Editorial: Prudência para avançar

A semana começa com um desafio a Fortaleza e às demais cidades do Estado. Decreto estadual determinou que fossem iniciadas, na Capital, a Fase 1 do Plano de Retomada Responsável das Atividades Econômicas e Comportamentais do Estado; e fase da transição nos outros 183 municípios cearenses. Reativam-se setores da indústria, do comércio e de serviços.

A expectativa é alta e compreensível. Como se repetiu em todo o mundo, a economia do Estado sofreu impacto imediato com a chegada da Covid-19 ao Ceará. Foi necessário que se adotasse uma série de medidas previdentes, como a recomendação de distanciamento social e suspensão das atividades consideradas não essenciais foram fundamentais para minimizar os efeitos da doença sobre o sistema de saúde. O isolamento, ainda que inevitável e determinante para reduzir casos e mortes pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), cobrou seu preço da economia; e em ansiedade sobre a população, após meses de rigorosa restrição.

Na prática, buscou-se garantir que as redes médicas pública e privada do Ceará tivessem condições de atender a demanda de pessoas com a nova doença, em especial as internações dos casos mais graves e potencialmente letais. Os números registrados até hoje são o resultado de uma equação que considera a condição altamente infecciosa do coronavírus; a resposta das políticas públicas nos âmbitos federal, estadual e municipal; e, não menos importante, a adesão da população às recomendações e determinações das autoridades. Estima-se que, a partir de hoje, estarão em funcionamento atividades responsáveis por 85% do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará. São mais de 66 mil empregos liberados nesta Fase 1 de Fortaleza e de transição nos outros municípios, com pouco mais de 1 milhão de trabalhadores de volta ao batente. O número corresponde a cerca de 70% do total da força de trabalho cearense.

Entende-se, claro, que a maior circulação urbana exige disciplina das pessoas e instituições. Há protocolos de segurança estabelecidos, de acordo com as necessidades de operação de cada negócio. Estes exigem compromisso e rigor em seu cumprimento.

Fortaleza não é a única cidade que tem exigido atenções especiais. O isolamento rígido foi renovado para quatro municípios - Sobral, Itarema, Acaraú e Camocim. O Estado ainda recomenda que municípios dessas microrregiões adotem medidas mais rígidas de isolamento, ciente da integração de muitas cidades no interior cearense.

O momento é de se reafirmar a disposição para enfrentar a pandemia da Covid-19, com espírito vigilante, colaborativo e solidário. A reabertura é um investimento em benefício de todos e que de todos também depende para que possa ser bem-sucedida.

Cada fase depende da performance da anterior, para que possa ser liberada no menor número possível. A régua que medirá o sucesso será sanitária. Não se deve admitir que os números da pandemia voltem a crescer em ritmo exponencial. O bem-estar da população dependente do compromisso de todos, deve ser entendido como prioritário. São vidas que dependem da prudência e da ação consciente de todos os cidadãos e de suas instituições.


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