Superdotado, aluno cearense de 12 anos é aprovado em vestibular da Uece

Lucca Fontes Aragão cursa o 6º ano do Ensino Fundamental e é apaixonado por matemática

Escrito por
Clarice Nascimento clarice.nascimento@svm.com.br
Uma fotografia de uma família de três pessoas, tirada à noite em um gramado. No centro, um jovem sorridente, com óculos, veste um uniforme militar branco com detalhes azuis e dourados, calças vermelhas e um gorro vermelho. Ele está ladeado por uma mulher à sua esquerda e um homem à sua direita. A mulher, com cabelo comprido e óculos, usa um colete cor de vinho sobre uma blusa clara. O homem tem cabelo escuro e veste uma camisa social branca de mangas curtas e calças cinzas. Todos sorriem para a câmera.
Legenda: Aluno do Colégio Militar de Fortaleza (CMF), Lucca é medalhista de prata nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática (OBM) e de Astronomia e Astronáutica (OBA)
Foto: Arquivo Pessoal

O que você gostava de fazer aos 12 anos? Jogava bola e lia livros? O cearense Lucca Fontes Aragão faz tudo isso e ainda passa no vestibular. O adolescente foi aprovado em Matemática na Universidade Estadual do Ceará (Uece) enquanto cursa o 6º ano do Ensino Fundamental no Colégio Militar de Fortaleza (CMF).

Em entrevista ao Diário do Nordeste, os pais de Lucca, José Aragão e Andressa Fontes, contam que essa foi a segunda vez que o garoto fez a prova da Uece. Em 2024, ele passou na primeira fase do vestibular, mas “se enganchou na redação, perdeu a folha de rascunho” e ficou fora da segunda fase, explicou a mãe. 

Movido a desafios, Lucca pediu aos pais para fazer a prova novamente, agora mais preparado e ciente de todos os procedimentos que precisava para uma prova de concurso. “Ele já estava mais ambientado com a chegada, a quantidade de pessoas, as vistorias. Isso contribuiu para que ele estivesse mais concentrado e se saísse melhor”, afirma Andressa. 

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O resultado veio em julho de 2025: aprovação no curso de Matemática, área que pode ser um ‘bicho-papão’ para muitas crianças, mas que, para Lucca, é uma paixão. O fascínio pela ciência exata surgiu na antiga escola, quando no dever de casa vinha uma ‘questão desafio’.

“Ele não era obrigado a fazer, mas sempre se interessava e tentava resolver”, diz a mãe. Incentivado pelos pais, Lucca entrou num cursinho de matemática e português durante as férias, na preparação para a seleção do Colégio Militar de Fortaleza (CMF). Foi ali que ele se aprofundou nos estudos e ‘pegou gosto’ pela matemática, como diz o pai.

“Ele começou a entender ali os porquês e foi quando, de fato, se apaixonou pela matemática”, explica Andressa. 

A primeira experiência de Lucca com processos seletivos foi em 2023, quando fez a prova para o CMF. No entanto, a pressão e o nervosismo fizeram com que ele perdesse o tempo de prova e, com isso, não obteve êxito. No ano seguinte, retomou os estudos, realizou a prova novamente e conquistou o primeiro lugar. “Foi a maior nota da história, o que eles chamam de ‘Duplo 10’, 10 em português e 10 em matemática”, diz Aragão. 

Em 2024, foi medalha de ouro na Singapore and Asia Math Olympiad (SASMO) — uma das maiores competições de matemática na Ásia — e prata na 46ª Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). 

BRINCAR DE APRENDER

O exemplo de estudos e inteligência vêm de casa. O pai de Lucca é formado em Matemática e professor de Computação, e a mãe é nutricionista e mestre em Nutrição e Saúde pela Uece. Ele tem memória aguçada e rápida capacidade de aprender. Estudar, para o menino, é divertido e desafiante. 

Ele se diverte, é o que ele gosta, fica realizado quando soluciona problemas [...] O Lucca é um solucionador de problemas, gosta de estar o tempo todo sendo desafiado, de ter estímulos, uma meta para estudar ou uma prova para fazer. É como se alimentasse a rotina de estudo deles
Andressa Fontes
mãe de Lucca e nutricionista

Os pais contam que sempre incentivaram o garoto e respeitam seus gostos, vontades e, principalmente, a idade. “O que eu prezo muito é que ele seja criança. Muitas vezes ele está estudando, querendo resolver problemas de matemática e eu digo: ‘Lucca, para, vai jogar videogame’. Tem que ser essa quebra para poder a mente descansar e ele ser criança”, diz Aragão. 

Uma selfie em close de uma família sorridente de quatro pessoas: um homem, uma mulher e dois meninos, posando em um ambiente interno com uma escada ao fundo. Todos estão olhando e sorrindo para a câmera.
Legenda: Lucca é o primogênito de José Aragão e Andressa Fontes, e irmão mais velho de Guilherme, de 5 anos
Foto: Arquivo Pessoal

Superdotação

Essas características do Lucca fizeram os pais investigarem a possível superdotação. “Eu notei que ele estava um pouco mais ansioso, se cobrando principalmente na questão acadêmica”, relata a nutricionista. 

Orientados por outros pais, resolveram fazer o Quociente de inteligência (QI). Andressa relata que a bateria de testes foi desgastante e, por vezes, deixou o garoto chateado. No fim, o resultado surpreendeu os pais: Lucca apresentou um QI de 136 pontos, considerado altas habilidades/superdotação

Apesar da boa notícia, a complexidade da condição leva os pais a terem mais cuidado. “Não é só alegrias. A superdotação também traz, pelo menos no caso do Lucca, uma alta exigência, um perfeccionismo muito grande”, explica o professor.

[Os superdotados] têm esse desejo de estudar, eles precisam. Então, para a gente, foi um processo até entender que o Lucca precisava daquelas horas de estudo. Ele precisava suprir aquilo ali que era, de fato, o que ele gostava. E a psicóloga sempre me orientava muito 
Andressa Fontes
mãe de Lucca e nutricionista

Para uma pessoa obter um laudo de altas habilidades e superdotação, segundo a Política Nacional de Educação Especial, é preciso ter potencial elevado em áreas como intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, sendo isoladas ou combinadas.

No caso de Lucca, ele tem boa memória e raciocínio lógico fora da curva, mas é um garoto tímido. Por isso, os pais estimulam que ele tenha contato com outras crianças em esportes coletivos. O ambiente escolar já propicia essas atividades, com jogos de handebol, queimada e vôlei. Além disso, Lucca é apaixonado pelo Ceará Sporting Club e já frequentou a escolinha do clube. 

Quanto ao futuro, eles sentem que Lucca ainda precisa amadurecer e conhecer as profissões para escolher o que quer. Por enquanto, ele sonha em entrar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), no Instituto Militar de Engenharia (IME) ou estudar fora, em Harvard ou Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Lucca também disse que, esse ano, quer fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Nós temos trabalhado para que ele conheça outras profissões, entenda como são as experiências profissionais. As profissões no futuro, na geração dele, vão ser muito diferentes das nossas, então ainda tem muita coisa para acontecer até ele se decidir”, finaliza Andressa.

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