SAÚDE

Tabaco gera cerca de 50 doenças

01:51 · 20.02.2011
O tabagismo é capaz de provocar cerca de 50 outras doenças, além de possuir efeito cumulativo. De acordo com a dra. Maria da Penha Uchôa, quanto mais jovem é o fumante, maior será o risco de desenvolver doenças de maior gravidade como DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica incluindo a bronquite crônica e o enfisema pulmonar) câncer de pulmão, doenças cardíacas, AVC (acidente vascular cerebral), além de piorar quadros de asma e aumentar os riscos de disfunção erétil (DE) e infertilidade.

Em busca de controle

Apesar de já haver um maior esclarecimento sobre os malefícios do cigarro, ainda há demora em procurar ajuda. No Hospital de Messejana, onde funciona o Programa de Controle do Tabagismo, a idade média dos que iniciam o tratamento é 47 anos, com tempo de tabagismo de 33 anos, o que faz com que os prejuízos sejam mais difíceis de serem revertidos.

Apesar disso, desde sua criação em 2002, já foram cerca de 1.600 pacientes atendidos, grande parte, com sucesso, uma vez que a taxa de abstinência anual é de cerca de 47%.

Ao se inscreverem voluntariamente, os pacientes passam por uma triagem médica que possibilita colher dados pessoais, bem como informações relativas ao estado psicológico e quanto à motivação para deixar o cigarro. A partir disso, tem início o tratamento realizado por três equipes multidisciplinares do programa, compostas por médicos, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e assistente social.

O tratamento envolve tanto a abordagem cognitivo-comportamental quanto a terapia medicamentosa com uso de antidepressivos e terapia de reposição nicotínica, que busca aliviar os sintomas característicos de abstinência. Entre os mais comuns estão: ansiedade, depressão, irritabilidade, aumento de apetite ou de peso, redução da concentração, insônia, redução dos batimentos cardíacos e da pressão arterial.

Para isso, não realizados encontros semanais todas às segundas-feiras, das 8 às 12 horas, e às quintas-feiras, das 13 h30min às 16h30min. Os encontros, que posteriormente se tornam quinzenais, servem de preparação para o tratamento medicamentoso.

Tais condutas visam, segundo a dra. Maria da Penha, a estimulação e a criação de estratégias para o controle psicológico dos pacientes durante o processo a que serão submetidos durante a terapia. Nos últimos seis meses do tratamento, o atendimento passa a ser telefônico, período no qual o paciente fica apto a receber alta.

Além disso, o Programa de Controle do Tabagismo também proporciona uma série de atividades que visam a conscientização dos participantes em datas especiais (Campanha Nacional e Internacional de Combate ao Fumo e a Corrida Contra o Fumo, que entra na sua terceira edição).

Dependência inalada

Na condição de substância que gera maior dependência do tabaco, o alcaloide da nicotina é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), desde 1997, como sendo a grande responsável pela sensação quase imediata de prazer.

Segundo a dra. Stella Martins, a rapidez de impacto cerebral gerado pela nicotina só é comparada com a cocaína. "Em apenas 10 segundos, a nicotina consegue fazer todo o percurso de ser inalada, absorvida pelo pulmão, passar para a corrente sanguínea", afirma.

Esclarece também que, para potencializar o efeito da nicotina, outras substâncias foram acrescidas à composição do cigarro ao longo dos anos. Entre as principais, a médica Stella Martins cita elementos "como a amônia, produto químico geralmente utilizado na limpeza doméstica altamente corrosivo que, quando adicionada ao tabaco, ajuda tanto na vaporização mais rápida da nicotina quanto no seu depósito pulmonar", informa a diretora do Programa de Atenção ao Tabagista do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod).

A quantidade de nicotina absorvida ao se fumar um cigarro depende do tipo da tragada do fumante, porém, sabe-se que a maioria dos cigarros contém até 10 miligramas dessa substância que permanece em média duas horas na corrente sanguínea. Após a baixa da concentração é que surgem os sintomas de abstinência que aumentam o desejo de fumar, descreve a médica.

Fique por dentro
Folhas verdes

Não é só o tabaco presente no cigarro que prejudica a saúde. Também o contato direto com as folhas verdes da planta pode ser responsável pela "doença da folha verde do tabaco" caracterizada pela intoxicação aguda por absorção dérmica da nicotina presente nas folhas. Provoca tontura, fraqueza, vômito, náuseas e cefaleia.

O problema, que até então não havia sido identificado em nenhum país da América Latina, foi detectado pela primeira vez no Nordeste do Brasil - país considerado segundo maior produtor de tabaco do mundo - depois de pesquisa divulgada na revista "Cadernos de Saúde Pública", da Fiocruz.

Foram identificados 107 casos da doença na região de Arapiraca, Alagoas. Os resultado mostrou que a maioria dos doentes são do sexo masculino e que 77% são não-fumantes. O estudo também alerta para a importância da inclusão de uma agenda especial de saúde para famílias que trabalham com tabaco.

Fumígenos derivados do tabaco

Cigarro:
produto industrializado, com ou sem filtro, composto por uma mistura de tabaco e aditivos, envolta por papel ou tabaco homogeneizado ou reconstituído, ou por outra mistura;

Charuto: produto industrializado ou artesanal, sem filtro, composto por folhas de tabaco naturais (inteiras, picadas, desfiadas ou partidas) enroladas em cilindro, podendo ter aditivos. O envoltório é feito apenas por tabaco;

Cigarrilha: pequeno charuto sem filtro composto por folhas naturais de tabaco;

Cigarro de palha: produto artesanal composto por uma pequena porção de tabaco picado enrolado em palha de milho;

Fumo de rolo/corda: produto fumígeno derivado do tabaco, composto de folhas de tabaco destaladas, entrelaçadas entre si e enroladas, submetidas ao processo de cura ao sol;

Tabaco para narguilé: também conhecido como cachimbo d´água é o tabaco utilizado no dispositivo para fumar. É aquecido e a fumaça gerada passa por um filtro de água antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma mangueira;

Tabaco inalável: produto fumígeno derivado do tabaco que não gera fumaça. É destinado a ser aspirado e também conhecido como rapé;

Tabaco mascável: produto fumígeno derivado do tabaco que não gera fumaça. Consiste de tabaco destinado a ser mascado ou sugado, ao invés de ser fumado;

Bidi: produto artesanal geralmente aromatizado, composto por uma pequena porção de tabaco picado envolto por folhas de tendu ou temburi;

Outros fumígenos: qualquer outro tipo de produto fumígeno derivado do tabaco que não se enquadre nas definições anteriores.

MAIS INFORMAÇÕES

Programa de Controle ao Tabagismo
Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart
Avenida Frei Cirilo, 3480 - Messejana
Fone: 3101-4062

Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas - SP
Rua Prates, 165 - Bom Retiro -SP -
Fone: 3329-4455

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