Pronta para ser mãe

00:00 · 23.12.2013
Apoio psicológico é essencial no puerpério, fase onde a mulher vivencia mudanças físicas e psíquicas e que tendem a influenciar a vida do bebê

Às mães de primeira viagem e até mesmo àquelas já "viajantes", a amamentação é um aspecto que precisa de preparação para que ocorra da forma ideal. Mas isso não se resume apenas ao bebê, afinal questões psicológicas demandam intensamente da mãe nesse processo.

Geralmente, as preocupações da gestante se voltam para o enxoval, a decoração do quarto, o nome do bebê, mas um acompanhamento psicológico pode garantir uma gestação, um parto e um puerpério menos estressante e mais participativo. "Elas terão oportunidade de obter mais informações sobre si mesmas, sobre as dificuldades e como administrá-las de forma a possibilitar um início de vida saudável para o bebê e um puerpério mais tranquilo", afirma Flávia Soares Parente, mestre em Psicologia, especialista em Psicologia e Práticas de Saúde e psicóloga da Bios - Centro de Medicina Reprodutiva, e da Clínica Evangelista Torquato.

Ato de entrega, troca

A amamentação é um dos aspectos que mais exige a disponibilidade da mãe, mas também lhe traz uma satisfação única. Segundo Flávia Parente, há comprovações científicas de que o ato em si amplia o envolvimento afetivo entre mãe e filho. "Psicologicamente, ocorre uma redução do efeito traumático da separação provocada pelo parto. Portanto, não é apenas um processo fisiológico, pois envolve um padrão abrangente de comunicação psicossocial.

É por meio deste contato que a criança se relaciona com o mundo, permitindo-se novas experiências, pois é deste contato corporal que constitui a origem do bem-estar, segurança e afetividade.

No entanto, Flávia também ressalta que muitos serão os fatores que influenciam a desistência da mãe (dores, ferimentos, inflamações, horários, dependência, trabalho, etc.) e enfatiza que, muitas vezes, o medo de "ficar presa" torna a experiência da amamentação algo assustador para algumas mulheres.

O fato é que muitas mães não conseguirão amamentar seus bebês por inúmeros fatores, e isso tem que ser aceito, elaborado por elas e pelos que a cercam, para compreender esse fato sem trazer julgamentos e sentimentos de fracasso. "Outros aspectos podem proporcionar a afetividade e o envolvimento entre mãe e filho como a linguagem materna, o olhar nos olhos e os atos de amor direcionados a esse bebê. O mais importante é que esse ato seja prazeroso aos dois, tanto a amamentação quanto os outros momentos. Não é porque o bebê não está sendo amamentado que ele terá consequências psíquicas por essa falta de contato com o leite materno", destaca.

Múltiplas sensações

O processo de aleitamento materno em um ambiente familiar favorável encoraja a mãe, tornando possível uma melhor amamentação. Para Flávia Parente, as emoções afetam a lactação por meio de mecanismos psicossomáticos específicos. Calma, confiança e tranquilidade favorecem um bom aleitamento, enquanto medo, depressão, tensão, dor, fadiga e ansiedade tendem a provocar o fracasso.

Inadequações

A psicóloga reforça que atitudes críticas, desencorajadoras e pouco confiantes por parte dos parentes e amigos da puérpara, especialmente no que se refere à sua capacidade de amamentar ou à qualidade benéfica do seu leite, costumam gerar insegurança e frustração na mãe. Diante da mensagem passada pelos familiares de sua inadequação como mãe, a mulher acaba gerando emoções negativas que podem inibir a lactação e até prejudicar outras funções maternais, comprometendo o estabelecimento de uma ligação boa e tranquila entre mãe e filho.

"O fato de a mãe estar cercada de pessoas que conseguem ajudá-la e apoiá-la, sem desqualificar suas capacidades de cuidar do bebê, os sentimentos de autoconfiança e satisfação emocional aumentam. Consequentemente, a produção de leite é satisfatória".

Vicky Nóbrega
Especial para o Vida

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