Podologia

Quando os pés indicam ocorrência de doenças

00:50 · 04.06.2013
Cabe ao podólogo realizar o exame Índice Tornozelo Braquial, que detecta a presença de neuropatia e isquemia

Que os pés desempenham função essencial de sustentação do corpo, todo mundo já sabe. Mas nem sempre eles recebem a devida atenção, mesmo sendo alvo de diversos danos. Por isso, os cuidados não devem se restringir ao campo da estética, já que alterações na base podem indicar problemas mais graves que vão muito além de calos, joanetes e unhas encravadas.

Exame Índice Tornozelo Braquial (ITB) avalia o nível de isquemia, relacionando a pressão arterial sistólica dos tornozelos e do braço FOTO: JL ROSA

A fim de auxiliar nesses cuidados, existe a Podologia, área que trata da anatomia e da fisiologia dos pés. São os podólogos que recebem formação para detectar problemas que acometem os pés, como é o caso da neuropatia e da isquemia, complicações muitas vezes decorrentes do diabetes tipo 2. Segundo a podóloga Gláucia Alves, graduada pelo curso recém-criado na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, o trabalho desse profissional é buscar prevenir que pequenas complicações evoluam para quadros de maior complexidade.

Entre esses casos estão os pacientes diabéticos, normalmente sujeitos a problemas no sistema circulatório, uma vez que as altas taxas de glicose no organismo (devido à deficiência na produção de insulina) tornam o sangue mais viscoso causando a isquemia crônica. "O sangue é impedido de circular com eficiência na área dos pés. Assim, as terminações nervosas não são regadas, sendo esta uma das principais causas de amputação do membro (pé diabético)", diz.

Como detectar

A prevenção pode ser realizada com exames de rotina. Um deles é feito com o monofilamento, instrumento levemente pontiagudo que, em contato com pontos específicos do pé, identifica o grau de sensibilidade na região.

Outro item utilizado é o diapasão neurológico, dispositivo metálico que, em contato com a superfície da pele, mede a sensibilidade vibratória. "Se o cliente não sente a ação dos aparelhos, o podólogo identifica que a sensibilidade na região está reduzida. Quando conseguimos mostrar para a pessoa que existe essa falta de sensibilidade, ela passa a ter mais cuidado e evitar o surgimento de lesões", salienta a podóloga.

Testes realizados com o monofilamento (esquerda) e o diapasão (direita) podem ser feitos por um podólogo. O objetivo é detectar problemas que acometem não somente os pés, mas o corpo como um todo Foto: JL ROSA

Tornozelo braquial

Um exame que é costumeiramente utilizado por clínicos gerais chega ao mercado para auxiliar no diagnóstico de determinadas doenças. Trata-se do Índice Tornozelo Braquial (ITB), que avalia o nível de isquemia, relacionando a pressão arterial sistólica (máxima) dos tornozelos (direito e esquerdo).

Atualmente, esse teste é realizado por meio de um aparelho que, acoplado a um programa de computador, garante 98% de exatidão no resultado. Entretanto, Gláucia Alves diz que o método deve ser empregado apenas por podólogos com formação acadêmica para tal, uma vez que é necessária uma orientação específica para a sua aplicação.

"A maioria dos podólogos atuantes no mercado possui nível técnico. Eles não estão devidamente habilitados a fornecer esse exame, embora possam identificar os problemas por meio de testes simples ou observando outros indícios claros, como pé frio, baixa pulsação e ausência de pelos nos pés, características de que o indivíduo sofre de deficiência circulatória", informa a podóloga.

O exame ITB é indicado para pessoas acima de 50 anos, fumantes, etílicos, com sobrepeso, que tenham problemas circulatórios ou que relatem dores nas pernas. "São testes não invasivos, que agilizam o processo de encaminhamento a um médico especialista", acrescenta Gláucia Alves, que enfatiza a importância da parceria entre médicos e podólogos.

Cabe ao podólogo averiguar a ocorrência de outras patologias, como as relacionadas à estrutura óssea (a mais frequente é o surgimento de calos). Devido ao incômodo, a pessoa tende a pisar de forma incorreta, ocasionando desequilíbrio no corpo como um todo, assim como lesões na coluna e dores de cabeça.

Outro problema frequente analisado pelo podólogo é o cumprimento desigual das pernas. Mesmo uma diferença mínima faz com que o peso do corpo não seja dividido corretamente, causando uma sequência de disfunções.

Profissão

A Associação Brasileira de Podologia pretende reorganizar as tarefas da profissão, principalmente em relação à regulamentação. O objetivo é profissionalizar a atividade, sejam os podólogos técnicos ou graduados.

"Em Fortaleza, muitos profissionais ainda trabalham totalmente voltados para a área estética, enquanto alguns sequer possuem formação. É preciso ir além e fazer com que todos tenham mais conhecimento, levando informação ao seu cliente e, quando necessário, conduzindo-o ao médico", destaca Gláucia Alves.

Por isso, a podóloga chama atenção para a necessidade do cliente ficar atento quanto ao local onde será realizado o atendimento, à formação do profissional que cuidará dos seus pés, além de observar se o material utilizado é adequado e devidamente esterilizado. "É preciso cuidar dos pés com atenção e buscar o bem-estar. Quando se cuida dos pés, se tem a sensação de que cuidou do corpo inteiro", finaliza Gláucia Alves.

"Quando o cliente não consegue sentir a ação dos aparelhos é sinal que a sensibilidade do pé está reduzida"
Gláucia Alves
Podóloga

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