CONSCIENTIZAÇÃO

População adulta precisa ser imunizada

23:30 · 10.12.2011
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Atenção redobrada no caso da população idosa. A imunização é apontada como a forma mais eficaz e duradoura de prevenir doenças graves e garantir a qualidade de vida
Atenção redobrada no caso da população idosa. A imunização é apontada como a forma mais eficaz e duradoura de prevenir doenças graves e garantir a qualidade de vida ( )
Pesquisa aponta necessidade dos adultos também manterem carteira de vacinação em dia

Um conhecido ditado popular diz que o seguro morreu de velho. E se apenas a idade avançada foi capaz de vencer a precaução, fica claro que se prevenir é uma boa alternativa para viver mais e melhor. Quando o assunto é saúde, é indispensável lembrar que a imunização é a forma mais eficaz de prevenção.

Mas engana-se quem pensa que as recomendações de vacinas se limitam às crianças. Os adultos também devem manter a sua carteira de vacinação em dia para reforçar a proteção contra uma série de doenças. "A importância da erradicação de doenças da infância é algo já assimilado pela maioria dos pais e das mães. Entretanto, é necessário que a imunização continue a partir da infância, atingindo a adolescentes, adultos e idosos", aponta Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Imunossenescência

"Até os dez anos, a imunidade do indivíduo vai amadurecendo. Entretanto, a partir dos 45 anos, o sistema imunológico também começa a envelhecer e a resposta a novas doenças começa a ficar comprometida", esclarece Kfouri. Tal fenômeno é descrito como imunossenescência. De acordo com o médico, quando um adulto contrai alguma enfermidade, sua resposta às infecções geralmente é mais intensa do que na criança, com mais sintomas e podendo desenvolver mais complicações.

Pesquisa feita pela Gfk Custom Research Brasil, encomendada pela Pfizer e realizada com 1.710 brasileiros acima de 50 anos, em 11 capitais do país, inclusive Fortaleza, constatou que 64,2% dos entrevistados reconhecem o papel das vacinas na proteção contra as doenças, mas apenas 32% estão em dia com o calendário de vacinação.

Além disso, informa, 28% dos entrevistados não tomaram nenhuma vacina depois dos 50 anos de idade, mesmo com 70% já tendo recebido informações sobre vacinação para adultos. Tal condição mostra que a importância da imunização na idade adulta está sendo subestimada pela maioria da população.

Conscientização

Em Fortaleza, 33% dos entrevistados alegaram não ter tomado vacinas depois dos 50 anos, mas de acordo com João Cláudio Jacó Pinto, pediatra da Clínica de Vacinação Núbia Jacó e representante da Regional Ceará da Sociedade Brasileira de Imunização, a situação está mudando aos poucos. "A conscientização está aumentando a cada dia. Antes os pais só se preocupavam em vacinar as crianças, mas hoje eles já vêm com o intuito de imunizar toda a família", afirma.

População mais velha

A preocupação com a regularidade das vacinas nos adultos está relacionada ao aumento gradativo da expectativa de vida dos brasileiros. Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último dia 1º revelou que atualmente, espera-se que um brasileiro nascido em 2010 viva aproximadamente 73,5 anos. O aumento verificado nessa expectativa de vida nas últimas três décadas corresponde a 10 anos e 11 meses.

Segundo Renato Kfouri, em função do processo de envelhecimento natural da população, é necessário pensar em maneiras de melhorar a qualidade de vida. E a vacinação continua sendo a melhor alternativa realmente eficaz de prevenir doenças graves.

"O sistema imunológico do idoso é fragilizado pelo envelhecimento e não responde mais tão bem. Por isso a necessidade de uma série de cuidados com a saúde, além de medidas preventivas que podem ser iniciadas bem antes dos 60 anos", orienta o presidente da SBIm.

Ação orquestrada

O corpo humano possui cerca de 10 trilhões de bactérias, número dez vezes maior que o de células. Mas não precisa se assustar: 90% das bactérias existentes no organismo são benéficas desempenhando funções importantes, como facilitar a digestão. Cerca de 10% delas, porém, são patogênicas, ou seja, potenciais causadoras de doenças.

Embora se mantenham constantemente por todo o corpo, estes microrganismos estabelecem uma espécie de comunicação entre si, chamada "quorum sensing", pela qual determinam a hora certa de entrar em ação em conjunto, geralmente nos períodos em que a defesa do organismo exerce pouca atividade. Se a vacinação está em dia, porém, as bactérias patogênicas terão as chances de êxito reduzidas, pois o sistema imune estará estimulado para combatê-las.

Falta de hábito

Um d os motivos pelos quais ainda há uma deficiência no número de adultos imunizados é a falta de hábito em se vacinar. "Infelizmente, a procura maior pelas vacinas acontece em momentos em que há aumento de risco de uma doença. Percebemos, por exemplo, aumento de vacinas contra catapora, quando a cidade está com mais casos ou quando a pessoa tem algum conhecido doente", diz João Cláudio.

A pesquisa mostrou que 77% dos entrevistados não tiveram nenhuma orientação dos médicos sobre a importância da vacina, o que pode ser determinante para o esclarecimento da população. Os médicos não costumam perguntar sobre a situação vacinal. Mesmo nas consultas pediátricas, deve-se saber não só sobre o cartão de vacinas das crianças, mas também dos pais. "Ainda existe uma cultura de que contrair uma doença é melhor do que tomar a vacina contra ela", conclui João Cláudio Jacó.

Resultados

77% dos adultos entrevistados na pesquisa sobre prevenção na maturidade nunca tiveram orientação médica para se vacinar. Em Fortaleza, 35% não tomaram vacina depois dos 50 anos.

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