REALIDADE

Prevenção de AVC e da fibrilação atrial

19:54 · 01.10.2011
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As mulheres merecem uma atenção especial, principalmente porque negligenciam os sintomas do AVC
As mulheres merecem uma atenção especial, principalmente porque negligenciam os sintomas do AVC ( Arquivo )
Atingindo 1 milhão e 300 mil pessoas no Brasil, a fibrilação atrial pode ampliar os casos de AVC

A fibrilação atrial (FA) é um distúrbio que define o local e a natureza de um tipo específico de arritmia, que costuma acometer pessoas acima dos 70 anos, não sendo computados casos abaixo da faixa dos 50.

Na FA, o ritmo nos átrios aumenta para 300 a 600 batimentos por minuto, equivalendo a seis vezes mais que a frequência cardíaca normal. Se não for tratada, pode levar ao enfraquecimento do músculo cardíaco. Isso porque, ao longo do tempo, o coração se dilata, fica com as paredes mais finas e apresenta maior dificuldade de contração e bombeamento do sangue. Esta condição, conhecida como insuficiência cardíaca, trata-se de uma causa potencial de óbito.

As pessoas com fibrilação atrial também apresentam maior risco de derrame. Como as câmaras do coração não são esvaziadas eficientemente, o sangue corre o risco de se acumular e, às vezes, coagular-se. Se um coágulo nos átrios se rompe, ele pode percorrer as artérias até o cérebro, causando um derrame.

De acordo com o Dr. Manesh R. Patel, cardiologista e professor assistente da Duke University Medical Center, na Georgia (EUA), cerca de 20% dos AVCs ocorrem em decorrência da fibrilação atrial. Sendo que o acidente vascular cerebral causa danos ao cérebro e pode resultar em incapacidade física e comportamental, ou mesmo a morte. "Pessoas com FA correm um risco cinco vezes maior de AVC em comparação com a população em geral", alerta o cardiologista.

Hipertensão arterial

Em seguida, o médico alerta que tal distúrbio está associado à hipertensão arterial, aterosclerose, doença coronariana e outros tipos de ocorrências cardíacas, além de defeitos congênitos do coração e doenças pulmonares crônicas. A FA também pode ser causada por diabetes, hipertireoidismo e estresse. Apesar dos diversos fatores de risco poderem ser controlados por mudanças no estilo de vida, a idade chega para todos. Se tiver 50 anos ou menos, a chance de fibrilação atrial é de uma em cada 100 pessoas, mas aos 80 anos, esse número aumenta em 10 vezes para uma em cada cem pessoas.

O problema é que grande parte dos acometidos pelo FA não apresentam, de início, sintomas ou, quando os possuem, não dão a eles a devida importância. Dor torácica, além de uma desconfortável sensação de palpitações rápidas e irregulares estão entre os sintomas. Também pode haver formigamento e tontura, mas muitas pessoas não acham que seja nada sério e, assim, não procuram o médico. A falta de cuidados e diagnóstico pode levar ao agravamento do quadro e maior ocorrência de um AVC.

Passos Simples da Vida

Só no Brasil, 1,3 milhão de pessoas tem FA, sendo que a maioria das vítimas são mulheres, entre 60 e 80 anos. "As mulheres costumam procurar mais os consultórios quando são jovens. Com o passar dos anos acontece o inverso: elas procuram menos os médicos, apesar de incentivarem e levarem os seus maridos. Elas negligenciam os sintomas do AVC, como a taquicardia e as dormências", diz o Dr. Patel.

Quem está fora do grupo de risco e ainda não chegou à terceira idade, deve se prevenir. "O derrame é uma desgraça social, familiar e médica. Depois que ocorre, não tem como a medicina reparar o tecido morto. É preciso prevenir!", frisa o Dr. Marcos Lago, gerente médico da Bayer HealthCare Pharmaceuticals.

Com relação à prevenção dos AVCs e das doenças cardiovasculares, o Dr. Manesh Patel convoca os brasileiros a colocarem em prática o que a American Heart Association recomenda. São os "Life´s Simple Steps" (Passos Simples da Vida), os quais defendem 60 minutos de atividade física diários, zero acréscimo de sal, controle da pressão arterial, checagem do nível do colesterol, além do corte dos doces artificiais e do tabagismo.

De acordo com Dr. Patel, se todos os pacientes cumprissem essas metas, mais de um milhão de derrames seriam evitados por ano, apenas nos Estados Unidos. "Até poderíamos chamar de ´passos não tão fáceis assim´, mas se você seguir, pelo menos a maioria deles, já está fazendo um bom trabalho", estimula o cardiologista.

Incidência

1,3 milhão de pessoas tem fibrilação atrial no Brasil; a maioria das vítimas são mulheres, entre 60 e 80 anos. Costumam procurar mais os médicos quando são mais jovens.

Fique por dentro

Maior controle

Uma nova droga pode ajudar os pacientes com fibrilação atrial a prevenir acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Num estudo realizado pelo cardiologista Manesh R. Patel, professor da Universidade de Duke (EUA), a rivaroxabana mostrou-se eficaz no controle da coagulação sanguínea e consequente prevenção dos "derrames".

O medicamento mais usado até então era a varfarina que, embora previna a coagulação sanguínea, é de difícil controle. A pesquisa foi publicada no New England Journal of Medicine e mostrou que só uma dose da nova droga consegue manter o sangue na espessura certa. Mais de 14 mil pacientes com FA participaram do estudo, englobando 45 países. Só no Brasil, 483 pessoas participaram do teste. Enquanto metade fez o tratamento com a varfarina, a outra parte usou a rivaroxabana, no entanto, nenhum dos participantes - nem os médicos - tinha conhecimento de qual das drogas estava sendo administrada.

Os testes de superioridade apontaram que, nos pacientes recebendo rivaroxabana, houve uma redução de risco de 21% para AVC e embolia sistêmica não SNC (sistema nervoso central). Quanto à segurança do tratamento, os que usaram a rivaroxabana tiveram menos eventos hemorrágicos e número menor de hemorragia intracraniana.

A rivaroxabana foi ainda associada a resultados cardiovasculares favoráveis, durante o tratamento dos pacientes, com uma redução de risco de 15% na composição de AVC, embolia sistêmica, infarto do miocárdio e morte vascular. Mostrou tendência a taxas menores de infarto de miocárdio e morte vascular. A repórter viajou a convite da Bayer HealthCare.

TICIANA DE CASTRO
REPÓRTER

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