Musculação

Vigor na terceira idade

00:25 · 16.07.2013
Ganho de massa muscular ajuda o idoso a executar as tarefas diárias com mais segurança e evitar quedas

A academia de ginástica deixou de ser lugar exclusivo para jovens que desejam ter um corpo definido. Os idosos estão mais conscientizados sobre os benefícios da prática de uma atividade física, onde a musculação - juntamente à caminhada - é indicada para esta faixa etária em função de exercer um efeito benéfico sobre o sistema músculo-esquelético.

O educador físico Jorge Teles ajuda Luísa Marilac a executar alongamento passivo foto Walesca santiago

Despertar bem disposta e, logo cedo, iniciar uma série de exercícios como caminhada e levantamento de peso. Essa poderia ser parte da agenda de uma pessoa no auge de seu rendimento físico, mas trata-se da rotina da aposentada Luísa Martins Leão.

Seus bem vividos 76 anos de idade não a impedem de ir à academia três vezes por semana, pelo contrário, é mais um motivo para manter a sua saúde em dia. "Meu médico exige que eu faça atividade física com frequência. Sempre gostei de me movimentar, além de achar necessário. Quando vou ao cardiologista, ele fica encantado com o resultado dos meus exames", revela.

Aluna da Academia Espaço Körper há um ano, Luísa enumera os benefícios adquiridos com o hábito incorporado a sua rotina: "Durmo melhor sempre que faço atividade. Diminui o estresse, e isso me faz não lembrar de problemas".

Mais massa muscular

Apesar de todos os benefícios inerentes à prática de exercícios, no caso do idoso, o treinamento deve levar em conta o desgaste físico próprio da idade. Uma das principais consequências é a redução da força e da massa muscular, quando ocorre uma perda natural da fibra responsável pela contração rápida e de seus motoneurônios. Essa deficiência afeta as miosinas, proteínas importantes para a movimentação e a contração.

"A musculação é essencial, já que propicia o ganho de massa muscular em decorrência do aumento das proteínas de contração, ou seja, a actina e a miosina", explica o educador físico Firmino Triana, responsável pelo treinamento com idosos da Academia Espaço Körper.

Os exercícios de musculação também proporcionam o aumento de osteoclastos e osteoblastos, células que regulam a fixação de cálcio nos ossos, auxiliando no combate à osteoporose. "Atividades aeróbicas de impacto, como caminhada e dança, por exemplo, também são importantes nesse processo", afirma Triana.

Todos esses exercícios promovem melhora na força da musculatura das pernas e das costas, ampliam os reflexos, aprimoram a sinergia motora das reações posturais e a mobilidade, além de reduzir a incidência de quedas.

Alongamentos passivos

Com o avanço da idade, os tecidos que envolvem as articulações sofrem diminuição de elasticidade, ocorrendo um declínio da amplitude articular, comprometendo várias tarefas funcionais e gerando desconforto e incapacidade.

Estudos demonstram as melhorias de movimento e mobilidade em idosos que realizam exercícios com alongamentos regulares. "Aqueles executados com o auxílio do treinador (alongamentos passivos) possibilitam alongar com maior precisão a região desejada. Entretanto, deve-se respeitar o limite da dor, do bloqueio respiratório, da evolução da amplitude, do relaxamento muscular, entre outros fatores", justifica.

A queda contínua das taxas de metabolismo basal é o principal responsável pelo acúmulo de gordura no organismo e a diminuição da massa muscular, fatores relacionados ao sistema endócrino, ao aumento da ingestão calórica e, também, ao sedentarismo.

Rotina ativa

O início dos treinamentos envolve atividades de fácil execução (com apoio), pois fortalecem a musculatura como um todo. No passo seguinte, dependendo do desempenho físico, os exercícios começam a ser mais complexos.

"Com a maioria dos idosos, evitamos usar dinâmicas onde a sobrecarga tenha sentido céfalo-podal (com apoios de barra na região cervical). Sempre levamos em consideração as restrições decorrentes de problemas articulares, dores e qualquer tipo de limitação que pode causar desconforto ou piora no quadro já existente".

Antes de iniciar qualquer atividade física, o idoso deve ser submetido a uma avaliação médica e uma análise física e funcional junto a um profissional de educação física para averiguar os aspectos antropométricos (medidas do corpo), os índices de independência funcional e de autonomia (autodeterminação).

FIQUE POR DENTRO

Mulheres ainda são a maioria nas academias

Os idosos estão, sim, praticando atividades físicas com maior frequência. Segundo Firmino Triana, essa mudança deve-se aos avanços na geriatria e gerontologia, o desenvolvimento tecnológico, o maior acesso à informação e a possibilidade concreta de uma melhoria na qualidade de vida na terceira idade.

"A sociedade vive um momento de valorização da prática regular de exercícios, onde os benefícios são conhecidos e incentivados por muitos, médicos, familiares e amigos". É fato que os exercícios resultam no aumento da autoestima, no controle da diabetes e das doenças cardíacas, e ainda na redução da depressão.

As mulheres são a maioria, mas a disparidade entre os sexos vem diminuindo, pois os homens idosos demonstram mais interesse em cuidar da saúde e em melhorar o desempenho nas atividades diárias. "O fato da mulher ter uma ligação maior com o cuidar do corpo, o treinamento para melhorar a saúde, a qualidade de vida e a estética já está incorporado ao seu cotidiano", encerra o especialista.

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