Capa

Restrição Calórica

00:00 · 25.11.2013

A restrição total ou mudanças bruscas nos hábitos alimentares não são sinônimo de saúde. A boa perda de peso é aquela consciente, onde se tenha liberdade para aderir a um plano de educação nutricional

A busca pelo corpo idealizado como meio para felicidade tem extrapolado os limites da saúde e qualidade de vida. Dietas se tornam sinônimos de restrições, fome, sacrifícios e dissabor. Tudo em nome da boa forma e da rápida perda de peso.

Açaí, carne de soja e granola possuem baixo valor calórico mas são nocivos à perda de peso FOTO: AGÊNCIA DIÁRIO

No entanto, mudanças abruptas na alimentação trazem inúmeras consequências ao organismo, já que alteram seu metabolismo e seu funcionamento normal, levando à perda de massa magra, à flacidez, à constipação e ao mal-estar.

De olho no metabolismo

Segundo as nutricionistas Elizabeth Yum e Claudine Cezário, especialistas em nutrição clínica e esportiva, mestres em saúde pública, o comportamento ainda pode gerar indisposição diária, levando indivíduos a comer menos, reduzirem o tempo de lazer por não quererem se alimentar fora de casa, e a dificuldade no processo de emagrecimento posteriormente.

As sócias da Nutri Liz (Um novo conceito de nutrição) garantem que o resultado é o que conhecemos como efeito sanfona, ou seja, o ganho novamente de peso e uma maior dificuldade em perdê-lo gradativamente. Alimentar-se dessa forma pode ser considerado como um ´crime metabólico´, condição caracterizada pela mudança extrema dos hábitos alimentares e, consequentemente, do metabolismo.

"Métodos muito restritivos geram uma verdadeira ´prisão dietética´, pois ao reduzir o metabolismo, o organismo fica mais susceptível ao armazenamento de gordura como mecanismo de sobrevivência, reduzindo a liberdade alimentar em comer o que quiser e comprometendo a vida social", diz Claudine Cezário.

Não radicalizar

Alguns indivíduos optam pela ´privação total´ de determinados alimentos, como é o caso do sódio e do açúcar. Mas, para Elizabeth Yum, os itens ricos em gordura saturada, sódio, açúcar, conservantes e bebidas alcoólicas não precisam ser abolidos completamente.

"A restrição total não é sinônimo de saúde, pois interfere no convívio social e dificulta a dieta à longo prazo. O dano está na frequência e na quantidade do que é consumido e na proteção do organismo, que será reflexo da alimentação e do estilo de vida", afirma Elizabeth Yum

Manter uma alimentação saudável não significa necessariamente abrir mão dos sabores dos alimentos, da vida social, das guloseimas e da praticidade, dedicando-se apenas a comer produtos orgânicos, funcionais, shakes, vegetais e sementes.

É preciso, sim, moderação, organização, bom-senso e planejamento além de acompanhamento do nutricionista.

Afinal, nem tudo que é considerado saudável é benéfico ao processo de emagrecimento. Alimentos com baixo valor calórico podem ser altamente nocivos e contraindicados para a perda de peso.

São exemplos típicos as sopas em pó, chocolates e refrigerantes da linha diet, presuntos, alguns tipos de iogurtes, mel, granola, açaí, biscoitos e ´carne´ de soja.

Alguns deles apresentam muito sal, açúcar ou carboidratos, prejudicando a dieta alimentar que visa a redução de peso. "A carne de soja, por exemplo, é um tipo de feijão, apresenta muito carboidrato diferente de carnes de origem animal, o que compromete o processo", explica Claudine Cezário.

Metas dietéticas

É fato que não existe uma dieta perfeita, já que cada pessoa possui suas particularidades. Mas o correto, segundo Elizabeth Yum, é estabelecer um plano de educação nutricional, pois só assim haverá uma mudança real e efetiva dos hábitos alimentares, sem sacrifícios a longo prazo. "A educação nutricional se baseia em metas dietéticas e não em metas de peso, visando o bem-estar, o autoconhecimento e a alegria de viver. Muitas pessoas acham que serão felizes apenas quando forem magras, mas a felicidade independe da forma física e sim da saúde e autoaceitação.

Livre escolha

Deve-se buscar a liberdade alimentar, definida pelas nutricionistas como estar livre para escolher o alimento, poder comer o que quiser sem alterar o peso e a composição corporal, tendo vida social e prazer na alimentação. Tal condição pode ser conquistada por meio de um acompanhamento nutricional sistemático que promova educação nutricional, melhorando metabolismo, conferindo mais saúde e bem-estar a curto e longo prazos.

"Tudo depende da adesão às recomendações e dos danos metabólicos causados no passado. Esse processo favorece escolhas mais interessantes, promove liberdade alimentar, conscientizando as escolhas e dando autonomia ao paciente para elaborar sua própria dieta com o tempo. Quando há eficiência metabólica é possível comer brigadeiro, pizza, sanduíche e continuar com o mesmo peso", concluem.

VICKY NÓBREGA
ESPECIAL PARA O VIDA

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.