Dia do Amigo: a preciosidade de viver a aceitação mais genuína do outro

O amigo é amparo certo, é colo para chorar, é pensar na solução de um problema com alguém tão interessado em resolver da melhor forma quanto você, como se os dois tivessem no mesmo labirinto.

Foto: Shutterstock

"Quem tem amigo tem tudo”. Foi isso que eu escutei desde criança e passei a minha vida confirmando. Como os amigos facilitam nossas vidas. Quantos caminhos são abertos pelos amigos, quantas experiências só temos coragem de viver se acompanhados daquela pessoa, quantos momentos são superados quando temos uma boa rede de apoio.

O amigo é amparo certo, é colo para chorar, é pensar na solução de um problema com alguém tão interessado em resolver da melhor forma quanto você, como se os dois tivessem no mesmo labirinto.

Sabemos que estamos com um amigo quando o silêncio é confortável, quando não precisamos fingir estar bem e quando estar vulnerável não é ameaçador. Como diz Rubem Alves, em sua homenagem à amizade, “Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria independentemente do que se faça ou diga. A amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.”

Quando somos pequenos, ficamos apegados aos títulos de “melhores amigos”. Como se estivéssemos nas danças das cadeiras e precisássemos marcar nosso lugar. Passa o tempo, vamos crescendo e entendendo o movimento da vida. Fases que nos distanciam, fases que nos aproximam. Mas existem relações que simplesmente continuam fazendo sentido, para além do bombardeio de mudanças que vêm de todos os lados.

Não há mudança que quebre alguns vínculos. Como disse William Shakespeare, “com o tempo você aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa juntos, ou nada, e terem bons momentos juntos”.

É exatamente isso que eu admiro na amizade.

A preciosidade do simples. Talvez a relação de amizade seja a relação onde é mais possível cultivar a liberdade, ter uma demanda de expectativas reais sobre o outro, experimentar a sinceridade em ser quem se é e viver a aceitação mais genuína do outro. A sensação de que não preciso ser diferente do que sou. Quem eu sou, o que tenho a ofertar é suficiente – com quantas pessoas você consegue se sentir assim?

E aí vem Vinícius de Moraes dizer “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. E não é que é isso mesmo? Às vezes temos que lidar com as estradas diferentes. É quando aquilo que mais unia essas pessoas não existe mais. A banda que todos eram fãs se desfez, a saída do final de semana não é mais a festa cheia de novidades e o desafio é falar do trabalho diferente de cada um sem usar termos técnicos. Quando esses desencontros acontecem é sempre uma oportunidade de entender que o que une algumas pessoas pode ser simplesmente o carinho e o bem que desejam uma a outra. É a certeza de que aquela promessa na infância do “conta comigo” foi pra valer e não tem prazo de validade.

Camilla Angelim
Psicóloga clínica, Gestalt-terapeuta

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