processo terapêutico

Relação afetiva com os cães influi na saúde

00:00 · 30.09.2013
O vínculo de afeto criado entre as idosas da Casa de Nazaré e as cadelas Aninha e Lua estimula e reconstrói múltiplas relações, das mais simples as mais complexas. Desde o início do projeto Terapia Assistida por Animais, a convivência foi aprimorada de forma a melhorar a qualidade de vida das idosas.

Dia Internacional do Idoso : a evolução física e cognitiva das idosas é visível com a ajuda da , assim como uma melhora no quadro de depressão. A alegria dos cães torna o clima do ambiente mais leve foto: Waleska Santiago/agência diário

"Apesar de morarem juntas, muitas idosas não se conheciam e poucos eram os laços afetivos. Ao participarem juntas das atividades, foi possível estreitar os vínculos de amizade entre elas e reconstruir um forte senso de companheirismo", destaca a psicóloga Ingrid Coelho.

Noções de higiene

E por que não aproveitar o espaço para resgatar os cuidados com a saúde e a beleza? A partir das necessidades particulares de cada idosa, as voluntárias reproduzem - com a ajuda das cadelas - situações do cotidiano, seja lembrando que elas precisam tomar a medicação na hora certa, tomar banho com frequência ou mesmo utilizar a fralda geriátrica.

Para conseguir a adesão das idosas assistidas na Casa de Nazaré, os voluntários contam com a ajuda direta de Aninha e Lua. "Pedimos que elas penteiem as cadelas para lembrarem que também é preciso cuidar bem da aparência. Tudo é pensado para fazê-las perceber que é importante ter esse cuidado, além de desmistificar ações do cotidiano inerentes às limitações que chegam com a terceira idade", diz Ingrid.

Mais qualidade

Antes do projeto ser colocado em prática, as idosas foram consultadas sobre a afinidade com os animais e quais precisavam de maiores estímulos para adquirir autonomia e melhorar a autoestima. É o caso de Maria Railda de Oliveira, 65 anos, que participa ativamente das aulas. "É bom, pois nos aproximamos das amigas e isso traz muita alegria. A gente passa a manhã brincando, se divertindo e esquecendo dos problemas. Eu gosto muito de cachorro e, se pudesse, criava um também".

Para Maria do Socorro Costa e Silva, 83 anos e há 14 residente na instituição filantrópica, a terapia significou maior qualidade de vida. "Me sinto mais acolhida. Viver de solidão é muita ingratidão para o idoso e as cadelinhas nos dão prazer de viver. No dia que elas vêm é uma animação muito grande".

A psicóloga Ingrid Coelho salienta que, a cada semestre, o grupo de idosas é submetido a avaliações clínicas para dimensionar as melhorias obtidas com a participação no projeto. Os resultados dos testes psicológicos, a exemplo da medição de escala da depressão, atestam os benefícios e auxiliam no planejamento das próximas atividades.

"Após a prática da terapia assistida por cães, observamos uma melhora significativa nos quadros de depressão, além de progressos no campo da memória e da orientação temporal e espacial", ressalta a psicóloga.

Márcia Correia Marques, assiste social da Casa de Nazaré confirma o quadro (qualitativo e satisfatório) de evolução física e cognitiva de cada idosa. "Algumas tinham muita dependência em utilizar bengala e hoje não mais. Elas conseguem se equilibrar e se sentir mais seguras. E isso implica na autonomia e na independência, aspectos fundamentais para o envelhecimento saudável", confirma.

Cuidado com os cães

Mas nem todos os cães são capacitados para serem facilitadores no processo terapêutico. É preciso que o dono observe o temperamento do animal e ainda aperfeiçoe seus conhecimentos acerca das técnicas do tratamento.

Segundo Narriman Borges, condutora e adestradora de cães terapeutas, os cães precisam receber um treinamento especial. Não se trata de um adestramento, visto que eles também precisam usufruir da atividade de maneira prazerosa", atenta.

É por esse motivo que Narriman Borges utiliza duas de suas cadelas: a Aninha, para atividades mais agitadas, enquanto a Lua participa daquelas que exigem menor esforço. Apesar de empenharem papeis diferentes, as duas são essenciais para alcançar os benefícios como um todo.

"Quando trazemos as cadelas, o ambiente se transforma e fica mais descontraído. Os exercícios são bem desempenhados, pois se a cabeça das idosas está bem, o corpo também flui bem", avalia.

Para que os cães possam atuar como terapeutas, os cuidados veterinários são indispensáveis, principalmente quanto à higiene. Elas fazem a retirada de resíduos dentários (tartarectomia) e tomam banho antes de cada sessão de terapia. Além disso, as cadelas sempre estão com o calendário de vacinação e a vermifugação em dia, tudo para não comprometer os bons resultados da terapia e tornar cada novo encontro um momento lúdico e único na vida das idosas.

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