Fobia

Refém do medo excessivo

00:58 · 02.07.2013
Transtorno psicológico, a fobia de animais deve ser tratada para evitar prejuízos profissionais, sociais e familiares

Suar frio e ter palpitações a menor possibilidade de se deparar com uma barata no ambiente. Paralisar ante o medo de uma aranha ou morcego. São algumas reações a que todos nós estamos sujeitos, mas que são potencializadas em indivíduos que sofrem de fobia, seja de animais peçonhentos ou domésticos.

Entre as mais frequentes, estão as fobias de cobras (como a de Sarah Carvalho, estudante de Veterinária), assim como aranhas e sapos, e até mesmo de gatos e cachorros, explica o psicólogo Leon Lopes FOTO: FABIANE DE PAULA

A fobia se caracteriza pelo medo elevado, que incapacita ações e produz reações emocionais intensas, descontroladas ou mesmo paralisantes. O medo torna-se um estado fóbico quando é excessivo, a ponto de causar prejuízos profissionais, sociais e familiares.

"O fóbico pode deixar de sair à noite por ter medo de morcegos; de ir ao sítio por temer sapos e rãs ou de andar na rua com medo de pombos e pardais. Tais privações fazem com que essa pessoa se torne refém do medo. Quando ela se expuser a novos ambientes, o medo pode aumentar e levá-la a evitar mudanças na rotina", diz o psicólogo Leon Vasconcelos Lopes, especialista em hipnose clínica e mestre em Saúde Coletiva.

O comportamento fóbico, na maioria dos casos, não é o principal problema, mas os motivos que levaram ao surgimento de tal fobia é que devem ser analisados. "Um paciente que desenvolveu uma fobia na época em que os seus pais estavam se separando, ou após a perda do emprego, pode indicar que surgiu como um problema secundário", explica. Por esse motivo, antes de iniciar qualquer tratamento, é necessário realizar uma análise funcional e identificar a origem de tais transtornos.

Apesar das estimativas indicarem que uma em cada dez pessoas apresenta algum tipo de fobia (entre elas, a fobia animal), a busca por tratamento é pequena quando comparada a outros transtornos. O motivo mais frequente é a facilidade que o fóbico tem em evitar os cenários onde se encontram os desencadeadores de suas fobias, como aranhas, cobras, baratas e morcegos.

"O simples fato de as pessoas não sofrerem constantemente fazem com que desconsideram qualquer tipo de tratamento, não vendo a fobia como doença", destaca o psicólogo.

Não adiar o tratamento

A estudante Tativianna Ribeiro tem ofidiofobia (fobia de cobras) e acredita que tal medo surgiu na infância. Além do pavor de contato, ver imagens faz com que ela sinta asco pelas feições, pele e movimento do animal. Conta que já deixou de frequentar as aulas práticas de biologia que envolviam répteis por medo de deparar-se com a espécie.

"Evito qualquer coisa que me faça lembrar desse bicho. É a melhor forma de controlar o pavor", relata. Por acreditar que a fobia não afeta tanto o seu cotidiano, optou por não buscar tratamento.

Para Leon Vasconcelos, adiar o tratamento da fobia é se tornar refém do medo, deixando a pessoa ainda mais vulnerável em situações que não podem ser previstas.

"Na maioria dos casos, o tratamento das fobias animais é breve. Quanto mais cedo buscar ajuda profissional, melhor irá sentir-se e poderá usar este aprendizado para enfrentar outros desafios na vida".

Hipnoterapia

Uma das técnicas que auxilia no tratamento de fobias é a hipnoterapia (hipnose clínica), recurso terapêutico que modifica o comportamento do indivíduo fóbico, facilitando o autocontrole. "O tratamento consiste em obter a inibição parcial da resposta de medo, produzindo uma reação mais equilibrada. Com a hipnose, o paciente aprende a controlar mais rapidamente as suas respostas, abreviando a terapia", esclarece.

A hipnose clínica é uma técnica médica coadjuvante em tratamentos nas áreas médica, odontológica e da psicologia. Uma de suas vantagens é a humanização que, adicionada ao tratamento, promove a redução da inclusão de medicamentos, além de motivar o paciente a tornar-se sujeito ativo na superação de suas limitações. "A hipnose, por si só, não garante a melhora, mas fornece um leque de ferramentas para a terapia. Utilizada por um bom profissional, incrementa, e muito, o trabalho terapêutico", pontua. Há também a disponibilidade de ampla literatura científica, permitindo ao clínico pesquisar por casos tratados mundialmente.

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