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Perdas e lutos: processo de reorganização

20:31 · 08.10.2011
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O processo de luto passa por mudanças para dar um novo sentido à vida
O processo de luto passa por mudanças para dar um novo sentido à vida ( Arquivo )
Psicoterapia para pessoas enlutadas ganha novo serviço para formação de profissionais na área

Inerente à condição humana, em quais situações a questão da perda e do luto é empregada?

O processo do luto é um processo de reorganização que acontece após uma perda. É uma resposta característica à perda de um objeto valorizado, seja a pessoa amada, um objeto material especial, emprego, status, casa, país, ideal, parte do corpo e outras. O luto é um processo esperado e necessário para que o enlutado possa ajustar-se às consequências e condições advindas da perda, tanto psicológicas como físicas, sociais, materiais e outras. É indicado, portanto, que esse processo seja aceito e vivenciado de forma a permitir as ressignificações necessárias para a pessoa seguir em frente.

Em geral, a perda e o luto seguem algum tipo de padrão? Como a maioria das pessoas reage?

O processo de luto é vivido por cada um de maneira singular, mas estudos comprovam que são frequentes as etapas: fase de entorpecimento ou "anestesiamento" do enlutado; de busca da figura perdida como negação da perda; de desorganização e desespero com sentimentos de raiva e muita tristeza; de reorganização quando a pessoa começa a reavaliar a situação e parte para uma redefinição da vida. Sendo o luto uma experiência subjetiva, essas fases podem acontecer em outra ordem ou podem ser vividas duas ou mais fases ao mesmo tempo. A prática constata que não existe uma rigidez nessa divisão do processo de luto. Mesmo sendo um processo doloroso, o luto caminha para uma reorganização, uma superação das dificuldades decorrentes da perda.

Devido a necessidade de ajuda terapêutica, o luto pode desencadear em comportamento a ser seguido ao longo da vida?

Existe uma série de sintomas que são esperados diante uma situação de perda e que caracterizam o luto normal como mudanças afetivas, comportamentais, cognitivas e fisiológicas. Quando há uma ausência de sintomas (ou excesso), por um determinado período pode-se dizer que o luto que está se desenvolvendo é complicado. Alguns exemplos são o luto crônico quando há o prolongamento do luto com predomínio de ansiedade, tensão, inquietação e insônia e o luto adiado ou inibido, onde os sintomas do luto normal ficam ausentes (defesas psíquicas) e não são vividos podendo desencadear distúrbios posteriores (como a depressão).

Quais as principais necessidades de uma pessoa que enfrenta uma situação de luto?

Para que o processo de luto possa atingir os seus objetivos de reorganização e superação é importante que o enlutado encontre espaço e condições para: ser ouvido;sentir-se compreendido;sentir-se acompanhado;relembrar a perda; sentir tristeza e viver a sua dor;reorganizar a sua vida prática;encontrar novos significados e sentido para a vida.

Com base em sua prática de consultório, as pessoas e famílias costumam recorrer a intervenção terapêutica para tratar suas perdas e lutos?

A Psicoterapia do Luto tem se difundida e cada vez mais as pessoas têm tomado conhecimento das possibilidades terapêuticas dessa prática, daí a procura tem crescido significativamente. Essa modalidade de intervenção psicológica atua nos diversos tipos de luto, não só os decorrentes de óbitos, mas em outras situações onde são vividas perdas. O período de dor pode ser desestruturante e o acompanhamento psicológico, com a crença de que o sofrimento pode ser cuidado e transformado, visa a retirada do apego e a elaboração da dor pela perda possibilitando, assim, o investimento em outros capítulos da vida.

Como surgiu a ideia de criar um serviço terapêutico para oferecer suporte às pessoas enlutadas?

Durante a formação em Psicologia, percebi o quanto os temas sobre perdas e a própria finitude eram difíceis de se abordar até mesmo no meio acadêmico, o que me chamou atenção por perceber que sendo a Psicologia uma ciência criada para compreender e dar suporte ao ser humano, deveria contemplar em maior profundidade essas questões. Procurei então me especializar e Perdas e Luto já com o objetivo de criar um serviço de atendimento para todos os públicos interessados em cuidar de suas perdas. A partir dessas experiências, quando avalio o processo de rompimento de vínculos, concluo que o tema me instiga cada vez mais a desvendar as aplicações possíveis e necessárias para esse trabalho e sendo assim, me preparar melhor para uma prática mais autêntica em todas as situações que envolvem luto.

Qual o perfil dos pacientes assistidos pelo serviço?

O Instituto Ciclo de Psicologia em Perdas e Luto é uma instituição cearense especializada em cuidar do processo de perda com profissionais formados em perdas e lutos. Atende pessoas enlutadas da comunidade em geral. O acesso à psicoterapia ocorre através de atendimentos particulares, por adesão ao Plano Ciclo de Atendimento Psicológico que, além do acompanhamento psicoterápico, oferece outras vantagens ao usuário e, através da Clínica Escola Ciclo (unidade de apoio ao ensino e às atividades sociais). Faz parte do projeto pedagógico do curso de formação de psicoterapeutas em perdas e lutos, propiciando condições reais e efetivas de experiências profissionais, além de atender a comunidade de baixa renda em situação de luto.

Mais informações

Instituto de Psicologia em Perdas e Lutos (Ciclo)
www.institutociclo.com.br;
(85) 41414547/88884853

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