso. A proposta desafia os grupos a desenvolverem soluções para problemas locais com experimentação científica e tecnológica por meio da abordagem STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Dentre os selecionados estão representantes de Pindoretama, Cascavel e Crateús.  

O professor Igor Cajaty é o responsável por orientar os alunos da 3ª série do Ensino Médio da Escola Júlia Alenquer Fontenele, de Pindoretama. Ele conta que a ideia de transformar um capacete de construção civil em sensor de movimentos para pessoas com deficiência visual nasceu no ano passado, com outra turma, mas foi continuado com os alunos deste ano. “Nós fizemos uma pesquisa que pelo menos 240 mil pessoas têm deficiência visual. Houve uma necessidade de a gente procurar fazer um protótipo que ajudasse. O objetivo é reduzir os índices de acidentes e possibilitar tecnologia avançada de baixo custo”, detalha. 

A vontade de participar do concurso partiu de outras experiências de trabalho do professor. “Quando eu mudei de escola, senti o desejo de motivar meus alunos a terem essa iniciação científica. A seleção é um processo muito criterioso”, explica Igor. 

De Cascavel, a pesquisa semifinalista da Escola Ronaldo Caminha Barbosa, é conduzida pela professora Joseline Sousa em parceria com uma das turmas de 3ª série do Ensino Médio. “O projeto é chamado ‘Capseed’, um revestimento de semente com goma sustentável”, diz. O objetivo é evitar o desperdício de sementes que não são plantadas nos períodos de estiagem, principalmente na prática da agricultura de subsistência – contexto no qual a maioria dos alunos está inserida.  

“O foco seria nessa agricultura de subsistência, que as vezes acontece a perca, por causa da estiagem, de sementes. Os alunos veem que a semente depois é jogada fora sem ser plantada. A gente começou a estudar artigos sobre isso, começando a fazer uma pontuação com os agricultores da região”, diz Joseline. O projeto envolve a fibra do coco, a resina do cajueiro e o amido de milho como objetos de estudo.  

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Legenda: O objetivo da pesquisa é evitar o desperdício de sementes que não são plantadas nos períodos de estiagem
Foto: Arquivo pessoal

A professora conta ainda que os alunos da escola já são veteranos na competição: ficaram em primeiro lugar em 2017 e 2018, e em segundo em 2019. Neste ano, independente da vitória, o trabalho deve prosseguir. “A gente pretende continuar o projeto em outras sementes. É um desafio para a gente estudar mais, procurar mais projetos que produzam menos impactos ao meio ambiente e que seja uma parceria com a comunidade”. 

Para Igor, o concurso é “um momento ímpar. No meu caso, já tinha passado por outras competições, mas essa é a primeira nacional. Para os meus queridos alunos só tenho a agradecer porque eles deram o pontapé inicial do projeto. Já temos outras ideias, para dar o nome do capacete, já temos outro design”, declara. 

Durante a pandemia 

Desenvolvidos majoritariamente em 2020, os dois estudos tiveram que adaptar a sua produção a nova condição causada pela pandemia do novo coronavírus. Os encontros presenciais nas escolas tiveram que ser substituídos por chamadas de vídeo e pela distribuição de tarefas ao estilo “home office”.  

 “A gente, até meados de janeiro, fevereiro, mesmo não estando na escola, ainda estava dando umas pinceladas. A pandemia teve que dar uma parada em toda a sistemática, e quando houve a necessidade para a turma se reunir, a gente ia pro Google Meet”, destacou Igor. 

Joseline e os alunos optaram por outros métodos. “Na pandemia o projeto não parou. Cada um tinha um roteiro e em alguns momentos, logo após junho, tínhamos nossos encontros com no máximo, 5 pessoas no laboratório”, afirma. 

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Legenda: Algumas reuniões foram realizadas em laboratório com, no máximo, 5 pessoas
Foto: Arquivo pessoal

Apesar disso, o cronograma do concurso não foi afetado, segundo a gerente de Cidadania Corporativa da Samsung Brasil, Isabel Costa. “Durante o período, o Respostas para Amanhã também atuou com iniciativas online. Foram realizados três webinars no perfil do Youtube, conteúdos online ficaram disponíveis no site para apoiar os professores no ensino à distância, assim como o app do Respostas para o Amanhã foi lançado este ano”.     

Processo seletivo 

Entre março e agosto, no site, professores do Ensino Médio de escolas públicas das redes municipais, estaduais e federal que lecionam Biologia, Física, Química e Matemática ou outras disciplinas pertencentes às áreas das Ciências da Natureza e da Matemática e suas Tecnologias, puderam inscrever equipes compostas de três a cinco estudantes da mesma classe do Ensino Médio. 

Os vinte semifinalistas foram selecionados no início de setembro. Em outubro serão anunciados os 10 finalistas, que continuarão recebendo mentoria online para o desenvolvimento dos protótipos. Os vencedores nacionais serão escolhidos por júri popular, que indicará três projetos a serem premiados em votação que começa em 12 de novembro. Todos os resultados serão divulgados em 19 de novembro

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Legenda: O objetivo é reduzir os índices de acidentes de pessoas deficientes visuais e possibilitar tecnologia avançada de baixo custo
Foto: Arquivo pessoal

Neste ano a novidade é a Mostra Virtual Respostas para o Amanhã, que consiste em apresentações online dos participantes explicando sobre seus projetos, no dia 18 de novembro. 

Isabel esclarece que os prêmios oferecidos pelo concurso vão além do primeiro lugar. “Os professores orientadores dos 100 primeiros projetos, por exemplo, têm direito a um Kit Arduino Samsung. Entre os 20 semifinalistas, a premiação é ampliada: cada professor orientador e até dois professores parceiros dos projetos serão contemplados com um notebook Samsung. Estar entre as 10 equipes finalistas garante a cada estudante um notebook Samsung e, ao professor orientador, um Smartwatch Samsung. Além disso, cada estudante dos três projetos eleitos pelo público ganhará um Samsung BUDs+, fones de ouvido sem fio com dois alto-falantes, com um sistema adaptável com três microfones e bateria de longa duração. Entre os vencedores nacionais, cada escola dos três primeiros colocados será contemplada com uma Smart TV Samsung e cada aluno da equipe vencedora será contemplado com um smartphone Samsung, enquanto cada aluno do segundo colocado ficará com um tablet Samsung e, do terceiro colocado, um Smartwatch Active”, explica. 

Sobre o prêmio  

O Prêmio Respostas para o Amanhã está no Brasil desde 2014 e, considerando a sétima edição, já envolveu mais de 178 mil pessoas de escolas públicas. O programa tem a missão de estimular a prática de soluções para demandas reais, que vão contribuir com a melhoria de vida das pessoas de diferentes lugares do País. 

 

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