VARICELA

Vacinar é preciso

00:34 · 09.01.2011
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Indivíduos com baixa imunidade estão mais sujeitos a ter complicações em decorrência do vírus. Inclusão da vacina é analisada

As famosas erupções vermelhas na pele, que caracterizam a catapora (ou varicela) são comuns principalmente na infância. Mesmo quem nunca contraiu a doença, provavelmente soube de algum caso em que o paciente (criança ou adulto) teve de passar alguns dias em casa sem manter contato com os demais, uma vez que o vírus causador da doença, o Varicela-zoster, é altamente contagioso.

Conforme o diretor do Hospital São José, referência em doenças infecto-contagiosas, e professor do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), dr. Anastácio de Queiroz Souza, apesar de na maioria dos casos serem benignos e não apresentarem complicações (apenas lesões secundárias na pele), em um pequeno porcentual de pacientes com sistema imunológico enfraquecido, a doença pode evoluir para problemas no fígado, coração, articulações, pneumonia e insuficiência respiratória grave e encefalite (inflamação aguda no cérebro), podendo levar ao óbito.

Para poucos

Só no ano de 2010, mais de 90 pessoas foram internadas no Hospital São José devido a Varicela-zoster, seja em função da catapora ou de doenças decorrentes da reativação do vírus anos após sua ocorrência, o Herpes zoster ou Cobreiro.

Apesar desses números, a vacina ainda não é disponibilizada gratuitamente pelo Programa Nacional de Vacinações do Ministério da Saúde, que leva em consideração o impacto da doença na população (mortalidade e hospitalização).

Segundo o infectologista e diretor clínico do Hospital São José, dr. Robério Dias Leite, o Ministério da Saúde elegeu como prioridades outras vacinas como a do Rotavírus, principal causador de diarreia em crianças, contra Pneumonia, Meningite e Gripe H1N1. "Estas vacinas são realmente prioridades do ponto de vista de saúde pública em comparação com a vacina contra varicela.

No entanto, tenho esperança de que, em breve, ela também seja incorporada ao Programa Nacional de Imunizações", diz o professor adjunto de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ainda disputam lugar a vacina contra a Hepatite A e o câncer do colo do útero (HPV).

"Considerando o grande número de casos que ocorrem todos os anos, os pacientes que necessitam de internamento e também os que vão a óbito, não há dúvidas de que a vacina é muito importante", reforça o dr. Anastácio Souza.

O alto custo da vacina contra catapora é o principal motivo da sua não inclusão. Além disso, muitas famílias não podem pagar cerca de R$140,00 pela dose, fazendo com que o número de casos da doença ainda seja elevado. Para o dr. Robério Leite, a disponibilização gratuita da vacina não só reduziria as internações decorrentes das complicações da catapora, como protegeria os pacientes que apresentam deficiência imunológica e que por isso apresentam maior chance de morte pela doença e diminuiria o sofrimento individual daqueles que enfrentam a doença e têm de se abster da escola ou do trabalho.

Atualmente no Ceará, apenas os Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIEs) do Ministério da Saúde dispõem da vacina gratuita para indivíduos de risco: imunodeficientes, candidatos a transplantes, transplantados, doentes renais, dentre outros. Em Fortaleza, o Hospital Infantil Albert Sabin é o responsável por oferecer esse serviço.

Incidência

Atualmente é observada uma variação epidemiológica dos casos de varicela no Ceará, cujo pico de incidência ocorre entre os meses de setembro a janeiro. Nessa época do ano, principalmente, os cuidados com a vacinação são considerados essenciais.

Quem não contraiu a doença na infância também deve ser vacinado. Até porque, de acordo com o dr. Robério Leite, a doença geralmente se manifesta de forma mais grave nos indivíduos adultos. "Acredita-se que devido a uma resposta imunológica mais intensa, levando a um processo inflamatório mais exacerbado", explica o especialista.

Apesar de a catapora também conferir sérios riscos durante a gravidez, podendo haver má formação fetal, a vacina é contraindicada para grávidas, pois o vírus, ainda que enfraquecido, pode prejudicar o desenvolvimento do feto. O mesmo também é válido para os pacientes imunossuprimidos.

Fique por dentro
Quando vacinar

As Sociedades Brasileiras de Imunizações e Pediatria recomendam que todas as crianças, a partir dos 12 meses sejam imunizadas contra varicela. No entanto, aqueles que contraíram a varicela (também adultos) não precisam ser vacinados, pois já são considerados imunes.

Mulheres grávidas, com sistema imunológico enfraquecido, que apresentam reação anafilática aos componentes, que tenham recebido transfusão de sangue (últimos 3 meses) ou uma vacina atenuada (últimas 4 semanas) não devem receber a vacina, que contém o vírus atenuado.

Esta é aplicada em duas doses. A recomendação é que a segunda seja feita entre os 4 e os 5 anos de idade, porém, as vacinas podem ser tomadas em qualquer idade, com intervalo mínimo de 3 a 4 meses entre as doses.

Alguns dias após a aplicação é possível a ocorrência de pequenas lesões de pele características de Varicela em alguns indivíduos. Os sintomas são rápidos e brandos e não requerem maiores preocupações.

 

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