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Surf como terapia

00:00 · 16.12.2013

Da areia da praia, elas veem o sol se pôr no horizonte distante. De frente para o mar, as marcas de expressão contemplam a natureza e o esforço dedicado aos alongamentos se intercala ao soltar os braços para relaxar. É fim de tarde na Praia do Futuro, e o vai e vem das ondas convida para o surf. Difícil recusar.

Com idades de 40 a 75 anos, as mulheres se exercitam sob a orientação da agente de saúde Maria José de Sousa. Aprender a se equilibrar na prancha é levar o equilíbrio para o dia a dia FOTO: FABIANE DE PAULA

Não fosse a idade e a motivação das praticantes, o texto acima descreveria o ritual de qualquer surfista que se preze antes de se entregar ao prazer de desbravar o oceano. Afinal, o surf é um estilo de vida, dizem eles. Nesta aula, no entanto, as cerca de 40 alunas têm entre 40 e 75 anos de idade. São, na maioria, donas de casa, moradoras do bairro, que levavam uma vida sedentária até encontrarem na atividade física uma aliada para superar os problemas de saúde.

O projeto de surf para mulheres da comunidade surgiu por iniciativa das agentes de saúde comunitária Ormiza de Lima e Maria José de Sousa. Nas visitas domiciliares pelo bairro, as duas encontravam pacientes com hipertensão arterial, diabetes, sobrepeso e problemas de autoestima. A recomendação do médico era uma só: praticar exercícios físicos.

Em fila, o grupo entra no mar para o aquecimento que antecede a prática do surf. Os exercícios trabalham o fortalecimento muscular, assim como a circulação e a respiração fotos: fabiane de paula e bruno gomes

De início, elas criaram um grupo de caminhada, até que, timidamente, em abril deste ano, quatro mulheres aderiram à proposta do surf como uma opção de vida mais saudável.

O número de senhoras, em pouco tempo, multiplicou-se por dez e a caminhada na praia acabou chegando ao mar. O projeto recebeu o apoio da Unidade de Saúde Frei Tito de Alencar por meio de uma equipe multidisciplinar do Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Os profissionais da saúde, todos voluntários, vão à praia após o expediente e as alunas são submetidas à avaliação médica a cada dois meses.

"Seja o surfe, a caminhada ou a hidroginástica, a atividade física regular impacta de forma positiva em vários aspectos para o envelhecimento ativo, trazendo equilíbrio, força muscular, marcha, auto-cuidado, qualidade do sono e da socialização, memória e bem-estar", afirma Tulia Garcia, fonoaudióloga pós-graduada em Gerontologia e especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Outros fatores, como educação continuada, grupos de convivência e cidades acessíveis também são importantes nessa fase da vida.

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