Campanha

Pneumonia em maiores de 50

00:40 · 28.05.2013
Vacina conjugada é aliada na prevenção de doenças pneumocócicas que atingem população acima de 50 anos

Começa com uma tosse, indisposição. Aumenta para falta de ar e tonturas. O que parecia um simples mal-estar, uma gripe, ganha, com os dias, diagnóstico de pneumonia. Foi com essa surpresa que o engenheiro Raupp Gurgel recebeu a notícia. Achava que a doença acometia mais as crianças. "Fiquei doente por 14 anos, com muita dor e febre. Tratamento pesado, antibióticos, inalações", lembra.

A atriz Regina Duarte é a madrinha da campanha "Previna-se: encare a pneumonia de peito aberto". As doses da vacina pneumocócica conjugada já estão disponíveis nos postos de vacinação autorizados de Fortaleza FOTO: DIVULGAÇÃO

O lançamento da vacina pneumocócica conjugada Prevenar-13, voltada à prevenção de doenças pneumocócicas a partir dos 50 anos, traz esperança para milhares de casos como o de Raupp. "A prevenção (vacina) é muito importante, principalmente porque eu era fumante. É uma doença que baixa a imunidade e abre a oportunidade para outras infecções", afirma Raupp Gurgel.

Prevenção em massa

A campanha "Previna-se: encare a pneumonia de peito aberto - A doença na maturidade", lançada no último dia 15, em São Paulo, marcou a chegada no mercado dessa vacina, cuja indicação até então estava restrita a crianças com 6 anos incompletos.

Uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Associação Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e apoio da Pfizer, a campanha também ganhará as ruas. A partir do segundo semestre serão realizadas várias ações de saúde e ciclos de palestras em hospitais e clínicas, tendo como tema central a pneumonia e demais doenças pneumocócicas.

Segundo afirma a madrinha da campanha, a atriz Regina Duarte, "quando atingimos a maturidade é muito importante ter equilíbrio, cuidar do corpo e da mente. Saúde é isso, viver de forma plena. Espero ter contribuído para que esse diálogo sobre vacinação na fase adulta se multiplique".

Estatísticas

Na maturidade, a pneumonia se apresenta ainda mais devastadora, sendo a terceira causa de morte no mundo: em 2013, a infecção provocou quase sete vezes mais mortes na população acima de 50 anos (foram 2.969 óbitos) em relação à população mais jovem (443 óbitos). Apenas neste ano, foi responsável por 18.671 internações de pessoas até 49 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil e 16.462 internações de pacientes com idade superior a 50 anos.

A incidência de pneumonia em adultos cresce com o passar dos anos. Se entre 50 e 59 anos chega a 3 para cada 1 mil pessoas, em pacientes acima de 80 anos, cresce para 29, segundo pesquisa realizada pela GfK Healthcare, onde foram entrevistados 1.507 adultos entre 50 a 70 anos (no Brasil foram entrevistadas 504 pessoas).

As infecções nas vias respiratórias são a terceira causa de morte na população mundial (6.1%), perdendo apenas para a doença vascular cerebral (10.8%) e a doença cardíaca isquêmica (12.8%)

"Daí a importância de não avançarmos apenas na qualidade do tratamento, mas também na prevenção para evitarmos mortes", afirma Eurico Correia, diretor médico da Pfizer. Informa, ainda, que a vacina Prevenar-13 combate os agentes infecciosos causadores das doenças pneumocócicas e estimula as células de memória do sistema imunológico. "Basta uma aplicação, pois a vacina tem efeito complementar de memória", acrescenta o médico.

A dose contem 13 sorotipos (1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F) do pneumococo que figura entre os mais prevalentes em todo o mundo, inclusive o Brasil. Atualmente, a vacina está aprovada em 80 países para adultos maiores de 50 anos.

A campanha tem como desafio imunizar um público que, culturalmente, não mantém esse hábito, mais presente na população infantil e idosa. Mas como ganhar essa parcela da população? Dr. Eurico Correia tem a resposta: "Oferecer qualidade de vida. Nossos adultos maduros, acima de 50 anos, têm uma vida muito ativa, não querem mais estar em cima de uma cama; querem ter um envelhecimento saudável", descreve.

É resfriado ou pneumonia ?

"Doenças pneumocócicas: o que sabemos dela?". Esse foi o tema do estudo técnico que desencadeou a ação focada no público adulto. Para Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, São Paulo, muitos adultos ainda confundem um simples resfriado ou gripe com a pneumonia.

"Tomam a vacina da gripe e acham que assim estão protegidos também contra as doenças pnemocócicas". Richtmann faz parte do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Otimismo?

O estudo apontou que apenas um em cada três brasileiros acima de 50 anos (36%) diz saber o que é pneumonia. Porém, apenas um em cada cinco (18%) conhece bem as outras doenças pneumocócicas. "A maioria desconhece que as DPs incluem doenças mais graves como a bacteriana ou a meningite", afirma a médica.

Mostrou também que o brasileiro é muito otimista, pois acredita que essas doenças não irão atingi-lo, muito menos levá-lo ao óbito. 87% dos entrevistados no Brasil disseram estar fora de risco de contrair pneumonia, enquanto 93% das DPs. A idade é o indicativo que mais aumenta o fator de risco, pois quem está acima de 65 anos está no alvo.

Gripe é gripe; pneumonia é pneumonia. Esse é o alerta. Segundo Rosana Richtmann, "a gripe pode deixar as vias respiratórias mais frágeis, abrindo as portas para a pneumonia causada pelo pneumococo (a vacina da gripe não protege contra essa infecção). A maioria das pneumonias, no entanto, não é consequência da gripe". A cada dez pessoas, uma ou duas morrerão em decorrência das DPS.

A pesquisa apontou também que os brasileiros acreditam nas vacinas como fator de envelhecimento saudável: 71% dos entrevistados afirmam que manter o calendário vacinal em dia garante mais saúde.

Uma preocupação diz respeito à geração atual. Muitos ainda não se vacinaram, seja pelo alto custo, por não acreditar na eficácia da vacina ou pela falta de hábito. Segundo o estudo, 44% dos entrevistados nunca se vacinaram e 35% não recordam. O desconhecimento sobre a existência de uma vacina e a falta de recomendação médica seriam as principais causas para a não adesão ao tratamento.

FIQUE POR DENTRO

Calendário nas plataformas digitais

A campanha "Previna-se: encare a pneumonia de peito aberto" também engloba plataformas digitais como hotsite, fanpage no facebook e canal no youtube.

Em breve, será lançado um aplicativo mobile para celular e tablet com sistema operacional android e iOS. Com o aplicativo, a ideia é ter uma carteira de vacinação de fácil acesso para toda a família. Assim, basta preencher os dados pessoais e as informações sobre o calendário vacinal, que o aplicativo informará quais vacinas devem ser tomadas (o aviso será realizado via e-mail e alertas no celular).

Para acompanhar a agenda da campanha (ações em todos os estados da Federação) e obter mais informações acerca das formas de prevenção, acesse o site www.campanhaprevinase.com.br; curta a fanpage da iniciativa no www.facebook.com/campanhaprevina; e acesse o canal do youtube (www.youtube.com/campanhaprevinase).

IVNA GIRÃO *
ESPECIAL PARA O VIDA

*A jornalista viajou a convite da Pfizer

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