Deusas/lobas

Psicodroma promove o encontro com a essência

00:38 · 23.07.2013
É comum ouvir queixas femininas acerca de ansiedades, tristezas crônicas, lutos mal curados, depressões, dores da alma. Há mulheres que passam décadas cultivando, voluntariamente ou não, problemas carregados durante uma vida inteira. Pior: não é raro elas serem incompreendidas e ouvirem de amigos e familiares que tudo não passa de fase.

A psiquiatra Marilena Queiroz coordena o Grupo para Deusas em Fortaleza Foto: Lucas de Menezes

Mas o universo que se esquiva por trás dessas questões é bem maior do que uma simples insatisfação ou um período difícil. Para atender a esse público de forma profunda e, ao mesmo tempo, delicada, o Grupo para Deusas e Lobas utiliza o psicodrama com o intuito de promover a auto-cura, o auto-conhecimento e a transformação interior.

O grupo surgiu a partir da necessidade de atender a queixas expressas em atendimentos individuais com a psiquiatra e psicodramatista Marilene Queiroz, que atua na área há mais de 30 anos. "O drama, como ação existencial, antes de ser individual, é fruto de uma ação coletiva. Quando o trabalho de auto-cura ocorre com a partilha, em grupo, a pessoa percebe que não produziu aquele conteúdo sozinha. Nada mais coerente do que trabalhar isso de forma partilhada".

No grupo, isso não é feito de forma teórica. A base do curso, que atualmente dura nove meses, é a vivência, a prática. Tanto que, nos encontros (dois por mês, além de três imersões de um fim de semana cada), as mulheres interagem através do desenho, arte terapia, teatro espontâneo, música, meditação, bioenergética, exercícios de respiração e outras técnicas que frisam a troca de diálogos e de experiências.

Como explica Marilene Queiroz, as atividades têm como base a espontaneidade e criatividade. Há razão para isso. "Um dos sinais da dor é a perda da capacidade de criar. Trabalhamos com o ato criador para a mulher encontrar seus caminhos. A beleza do grupo consiste nisso: ele é uma ferramenta de transformação".

O Deusas e Lobas é aberto para mulheres a partir de 18 anos, sejam tímidas, desinibidas, estudantes, profissionais, donas de casa. A crença não importa. "Se você estiver com o coração e a mente abertos para as vivências, é impossível sair da mesma forma que entrou. A transformação em deusa, em loba é porque temos uma nova perspectiva do que nos cerca e do que somos. As experiências são para nosso autoconhecimento", diz a universitária Clarissa Ferreira, 25 anos.

Na opinião dela, as mulheres chegam ao grupo com dores, traumas e, ao longo dos encontro, transformam as experiências em aprendizado. "É renovador, inspirador, chega a ser espiritual. Não no sentido religioso, mas do tipo conhecer a alma", considera a estudante. A próxima turma do Deusas e Lobas começa dia 10 de agosto, na Matriz Criativa (3264-7073).

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