recipientes

Saber onde e como guardar é vital para adquirir bons hábitos

00:00 · 23.12.2013
Vidro, louça e aço inox são os recipientes mais indicados; cuidado com os feitos em madeira ou em plástico colorido

Mesa farta, família reunida, um brinde para celebrar. Nessa época de festas, a cena se repete e muita gente faz do que sobrou da ceia de Natal o almoço do dia seguinte. Entre tantas opções de recipientes - de plástico, vidro, metal, madeira - fica até difícil escolher qual é o material mais adequado para guardar as refeições já prontas.

Saber a melhor forma para conservar cada tipo de alimento torna-se, então, fundamental para preservar as características nutricionais de cada prato e não correr o risco de ingerir nada estragado.

Sobras do ´bem ´

Segundo Iramaia Bruno, nutricionista com especialização em vigilância sanitária de alimentos, mestre em Saúde Pública e professora do curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor), as sobras de alimentos podem ser aproveitadas se não ficarem muito tempo expostas à temperatura ambiente. Isso porque, nosso clima favorece a proliferação de bactérias e fungos (temperaturas abaixo de 60ºC para itens quentes e acima de 10ºC para os frios).

"Na hora da reutilização, os alimentos devem ser levados novamente ao fogo, garantindo que a temperatura passe dos 74ºC; devem ser bem aquecidos até que fiquem fumegantes. Já as sobras de saladas (que levam maionese ou outros ingredientes gordurosos) não devem ser utilizadas".

Para reaproveitar com segurança, o ideal é guardar as sobras logo após a exposição para o consumo, num intervalo de no máximo duas horas, e em recipientes adequados. Estes, por sua vez, devem estar limpos e vedados, diz a nutricionista Carolinne Reinaldo, mestre em Tecnologia de Alimentos e professora do curso de Nutrição da Unifor.

"E, para facilitar a limpeza e evitar que restos de comida fiquem depositados nos potes, a dica é optar pelos formatos mais arredondados", acrescenta a nutricionista. Mas quais recipientes são esses?

Conservar com segurança

Os recipientes mais indicados para conservar alimentos na geladeira ou mesmo em temperatura ambiente - no caso dos não perecíveis - são aqueles feitos de vidro, louça ou aço inoxidável.

Algumas tigelas de material plástico, à base de polietileno e silicone, também podem ser eficientes na conservação, mas é necessário ter cuidado com os demais tipos. Os plásticos comuns oferecem riscos por favorecer a multiplicação de micro-organismos e causar agravos à saúde.

Os menos adequados para os itens perecíveis e não perecíveis são os recipientes de madeira, uma vez que o material é biodegradável. "Isso significa que os micro-organismo existentes nos alimentos, no ar que fica depositado no interior do recipiente ou na madeira, vão se multiplicar, acelerando o processo de deterioração da comida", alerta Iramaia Bruno.

Com qualidade

Na escolha do recipiente correto, deve-se levar em conta a conservação dos alimentos em relação a três aspectos: a qualidade higiênico-sanitária, a sensorial e a nutricional. A primeira se refere a todas as práticas de manipulação, fabricação e conservação.

"Tais práticas devem oferecer segurança e evitar a contaminação, já que são elas que determinarão a inocuidade microbiológica, parasitológica e a relacionada a contaminantes físicos e químicos", diz a especialista em vigilância sanitária na área de alimentos.

A qualidade sensorial, por sua vez, diz respeito à garantia do sabor, odor e aparência específicos de cada produto. Já a qualidade nutricional diz respeito à garantia de preservação dos nutrientes.

As mais afetadas

A conservação deve ser suficiente para manter a qualidade em todos os aspectos citados. De um modo bem geral, a contaminação microbiológica e sensorial são as mais afetadas por falhas na conservação.

"Em relação aos recipientes domésticos de conservação em temperatura controlada (frio), no caso dos alimentos perecíveis (carnes, ovos, leite) e em temperatura ambiente (gêneros secos), existe uma grande variedade de materiais destinados a este fim", expõe.

