HIPERTENSÃO

Por que incluir mais flavonoides ?

01:52 · 06.11.2011
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Sal é um dos fatores para a evolução da doença. Chocolate, alho e cebola podem ser uma boa opção

Engana-se quem pensa que a hipertensão arterial acaba terminantemente com a maioria dos prazeres do paladar. Cardiologistas já admitem que o chocolate amargo ajuda a diminuir a pressão sanguínea. De acordo com Carlos Alberto Machado, cardiologista e coordenador de ações sociais da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o chocolate amargo sem açúcar possui benefícios anti-oxidantes.

O chocolate amargo é rico em flavonoides, substância que ajuda os vasos sanguíneos a trabalharem melhor. Além disso, essas substâncias colaboram com a saúde do coração e na prevenção do câncer, informa o médico. A temática foi apresentada durante o VIII Congresso do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) - "Hipertensão, Diabetes e Cardiometabolismo", realizado no Hotel Praia Centro/Fábrica de Negócios, em Fortaleza.

Destacou que os flavonoides podem ser encontrados em alimentos como frutas, vegetais, chás e no vinho tinto. Carlos Alberto Machado alerta, porém, para o cuidado com excessos: "Apesar de estudos mostrarem que pequenas porções do chocolate amargo trazem benefícios ao sistema cardiovascular, se o hipertenso também tiver o colesterol aumentado ou obesidade, o consumo exagerado pode trazer problemas".

Menos sal

O sal é o principal vilão na dieta alimentar dos brasileiros. De acordo com Carlos Alberto Machado, cada habitante consome, em média, 15 gramas de sal por dia, quando o recomendado é apenas 5 gramas. "Se passássemos a ingerir 5 gramas de sal/dia, o que equivale a dois gramas de sódio, conseguiríamos reduzir em 15% o número de mortes por acidente vascular cerebral e em 10% as por infarto", aponta.

O excesso do sal da dieta influencia diretamente não apenas no agravamento da doença, mas concorre para o aumento da incidência de pessoas com hipertensão. Por isso, o controle do sal nos alimentos é considerado não somente uma forma de tratamento, mas também de prevenção da hipertensão arterial.

Dr. Carlos Alberto Machado garante ainda que, se a medida fosse adotada, cerca de 1,5 milhão de pessoas poderiam reduzir o consumo de medicamentos ao passo que os hipertensos ganhariam cerca de quatro anos a mais de vida.

Os hábitos alimentares modernos favorecem ao aumento do número de pessoas com hipertensão. Carlos Alberto Machado garante que as pessoas têm consumido cada vez mais alimentos industrializados, que vêm com grandes quantidades de sal. As refeições fora de casa (aliado ao alto consumo de fast-foods) também impedem o controle mais criterioso do tempero.

Um cuidado especial deve ser dedicado à alimentação dos pequenos. Carlos Alberto Machado diz que o número de crianças com hipertensão arterial praticamente duplicou nas duas últimas décadas em virtude da inserção de biscoitos recheados, salgadinhos e refrigerantes nas refeições, além de molhos (maionese e ketchup) em sanduíches.

Substituições

Os alimentos naturais já possuem quantidades de sal que ajudam a obter os valores diários necessários para o organismo. "O paladar brasileiro já é acostumado com alimentos bem temperados. Sendo assim, é possível substituir o sal sem perder o sabor, utilizando temperos como alho, cebola e pimenta", sugere o cardiologista.

Não colocar o saleiro na mesa, no momento das refeições, é outra medida que pode fazer a diferença na prevenção à hipertensão arterial, pois limita o acesso ao tempero. Além disso, Carlos Alberto Machado defende ainda que os produtos industrializados tenham especificações mais explícitas dos níveis de sal nas embalagens: "A Sociedade Brasileira de Cardiologia fez uma aliança com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, obrigando os fabricantes de alimentos industrializados a divulgar nas embalagens quando o produto tiver quantidades elevadas de sódio, açúcar e gorduras", afirma.

Segundo o médico, a preocupação com doenças como a hipertensão é cada vez maior no mundo. "A Organização das Nações Unidas até hoje, fez apenas três convocações de reuniões emergenciais para a área de saúde. A primeira foi contra a poliomielite, a segunda contra a Aids e a mais recente, no começo de 2011, em alerta às doenças não-transmissíveis. A hipertensão é bastante prevalente no Brasil, com mais de 30 milhões de pessoas com o problema", relata.

Para evitar o risco de desenvolver a hipertensão arterial, Dr. Carlos Alberto Machado informa que os cuidados não devem se restringir ao controle do sal. A soma de medidas saudáveis como reduzir o sobrepeso e o estresse, fazer atividades físicas, evitar o uso do cigarro e não ingerir álcool em excesso são fundamentais para a prevenção de problemas relacionados ao sistema cardiovascular.

Prevalência

315 mil pessoas morrem por ano no Brasil em decorrência de doenças cardiovasculares. O país possui mais de 30 milhões de hipertensos, dos quais 8 milhões encontram-se na região Nordeste.

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