TRATAMENTO

Para viver mais e com qualidade

01:52 · 23.04.2013

Ainda pouco conhecida, a Degeneração Macular Relacionada à Idade é uma das maiores causas de cegueira no mundo

O tratamento para a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) promove a retomada da qualidade de vida do idoso, que recupera seus hábitos mais básicos como assistir televisão, ler e interagir socialmente foto: divulgação

Tendo em vista o aumento da expectativa de vida da população, a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) passa a ser considerada uma patologia recorrente. "É uma doença do mundo contemporâneo por uma razão simples: estamos vivendo mais. Mas precisamos viver mais e com qualidade", defende Marcos Ávila, professor da Universidade Federal de Goiás e responsável pelo Departamento de Retina e Vítreo do Centro de Cirurgia de Olhos (CBCO). Apesar de pouco conhecida para a população, a degeneração macular deve ser considerada um problema de saúde pública de acordo com o médico.

Trata-se de uma doença crônica e progressiva que afeta a mácula, região do olho humano responsável pela visão central, nitidez e fixação das imagens. Em sua forma mais comum, conhecida como DMRI seca, o distúrbio ocorre devido ao acúmulo de drusas, ou seja, detritos celulares. Já a forma úmida (exsudativa), considerada a apresentação mais grave, é determinada por um crescimento anormal de vasos sanguíneos, transbordando fluído e sangue na mácula e alterando a estrutura anatômica do olho.

Segundo dados da OMS, a DMRI é a primeira causa de cegueira em pacientes com 50 anos ou mais em países industrializados e afeta entre 25 e 30 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que de 10% a 15% da população idosa tenha doenças relacionadas à degeneração macular.
A doença compromete atividades básicas relacionadas à visão. Devido o distúrbio, o idoso é impedido de assistir televisão, ler ou mesmo interagir socialmente, limitando a sua autonomia e reduzindo a sua qualidade de vida. Por isso, ele pode sofrer depressão, além de estar mais sujeito acidentes.

Fatores de risco

Além da idade elevada, os fatores de risco estão relacionados à predisposição genética, à doenças cardiovasculares, obesidade, bebidas alcoólicas e alimentação pobre em frutas e vegetais. Além disso, os fumantes tem probabilidade duas vezes maior de desenvolverem a DMRI, já que as toxinas presentes no tabaco aumentam o estresse oxidativo da retina, resultando em novos vasos sanguíneos anormais na mácula.
A alta incidência de luz solar e os raios UV tem efeito direto no desencadeamento da doença, já que também propiciam alta oxigenação das células oculares que formam manchas no olho.

Diagnóstico

Os sintomas da degeneração macular nem sempre são facilmente perceptíveis. No processo de desenvolvimento da doença, não há o surgimento de dores e o avanço pode ser lento ou rápido, em um olho ou em ambos. Porém, a visão tende a ficar turva e o paciente tem dificuldade para enxergar detalhes na imagem. Outros sintomas incluem dificuldade na distinção de cores, falta de nitidez, e diminuição da sensibilidade ao contraste.

A detecção precoce é essencial para combater a DMRI. Consultar o oftalmologista regularmente, mesmo não havendo indícios de qualquer distúrbio ocular, é uma medida a ser tomada. "Os pacientes são orientados a se manterem alertas. No caso de qualquer alteração ocular, é sempre importante consultar um oftalmologista", esclarece o Dr. Michel Farah, professor da Unifesp e presidente do Instituto da Visão.

Além do exame clínico, é possível diagnosticar a DMRI por meio da Tela de Amsler. O instrumento é composto por linhas horizontais e verticais (com um ponto central preto) e permite avaliar distorções no campo visual como, por exemplo, a existência de áreas turvas, manchas escuras e linhas tortas.

Desconhecimento

De acordo com pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, com apoio da Bayer HealthCare Pharmaceuticals, foi possível observar que a população desconhece a doença e suas causas. Dos 4.030 entrevistados, entre homens e mulheres acima dos 35 anos, constatou-se que 79% deles nunca ouviram falar em degeneração macular. Apesar de boa parte das pessoas consultadas admitir ter algum problema de visão, apenas 23% frequentam um oftalmologista com regularidade.

Para Márcio Bittar Nehemy, professor de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrante do Serviço de Retina e Vítreo do Hospital Universitário São Geraldo, o desconhecimento é causado pois o tratamento para a degeneração da mácula é recente se comparado com outras doenças, como a catarata e o glaucoma.

"Isso faz com que a DMRI não seja conhecida, apesar de ser uma das maiores causas de cegueira do mundo", comenta o médico.

Expectativa

“Hereditariedade e idade não se evitam. É preciso conter fatores externos, como o tabagismo e a má alimentação”
Dr. Walter Takahashi
Professor da Faculdade de Medicina da USP

“O anti-VEGF é um avanço da oftalmologia nos últimos 20 anos por mudar o curso de vida de milhões de pacientes”
Dr. Márcio Bittar Nehemy
Professor titutal da UFMG

FIQUE POR DENTRO

Novo fármaco é aprovado pela Anvisa

No intuito de oferecer uma tratamento mais eficiente aos pacientes com DMRI úmida, a Bayer, em parceria com a Regeneron Pharmaceuticals, desenvolveu o Eylia, medicamento aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em outubro de 2012. Trata-se de um fármaco anti-VEGF (molécula produzida pelo corpo humano responsável pelo desenvolvimento vascular e que, em situação atípicas e locais específicos, pode causar doenças e gerar manifestações fisiológicas indesejáveis).

Por prescrição médica, o medicamento é uma injeção intravítrea e atua de forma tópica, impedindo que o excesso de VEGF se una à parede celular do olho, o que evita novos vasos sanguíneos causadores da degeneração. "O paciente deve ser monitorado após o início do tratamento. A aplicação ocorre periodicamente para auxiliar na eficiência e na diminuição frequente das aplicações", explica Walter Takahashi, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo.

O Vida viajou a convite da Bayer HealthCare Pharmaceuticals

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