Higiene em todo o processo

Os cuidados, no entanto, não se limitam às refeições já prontas. Começam no momento da compra, ainda no mercado, e se estendem à hora de guardá-los ao chegar em casa (ver infográfico). Lavar os recipientes com água corrente e detergente é importante para a higienização. "Os mais fáceis de limpar são os de vidro. Os de plástico precisam ser trocados com certa periodicidade, pois podem acumular cheiro e resíduos de alimentos", pontua Carolinne Reinaldo.

Crus, congelados ou aquecidos

Os alimentos crus devem ser conservados bem embalados. No caso de carnes e similares, o ideal é que sejam mantidos em seus invólucros originais, quando não estejam adulterados. "Quando há a necessidade de guardar em outras embalagens, é importante escolher aquelas que são mais resistentes, de material não poroso e de fácil higienização", destaca a professora da Unifor.

Cuidado: plásticos

Já para a conservação de comestíveis quentes ou congelados, recomenda-se o uso de tigelas ou outros vasilhames de vidro. Os recipientes de plástico, de acordo com a nutricionista Carolinne Reinaldo, exigem atenção redobrada, uma vez que os alimentos em contato com o plástico estimulam a liberação de toxinas próprias do material, a exemplo do bisfenol A.

"Assim, é determinante observar se os recipientes plásticos não têm essa substância e se a embalagem diz que pode ser colocado no micro-ondas ou ir para o freezer. Também deve se evitar plásticos coloridos para armazenar alimentos. A tinta usada no material pode liberar resíduos que contaminam", alerta.

Encaixados e enlatados

Abrir uma lata de atum, uma caixinha de leite condensado, e não consumir o conteúdo todo de uma só vez é uma situação um tanto comum. Uma vez abertos, os alimentos devem ser conservados fora da embalagem original, sendo transferidos para outros recipientes fechados.

Carolinne Reinaldo aconselha, ainda, a identificar todos os recipientes com canetas ou etiquetas que indiquem a data de abertura do produto.

"As latas possuem uma película protetora que entra em contato com a comida. Após aberta, pode ser que essa película se rompa e o alimento entre em contato com o metal", informa.

Carnes

A preparação de carnes também compreende peculiaridades que devem ser observadas com cuidado. Quando comprada refrigerada, o ideal é realizar logo os cortes na carne e só depois congelar, de preferência em porções individuais para evitar o desperdício. A tábua de corte mais adequada é a de vidro.

"Mas como às vezes é muito difícil de cortar carne nela, pode se utilizar a de plástico também. A tábua deve ser bem higienizada e recomenda-se que, uma vez na semana, coloque-a de molho em solução com cloro, para desencardir", acrescenta a mestre em Tecnologia de Alimentos.

FIQUE POR DENTRO

Vitaminas e sais minerais são sensíveis à luz

As perdas nutricionais acontecem durante o armazenamento, mesmo que se mantenham as melhores condições possíveis. Isso ocorre porque há alguns nutrientes, como as vitaminas e os sais minerais, que são muito sensíveis à luz, à temperatura e ao tempo de armazenamento.

"Alguns cuidados podem retardar estas perdas. Deste modo, os alimentos conservam-se mais sendo mantidos tampados, em recipientes adequados, higienizados corretamente e na temperatura abaixo de 10ºC ou abaixo de 4ºC no caso dos congelados", informa a nutricionista Iramaia Bruno.

No entanto, é importante atentar-se para o material do recipiente em que o alimento será guardado, pois o mesmo pode interferir positivamente nos hábitos alimentares de cada pessoa. "O motivo é que os recipientes que abrigarão os alimentos entrarão em contato com os mesmos e, portanto, devem estar totalmente limpos e serem de material resistente (vidro, louça ou inox), não poroso e de fácil higienização. Do contrário, eles acabam funcionando como meio de contaminação".

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