microcirurgia

Transplante de face é destaque no programa do Outubro Médico

00:34 · 24.09.2013
"Compartilhar a técnica é muito importante, assim como a solidariedade na comunidade médica". É com esse "espírito" que o cirurgião francês Bernard Devauchelle, cientista responsável pelo primeiro transplante de face realizado no mundo, participa, em Fortaleza, do Outubro Médico, que comemora o Centenário da Associação Médica Cearense. Durante o evento, realizado de 16 a 19 de outubro, no Seara Praia Hotel, Devauchelle fará duas conferências no dia 18, que constam da programação da 4ª Jornada Cearense de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial.

Bernard Devauchelle diz que o objetivo maior da reconstrução facial é a reintegração social do paciente. O primeiro transplante foi feito em 2005 Foto: Divulgação

"Transplante de face, o presente e o futuro" e "Elegância e microcirurgia" são os temas abordados pelo cientista - quando falará sobre a sua experiência na utilização de retalhos microcirúrgicos para reconstruções de face. "Trabalho com microcirurgia desde 1976, são quase 40 anos e para mim isso é algo indispensável. Faço duas ou três microcirurgias por semana", informa o especialista, acrescentando que em relação ao transplante de face sua sensação é de "dever cumprido, enquanto profissional e ser humano".

Identidade resgatada

Aberto ao compartilhamento de técnicas e experiências, o cirurgião diz que "conviver com uma face desfigurada envolve aspectos morfológicos, estético e funcionais". Mas o objetivo maior da reconstrução, afirma, é a reintegração social do indivíduo.

"A pessoa desfigurada tende a se esconder", diz, chamando atenção para relatos de pessoas que se submeteram à cirurgia.

"Tenho uma paciente que se casou logo após o transplante; um americano me falou: ´antes do transplante eu sobrevivia, agora eu vivo´. Outra disse que teve sua identidade resgatada, porque ´sem o nosso rosto não somos nada".

Segundo Devauchelle, desde novembro de 2005, quando fez seu primeiro transplante de face, já foram realizados 27 em diferentes partes do mundo, sendo três na França, sob seu comando. Os demais ocorreram nos EUA, Espanha, Turquia, China e Bélgica. Sobre eventuais dificuldades técnicas para um transplante facial em países emergentes, ele diz que "a dificuldade é mais na organização, porque requer um planejamento perfeito. Não há obstáculos na comunidade cirúrgica, mas solidariedade e compartilhamento".

Ato cirúrgico

Segundo o especialista, o sucesso de um transplante de face depende do cumprimento de algumas exigências, envolvendo compatibilidade sanguínea e de tecido, semelhanças em relação à cor, textura e espessura da pele, assim como a estrutura óssea e a idade do doador e do receptor. O enxerto não é indicado para pacientes submetidos a tratamento imunossupressor envolvendo face, porque "não é muito fácil tolerar". Mas "não sendo face, laringe, por exemplo, tudo bem". Ele também considera "um risco" submeter um fumante a esse tipo de transplante, "embora o tabagismo não seja uma contraindicação formal para a cirurgia", frisa.

Aos médicos

Com a expectativa de reunir mais de mil profissionais, o Outubro Médico 2013 inicia dia 16, às 19h30, e no dia seguinte se dedica à parte técnica com o Congresso de Medicina da Família e a I Jornada Científica das UPAS. Os eixos principais serão: Atenção Básica, Medicina Intensiva, Urgências e Emergências, Ginecologia e Obstetrícia, Oncologia, Clínica Médica e Cirurgia Geral. O encerramento e a comemoração do Dia do Médico ocorrem no Buffet La Maison Coliseu.

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