SERENIDADE

Porque escolher a calma

20:31 · 08.10.2011
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A profissão de professor já foi tido como sagrada. Hoje, os educadores se sentem sobrecarregados quando os pais transferem a responsabilidade para eles, diz Hemlata Sangui, coordenadora da Brahma Kumaris para o Caribe
A profissão de professor já foi tido como sagrada. Hoje, os educadores se sentem sobrecarregados quando os pais transferem a responsabilidade para eles, diz Hemlata Sangui, coordenadora da Brahma Kumaris para o Caribe ( Marília Camelo )
A coerência entre a mente e coração se expressa na vida como serenidade, no tumulto do dia a dia

O semblante distante e de aparente tranquilidade pode enganar. Por dentro, a pessoa encontra-se em um turbilhão de emoções contidas, e com muitas pendências para serem ordenadas e coisas por fazer. E ainda quer mais?

Não é raro lançar-se as cargas pessoais mal compreendidas - e, por isso, não resolvidas - desde que se levanta da cama, no trajeto ao trabalho (no trânsito é muito frequente isso), nas pessoas próximas e de seu convívio no trabalho, nos atendentes (supermercado, restaurante, loja, banco, serviço público), entre os familiares (entes queridos?) e até no animalzinho de estimação.

Aquietar-se

Quem, em sã consciência, consegue buscar o caminho mais curto? Qual? Bem, a inquietação necessita de calma. No entanto, a quietude requer uma atitude ativa e atenta para seu acolhimento, o que nem sempre é fácil de se aceitar quando a conduta habitual é de agitação mental, emocional e, por vezes, física.

Escolher a calma, quase sempre, é o melhor negócio. Tanto, que, logo de saída, se sai ganhando, no aspecto de conservação de sua saúde e sua s próprias energias. Além disso, os mais próximos agradecem. E muito!

Nos tempos modernos, as pessoas pouco experienciam a calma, afirma Hemlata Sanghi, coordenadora da Organização Brahma Kumaris para o Caribe, que esteve recentemente em Fortaleza para lançar a campanha "Escolha a Calma". Daqui ela seguiu percorrendo nove outras capitais brasileiras. A proposta é que cada local priorize um plano de ação para sensibilizar as pessoas em escolas e comunidades.

Médica indiana, Dra. Hemlata tem mais de 40 anos de experiência como professora de Meditação. Dedica sua vida em viagens pelo mundo, ministrando conferências sobre qualidade de vida e meditação. No caso específico da Ong a qual representa (BK), a modalidade é a meditação Raja Yoga, realizada com os olhos abertos, com foco em um ponto de luz externo (um quadro ou outra representação).

A preocupação com a produtividade faz com que a calma não seja relevada com o valor que realmente possui na vida. A crença geral é de que os agitados, normalmente, são os que mais realizam. Contudo, tanta aceleração os levam a se irritarem com frequência, perdendo facilmente o foco e, o sentido (ou propósito) do que estão fazendo.

Dra. Hemlata revela que quando era mais agitada, há muito tempo atrás, desfrutava menos das atividades as quais realizava. "Hoje faço muito mais coisas, de forma melhor e com mais qualidade, porque não crio tensão", ensina. Cita que o preparo, por exemplo, para uma entrevista ou reunião pode ser feito durante a prática matinal da meditação, com a visualização (cinco ou 10 minutos) de todos os envolvidos em luz, expressando ótimas ideias e boa comunicação.

Quando se está tenso, temeroso, ansioso ou sentindo-se pressionado, perde-se com muita facilidade a atenção e o foco. Por isso, é importante preparar-se. Com a prática diária da meditação, faz-se uma "varredura" na mente, retirando os entulhos e os lixos que se acumulam naqueles que não têm esse hábito.

Há uma analogia que compara a mente a um macaco agitado, que corre para cá e para lá. Ensinar desde cedo as crianças e os jovens que é possível e produtivo tranquilizar, acalmar a mente de toda essa agitação é de um valor que ainda não se dimensiona, tanto para o apropriado encaminhamento na vida como para a manutenção da própria saúde.

A manhã é o período mais apropriado para se criar o hábito dessa prática, que pode ser complementada com afirmações interiores de se sentir como um ser pacífico, amoroso, com poder de realização, relembrando a si mesmo suas qualidades espirituais originais. Com o tempo, explica Hemlata, gradualmente consegue-se ir aprofundando esta s experiências, lançando essa visão como energia irradiante - na forma de raios de luz (como um sol) enquanto energia pacífica e amorosa - alcançando cada pessoa que encontrarmos.

Mesmo tendo viajado por diversas partes do mundo e conhecido outras práticas meditativas, a Raja Yoga foi essencial para a médica, uma vez que além de tê-la ajudado na concentração dos estudos, ainda hoje contribui para administrar melhor o tempo . "Às vezes, fazemos tanto, com sentimento de ter feito tão pouco. Isso nos deixa aborrecidos e irritados conosco. Ao meditarmos, vemos que a velocidade do tempo se baseia em nossa própria consciência interior."

ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

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