Insônia

Zumbido compromete o sono

00:58 · 18.06.2013
O zumbido, ou tinnitus, deve ser observado com atenção, pois pode indicar problemas no aparelho auditivo

Ruídos constantes que se assemelham a abelhas, cigarras, apitos e chiados, ou mesmo a objetos mais agressivos, como o de uma britadeira. Esses são alguns dos sons percebidos por quem sofre de zumbido (ou tinnitus), distúrbio que faz o individuo ouvir barulhos sem que haja algum tipo de relação com o ambiente.

DJs, músicos, metalúrgicos e gráficos estão entre os profissionais mais propensos a sofrer lesões nas células ciliadas, localizadas dentro da cóclea. O estresse também potencializa a ocorrência de zumbido no ouvido FOTO: REPRODUÇÃO

Por não dar espaço para o silêncio, o zumbido costuma ser mais percebido na hora de dormir, causando insônia na maioria dos casos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 278 milhões de pessoas no mundo tenham o problema. No Brasil, são 28 milhões.

Via auditiva

Geralmente, o zumbido é ocasionado por um ritmo acelerado das vias auditivas para compensar uma perda da audição, distúrbio identificado em 90% dos casos.

"Ao contrário do que muitos pensam, o zumbido não causa a perda de audição, mas um sinal de que algo não está bem com o ouvido", afirma a otorrinolaringologista Tanit Ganz Sanchez, presidente do Instituto Ganz Sanchez e da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (contato@apidiz.org.br).

Causas diversas

Um dos grandes desafios para detectar a origem do distúrbio são as diversas questões que podem levar um indivíduo a ter zumbido. Alguns fatores estão relacionados a infecções, maus hábitos alimentares (como o jejum prolongado), hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, depressão, bruxismo e estresse.

Quando a questão é a má alimentação, os itens gordurosos são os pontualmente prejudiciais. Quando há excesso em sua ingestão, o sangue torna-se mais viscoso, dificultando a circulação pelas pequenas artérias responsáveis por regar os ouvidos, além de formar placas de gordura na região. "Quando consumida sem controle, a cafeína também pode ocasionar ou piorar o zumbido, assim como o tabaco e o álcool. O ideal é ingerir com moderação", diz a médica.

Lesões no ouvido (nas células ciliadas, responsáveis por captar e converter as vibrações sonoras em correntes elétricas) podem desencadear quadros de zumbido. Expor-se a sons e ruídos muito altos compromete essas células, reduzindo sua sensibilidade. "Profissionais que atuam em ambientes barulhentos possuem maior propensão a lesões, como os músicos, metalúrgicos, gráficos, que trabalham em indústrias ou na construção civil", pontua.

Para minimizar o impacto do estresse, uma das causas identificadas do zumbido, a médica indica a prática de atividades prazerosas como um esporte, Yoga ou meditação, já que todos proporcionam momentos de relaxamento. Outra regra básica: evitar a exposição a barulhos e a sons muito altos. Na hora de dormir, se possível, colocar algum som baixo para atenuar o incômodo do zumbido; o de cachoeira ou de músicas que acalmam e relaxam.

Tratamentos

São várias as opções, sempre personalizadas, para cada causa de zumbido e perfil do paciente. "Se a causa for reversível, a solução é mais simples. Quando não é possível tratar a origem, há caminhos para amenizá-lo, mas todos devem ser orientados pelo otorrinolaringologista", indica.

Uma das opções é o Tinnitus Retraining Therapy (TRT), método baseado em dois princípios: evitar o silêncio, acrescentando sons neutros, baixos e contínuos em ambos os ouvidos; desmistificar o zumbido e tranquilizar o paciente acerca da progressão do distúrbio.

"Quando o paciente faz associações negativas (possível doença grave, surdez, medo de piora progressiva), outros centros cerebrais são ativados, gerando uma percepção contínua e um incômodo maior".

Há também as correções na dieta, o uso de vasodilatadores, antidepressivos e ansiolíticos, reparações ortodônticas e a desativação de pontos-gatilho miofasciais. São usadas próteses auditivas nos indivíduos que já apresentam algum nível de perda na audição. Também podem auxiliar o uso de estimulação magnética transcraniana, acupuntura e terapias energéticas.

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