RELAÇÃO

Quando as emoções falam mais alto

22:32 · 17.12.2011
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Muitas vezes, são os sentimentos que dominam o ato de comer
Muitas vezes, são os sentimentos que dominam o ato de comer ( )
Mais do que nutrir, a alimentação está extremamente ligada aos nossos sentimentos

Há lembranças que dificilmente saem da nossa mente, principalmente as que envolvem odores, texturas e sabores. Quando passamos em frente à uma padaria e sentimos o cheirinho de bolo de laranja igual ao que a avó fazia na infância, a primeira reação é parar e correr para comprar o tal doce no mesmo instante. Esse é, porém, apenas um dos inúmeros exemplos que podemos citar ao pensarmos no quanto a alimentação está ligada às nossas emoções e vice versa.

Segundo a professora do curso de Ciências da Nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor) e doutoranda em Nutrição e Saúde Pública pela FSP/USP, Sara Moreira Lima Verde, a relação emocional dos humanos com o alimento começa cedo, ainda na infância. O contato do bebê com a mãe durante a amamentação é fundamental não só no que diz respeito ao aspecto nutricional, como também pela sensação de proteção e pelo vínculo afetivo.

"Quando crianças, precisamos de um ambiente saudável no horário das refeições; sem desentendimentos familiares ou pressões para comer. Se somos obrigados a ingerir vegetais, certamente a resistência a esses alimentos será maior, pois o consumo será associado a momentos de estresse e tensão", explica a nutricionista.

Por outro lado, podemos ter lembranças deliciosas, como os já citados doces preparados pela avó, que geralmente estão relacionados a um ambiente mais acolhedor onde "se pode tudo" e no qual são oferecidos os alimentos que mais apreciamos.

Para celebrar

É comum relacionarmos o consumo de alimentos a momentos de confraternização, alegria e, até mesmo oferecermo-los como presentes - nesse caso os chocolates são os campeões. Isso ocorre porque as refeições geralmente são momentos desfrutados com pessoas que amamos e que, muitas vezes demonstram esse sentimento nos oferecendo um bom jantar.

Certamente, uma das melhores lembranças do Natal vêm da deliciosa ceia que costuma enfeitar as mesas durante a festa. "Todas as confraternizações, sem exceção, acontecem ao redor de uma mesa. É impossível desvincular a comemoração do consumo alimentar, pois isso reforça os aspectos sociais e emocionais do consumo de alimentos.

Durante esses momentos, sempre queremos oferecer o que temos de melhor e é pela comida que conseguimos fazer isso. Fazer um bom banquete significa dizer: ´estou feliz com você aqui. Obrigado por dividir essa alegria comigo", afirma Sara Moreira.

Há momentos, no entanto, em que a forte relação que construímos com a alimentação pode ser danosa à saúde. A já citada pressão que permeia o instante em que nos alimentamos durante a infância pode ser um deles.

Para compensar

Muitas vezes, por diversos motivos, são os sentimentos que dominam o ato de comer. É aí que comemos compulsivamente, por pura ansiedade e descontrole emocional. Ou mesmo, podemos perder a vontade de comer por estarmos tristes.

"Todos os aspectos emocionais que envolvem a alimentação precisam ser trabalhados para que ela não entre no caminho do exagero e torne-se uma inimiga", diz a especialista. Para ela, é fundamental ter equilíbrio nas escolhas alimentares e nas quantidades consumidas para manter a saúde. Esse equilíbrio, para algumas pessoas é mais difícil de ser atingido, e por isso, precisam de ajuda para não deixar que o aspecto emocional se sobreponha a traga prejuízos e evoluir para uma compulsão alimentar ou anorexia.

ANAMELIA SAMPAIO
REPÓRTER

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