Com 12 medalhas, Ceará está entre os 5 estados mais premiados na Olimpíada Nacional em História

Foram 12 unidades de ensino cearenses que receberam medalhas, dentre elas, 11 da rede privada e uma da rede pública estadual

Legenda: Bianca Dieb, participante da única equipe cearense da rede estadual a receber medalha, aponta a vitória como orgulho para si e outros estudantes da rede pública
Foto: Arquivo Pessoal

Com passos lentos, mas determinados, o Ceará foi abrindo caminhos em meio às últimas edições da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), conquistando vitórias estudantis para o Estado. Na 12ª edição do evento, ficou entre os cinco estados mais premiados do Brasil, com um total de 12 medalhas, conforme resultado divulgado, no último domingo (22), em transmissão ao vivo pelo Youtube. No cenário nordestino, ocupou o quarto lugar, ficando atrás apenas de Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte. 

Dentre as 12 instituições de ensino premiadas no Ceará, apenas a Escola de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Doutor César Cals faz parte da rede pública estadual, conquistando medalha de bronze. A equipe “The Crown”, composta por Letícia Lima, Guilherme Sales e Bianca Ferreira Dieb, conquistou bronze.

“Até agora, não consigo descrever. O coração, a expectativa. Quando vimos que vencemos, foi só felicidade”, aponta Bianca, 18 anos. Levar a vitória representando o ensino público foi uma conquista 'muito grande'.

“É importante para que a sociedade veja a escola pública não é o que colocam. Na pública, tem professores que são pela gente e tem gestores que nos incentivam. A gente quer, vai atrás, busca e pode fazer muito mais”, declara.

Orgulho 

Legenda: "The Crown", única equipe da rede estadual a vencer a Olimpíada, contou com o apoio coletivo de professores e gestores da EEFM Doutor César Cals
Foto: Arquivo pessoal

Para o professor de história e orientador da equipe "The Crown", Acácio Simões, a satisfação da vitória supera o esperado, por todas as dificuldades enfrentadas. "Conseguir fazer alunos se mobilizarem para concluir o ano letivo online já é muito. Além disso, ter alunos dispostos a ir para uma atividade extra, como uma Olimpíada, e chegar no pódio, é de ganhar o ano", compartilha.

O trabalho coletivo, o incentivo ao estudo, assim como a participação presente de gestores e colegas professores ao longo de todo o processo foram importantes para o resultado. “A principal dificuldade foi o fato da gente não poder se encontrar presencialmente, não poder partilhar as percepções sobre as questões, trocar ideias, aquele olho no olho”, pondera Acácio.

Apesar de dividirem a atividade com o trabalho ou mesmo as responsabilidades domésticas, conquistar a vitória e ser o único representante de uma escola pública tem um peso muito grande, conforme Acácio. 

Inspiração Feminina

Legenda: Estudantes da equipe "Club Marie Curie", uma das vencedoras da medalha de ouro, superaram o desafio da distância e conseguiram manter o diálogo e a qualidade mesmo durante a pandemia da Covid-19
Foto: Arquivo pessoal

No caso da estudante Carolina Brasileiro, 17 anos, o interesse em participar da olimpíada surgiu como desejo de construir lembranças marcantes do seu último ano do ensino médio. O que começou como um divertimento, terminou como símbolo de orgulho ao descobrir que a equipe “Club Marie Curie” levou ouro na competição nacional. Ela, assim como os estudantes Lucas Dantas e Letícia Cavalhais, sendo respectivamente do 1 e 3º ano do Ensino Médio, levaram o título para o Colégio Darwin.

“A primeira sensação foi não acreditar. Demorou um pouco para cair a ficha. Foi a melhor coisa que consegui em toda a minha vida. Ainda não consigo acreditar que a gente ganhou o ouro e que representamos o Nordeste”, compartilha Carolina.

Para ela, o apoio do professor de história, Ricardo Muniz, foi essencial para a conquista. “Foi o nosso mestre, nós somos muito gratos a ele”, diz. O trabalho em equipe esteve presente ao longo de todo o processo, contando também com o apoio dos professores Luã Rodrigues e Igor Albuquerque.

Olhando para trás, se alegra com o nome escolhido pela equipe, em homenagem à primeira pessoa e única mulher a ganhar o Nobel em duas áreas distintas do conhecimento, sem considerar o prêmio Nobel da Paz. “Foi uma mulher extremamente forte e independente, uma inspiração para os dias de hoje. Serve para mostrar que as mulheres também conseguem”, finaliza. 

Vencedores

Foram distribuídas 40 medalhas de bronze, 30 de prata e 20 de ouro no Brasil. Bahia apresentou a 18 equipes no total, seguida por São Paulo (16), Pernambuco (14), Rio Grande do Norte (13), Ceará (12), Minas Gerais (7), Sergipe (4), Piauí (2). Já os estados de Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro e Roraima levaram uma medalha cada.

No Ceará, dentre as escolas premiadas com bronze estão a EEFM Doutor César Cals (1), Colégio 7 de Setembro (1), Colégio Farias Brito (2) e Colégio Instituto Castro (2), localizado em Aquiraz. Quanto a medalhas de prata, foram para duas instituições do interior do Estado, o Colégio Santanense (1), em Santana do Acaraú e o Centro de Educação Básica e Profissional Professor Luciano Feijão (1).

Os Colégios Farias Brito, Darwin, Santo Inácio e Nossa Senhoras das Graças foram todos vencedores de medalhas de ouro, cada um contabilizando uma premiação. 

Trajetória cearense

Em 2017, o Ceará foi o estado que mais conquistou medalhas na final da 9ª ONHB, realizada na Unicamp, na cidade de Campinas (SP). Foram 26 medalhas, sendo 6 de ouro, 4 de prata e 16 de bronze. O Nordeste, que contava com maior número de finalistas, levou um total de 52 medalhas.

Em 2018, o Ceará foi o estado brasileiro com o maior número de finalistas na 10ª ONHB. Ao todo, 118 equipes representaram o Estado, de 311 que foram convocadas em todo o País. Após o resultado, o Ceará conquistou 25 medalhas, faturando 11 bronzes, 9 pratas e 5 ouros.

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