Comer bem

Tal mãe, tal filha!

02:58 · 06.08.2013
Deve ser dada à criança a decisão da escolha do alimento, porém é preciso lembrar que ela espelha os costumes dos próprios pais

É saudável? Essa é a pergunta que Ulli, de quatro anos, faz sempre que oferecem algo diferente do que ela costuma comer. O hábito de se alimentar bem foi incentivado pela mãe, a bióloga Bia Mesquita, que, desde o nascimento da filha, oferece alimentos naturais, sucos, frutas e verduras. "A Ulli come muito bem e sempre aceitou tudo que ofereci. Quanto a refrigerantes e guloseimas, a criança não sente necessidade disso. Só em falar que não é saudável, já espanta a curiosidade", afirma a mãe.

Desde bebê, Ulli é incentivada pela mãe Bia a optar por alimentos saudáveis Foto: Alex Costa

Apesar do exemplo da filha, Bia confessa que seus hábitos alimentares não são tão exemplares por conta da falta de acesso aos produtos mais naturais durante a correria diária. Entretanto, nos momentos em que pode optar, o natural sempre é sua preferência. Diante desse quadro, a mãe se preocupa em adaptar o cotidiano de Ulli. "Implementei uma rotina na dieta dela com opções naturais, o que foi fácil. Difícil é o mundo que acaba nos levando contra esse caminho", afirma.

O ditado popular já diz: Tal pai, tal filho. Quando o assunto é hábitos à mesa a lógica segue o mesmo ritmo e os pais são os maiores exemplos ou incentivadores na hora da refeição, destaca a nutricionista Lívia Campos, da Maternidade Escola Assis Chateubriand e pós-graduada em nutrição clínica.

As crianças cujos hábitos não são satisfatórios têm os pais como principais causadores. Afinal, elas não são totalmente responsáveis pelas suas escolhas nutricionais. A orientação é preventiva: estimular o consumo desde bebê para criar um costume alimentar saudável.

Segundo a nutricionista Samara Mesquita, do Instituto AMO (Assistência Multidisciplinar da Obesidade e Saúde Integral) e professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Estácio FIC, a formação é construída a partir da primeira infância, quando o aleitamento materno e o período de complementação alimentar são os mais importantes, já que a criança não nasce com seletividade e está sempre aberta a aprender.

"Quando a oferta de alimentos passados no liquidificador, a substituição de refeições por vitamina e mingau são erros comuns. Às vezes, os pais são condescendentes, cedem com sucos industrializados que trazem brindes. A união de todos esses fatores constrói o hábito alimentar da criança", enfatiza a especialista em saúde da família e mestre em nutrição e saúde.

VICKY NÓBREGA
ESPECIAL PARA O VIDA

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