FÁBULAS

Tempo dos bichos voltarem a falar

23:14 · 23.04.2011
( )
Ana Luíza, de cinco anos se delicia com as histórias que a mãe Ana Kelly Farias conta. Contos e fábulas infantis não só ajudam a criança a desenvolver a imaginação, dizem os psicólogos
Ana Luíza, de cinco anos se delicia com as histórias que a mãe Ana Kelly Farias conta. Contos e fábulas infantis não só ajudam a criança a desenvolver a imaginação, dizem os psicólogos ( Foto: Rodrigo Carvalho )
VALORES HUMANOS SÃO REPASSADOS A CRIANÇAS E ADULTOS POR MEIO DE CONTOS E FÁBULAS INFANTIS

A história fascinante de Esopo, a quem é atribuída o gênero literário da fábula, em si já revela a importância da oralidade para os humanos. Nascido no século VI a.C., Esopo era escravo e conseguiu ser liberto por seu dono, encantado por seu talento e imaginação na criação das fábulas, histórias que passam valores por meio da fala de bichos.

Quem não se recorda da fábula "A cigarra e a formiga", originária de Esopo e recontada por La Fontaine? Ou não guarda na memória aquela frase que sempre seguia à contação de uma fábula: qual é a moral da história?

Transmissão

A psicóloga e psicodramatista, Lia Dantas, sabe muito bem que hoje, com tantas informações e atrativos às crianças e adolescentes, a exigência da leitura nunca deve ser mais uma obrigação. Em sua essência, vinculada ao prazer, transmite todo um conhecimento e aprendizado adquirido por gerações, com ensinamentos preciosos os quais se reportam ao princípio, no tempo em que os bichos falavam e em que o ouvinte ou leitor, ainda pequeno, habitava o universo mágico, de extensa criatividade e possibilidades infinitas.

Lia faz referência à popular história do "Patinho feio". Originariamente, conforme a contadora de histórias e analista junguiana, Clarice Pínkola Esthés, no seu clássico "Mulheres que correm com os lobos" (Rocco), revela que o patinho foi expulso da família pela mãe pata, o que torna o sentimento de abandono do personagem ainda mais intenso, até descobrir ser possuidor da realeza de um cisne.

A experiência da psicóloga com os filhos (Fabrício, de 11 anos e Mariana de 5) a tem gratificado tanto que se estimulou a abrir um grupo semanal para crianças. "Aprendendo com as fábulas" terá início no próximo dia 16 de maio, com duração de três meses (liadantaspsi@yahoo.com.br). O objetivo é repassar dinâmicas com fábulas que destacarão comportamentos. Crianças de 8 a 10 anos terão oportunidade de se posicionarem em papéis diversos, incorporando aprendizados e valores morais importantes para suas vidas.

Não se trata de um grupo terapêutico, destaca Lia, mas de contação de fábulas, cujos animais personificam valores e falam. Estes personagens se posicionam em situações variadas, abrindo um leque de possibilidades para escolhas e soluções - pela fantasia - dos diferentes dilemas e problemas humanos.

"Por meio dos diálogos e das situações, os personagens animais transmitem sabedoria aos homens". Confirma serem leituras muito interessantes por permitirem às crianças aprenderem de forma lúdica e descontraída.

Conforme a pedagoga e também especialista em psicodrama, Erika Pessoa, a fantasia é a forma como a criança percebe o mundo imaginário das fábulas. E, a partir desse mundo mágico, vai podendo assumir posturas às questões inerentes da vida.

ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.