CONSCIÊNCIA

Reconhecer as individualidades

02:27 · 04.12.2011
( )
As necessidades individuais de cada pessoa são observadas. Tal conduta aumenta a autoestima e a dignidade
As necessidades individuais de cada pessoa são observadas. Tal conduta aumenta a autoestima e a dignidade ( Divulgação )
Terapia ocupacional trabalha a tomada de decisões para o bem-estar coletivo e a inclusão social

Cada pessoa pode ser um ator de modificação da realidade. Baseado nesse princípio, a terapia ocupacional procura despertar uma consciência crítica sócio-histórico-cultural na busca pela inclusão social.

De acordo com Marilene Calderaro, terapeuta ocupacional e Doutora em Ciências da Saúde, a inclusão social tem se tornado alvo de discussões nas mais diferentes situação, desde conversas informais à estruturação de políticas públicas. "É preciso pensar que a inclusão social surge como necessidade a partir do reconhecimento de que existem pessoas excluídas", afirma.

Garantia dos direitos

Segundo Marilene Calderaro, a exclusão social contraria a Carta Internacional dos Direitos do Homem, que é constituída pela Declaração Universal dos Direitos Universais, pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. Amparada pelos pilares da não discriminação, da criação de políticas ativas e da participação, o documento foi escrito na tentativa de combater a privação de acesso, de direitos, de participação e de cidadania, o que caracteriza a exclusão social.

A partir do momento em que pensa nas pessoas e grupos como agentes que podem transformar a própria realidade, a terapia ocupacional atua na inclusão social de maneira que se pode identificar as ações do cotidiano que geram resultados positivos para o indivíduo e para a sociedade, contribuindo, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida.

Respeitar a diversidade

A terapia ocupacional leva em consideração que preocupar-se com a coletividade inclui o respeito às perspectivas individuais, observando que cada pessoa possui suas necessidades específicas. O terapeuta ocupacional desenvolve as dimensões técnicas e políticas buscando estratégias que possam incluir as pessoas a partir das demandas únicas de cada uma delas, garantindo assim oportunidades iguais para todos.

"Reconhecemos que a exclusão social envolve os âmbitos cultural, econômico, ambiental, político e social, e que estes se encontram interligados. Seria ingenuidade acreditar que é simples propor estratégias para incluir os que se encontram em situação de desvantagem social", afirma Marilene. De acordo com a terapeuta, a proposta da terapia ocupacional é voltada para o empoderamento das pessoas e comunidades na busca de soluções, ou seja, de exercer um poder de decisão de forma cooperativa. O terapeuta ocupacional já é considerado um mediador do resgate da dignidade, autoestima, identidade cultural, história individual e comunitária, auxiliando em questões como a compreensão do cotidiano, nas ações para organizar e potencializar a participação social de pessoas com necessidades especiais, minorias raciais, de gênero e linguísticas, e em situações de vulnerabilidade social.

Aprender com consciência

Por ser o local onde as crianças e adolescentes permanecem por mais tempo durante o dia, a escola é um dos espaços mais comuns na atuação do terapeuta ocupacional, buscando estabelecer a interface com a educação e a saúde. De acordo com Marilene Calderaro, a influência do ambiente escolar na vida é fundamental para promover o empoderamento da comunidade escolar, que já se encontra inserida num contexto social, compartilhando dos seus desafios e lutas sociais. O direito de escolas bilíngues para minorias linguísticas como os surdos ou os indígenas, por exemplo, garantem a convivência com as outras pessoas e a apropriação cultural.

A partir do reconhecimento das particularidades culturais , o terapeuta ocupacional atua no estímulo ao exercício da cidadania por parte da população. "Ele constitui equipes da Estratégia Saúde da Família, atuando na Saúde Coletiva visando a inclusão social e, em alguns Estados brasileiros, tem sido incluído na área da Assistência Social. Nessa perspectiva, atua em Unidades Básicas de Saúde , domicílios, comunidades, creches, escolas, brinquedotecas, centros comunitários, espaços urbanos e instituições penais", relata Marilene.

O terapeuta ocupacional trabalha no sentido de ampliar as redes sociais e de suporte aos indivíduos e comunidades excluídas socialmente. Dessa maneira, procura diminuir o impacto dos fatores que causam a vulnerabilidade e fragilizam a população em desigualdade social, considerando a história e a cultura individual e coletiva.

Mais informações

Terapia Ocupacional no Núcleo de Atendimento Médico Integrado, todas as quintas-feiras, a partir das 14hs. Telefone: (85) 3477-3657

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.