CONSCIENTIZAÇÃO

Segurança é negligenciada

23:14 · 23.04.2011
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POPULAÇÃO RELUTA EM USAR ITENS QUE SÃO FUNDAMENTAIS PARA PREVENIR CONTRA OS NEUROTRAUMAS

O capacete é, efetivamente, a única proteção do motociclista. Ao receber o impacto, é ele que sofre deformação, absorvendo toda a energia do trauma e evitando que chegue até o cérebro. Falar sobre a importância deste equipamento de segurança parece óbvio, mas não em se falando da realidade observada no trânsito do Ceará, onde a maioria dos condutores das mais de 818 mil motos não utilizam este item de proteção. No interior a realidade é ainda mais preocupante, pois é comum vê famílias inteiras (pais e duas crianças) equilibrando sobre duas rodas.

Infelizmente, a negligência e a pouca informação da população não são fatos isolados. "Trata-se de um problema mundial que atinge países com trânsito caótico", destaca o presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), Dr. Marco Túlio França. Informa que a incidência de neurotraumas tem crescido na mesma proporção no Brasil devido ao aumento na frota veículos, principalmente motocicletas. "Cerca de 50% dos casos de traumatismos cranioencefálicos são de acidentes no trânsito", destaca o presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), Dr. Marco Túlio França.

Embora as sequelas no cérebro e medula (decorrentes de acidentes com motos) variem de acordo com a intensidade do trauma, entre as mais frequentes estão as limitações motoras como as paralisias similares ao derrame cerebral, além das epilepsias. "Nos casos mais graves, a pessoa sobrevive em estado vegetativo, dependendo de aparelhos e da ajuda contínua de terceiros", informa o médico.

Visando incentivar a população a pensar sobre suas atitudes antes de executá-las, a ABN mantém o projeto Pense Bem, onde divulga pesquisas e apresentações de casos e depoimentos de vítimas, por meio de propagandas, folhetos e/ou realizando palestras em comunidades para prevenir acidentes, além de evitar traumas e sequelas, principalmente no cérebro e na medula.

Quedas e esportes

Entre os neurotraumas, as quedas ocupam a segunda colocação com 21% dos acidentes. "Os domésticos (envolvendo idosos) são um destaque especial, pois podem evoluir para traumas cranianos e coágulos que são detectados até seis meses após o acidente. Outro fato frequente é do indivíduo que cai em pé ou sentado, resultando em traumas na coluna e lesão na medula", explica.

No caso dos esportes, as modalidades que oferecem maior perigo aos praticantes são as de impacto como as lutas corporais onde golpes são disparados contra a cabeça do adversário. Outro que chama atenção é o mergulho, quando a pessoa salta de cabeça (ou em pé) em locais onde a profundidade é pequena, gerando traumas na coluna cervical e no crânio.

"A negligência com os equipamentos de segurança é um fator determinante em todos os aspectos do trauma, tais como não usar o cinto de segurança, capacete e cadeira de bebê para automóvel. No entanto, estes itens não são de uso regulamentado em muitas modalidades esportivas", destaca Dr. Marco Túlio.

No tocante ao serviço de emergência, o presidente da SBN diz que o Brasil vive hoje uma nova realidade, principalmente em relação a excelência no atendimento prestado pelos serviços de resgate do Corpo de Bombeiros no atendimento inicial ao politraumatizado. "O que falta em alguns locais, como se vê noticiado pela imprensa, é a disponibilidade de vagas em hospitais para o atendimento especializado.

Fique por dentro
Supera o AVC

O Traumatismo Crânio Encefálico (TCE) é um tipo de neurotrauma e uma das principais causas de mortalidade e morbidade (sequelas), sendo superado apenas pelo Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame.

O TCE é uma patologia preocupante, já que atinge jovens em fase produtiva (entre 15 e 24 anos) e, com maior ocorrência, no sexo masculino (cerca de 75%). Pacientes com TCE vão a óbito em 40% dos casos atendidos, sendo que, destes, 50% morrem no local. Segundo a SBN, as causas mais comuns do TCE são: acidentes automobilísticos (50%), quedas (21%), assaltos , agressões e armas de fogo (12%), assim como esportes e recreação (10%).

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