equilíbrio

Para o corpo e a alma

00:16 · 17.09.2013
Respeito, concentração disciplina e serenidade. Essas atitudes são praticadas no Pa-Kua por meio de exercícios que trazem benefícios ao corpo físico e ao espírito

Muitas vezes, é difícil manter a calma em meio a um cotidiano cada vez mais agitado. Na ânsia por melhores condições de trabalho e beleza física, muitos esquecem de cuidar da mente, parte essencial para quem deseja alcançar melhor qualidade de vida.

Para Jean Carlos, o Pa-Kua amplia a sensação de felicidade e crescimento interior FOTO: BRUNO GOMES

Entretanto, há os que não abrem mão de atividades que unam os exercícios físicos aos mentais, solução prática para aqueles que procuram não apenas um corpo definido e uns quilinhos a menos na balança, mas reconhecem a necessidade de crescimento interior e tranquilidade diária.

Uma das atividades que tem contribuído para isso e conquistado adeptos é o Pa-Kua. Ao contrário do que alguns pensam, Pa-Kua não é uma arte marcial, mas, sim, um conhecimento que foca em mudanças positivas e é transmitido ao aluno por meio de oito maestrias: Reflexologia, Arqueria, Tai Chi Chuan, Acrobacia, Arte Marcial, Armas de Corte, Ritmo e Yoga Chinesa. "Pa" quer dizer oito e "Kua" significa mudança.

Com essas modalidades, o praticante é desafiado a mudar hábitos e ter uma vida melhor, podendo aplicar o que aprendeu nas responsabilidades que possui no dia a dia. "Usamos as modalidades para estudar as mudanças que acontecem na nossa vida. Vivemos em ciclos e, para poder evoluir e mudar, precisamos entender onde estamos. O Pa-Kua nos ajuda nesse sentido", explica o professor Jean Carlos Barbosa.

Psicologia do esporte

São muitos os benefícios para quem pratica alguma das oito modalidades do Pa-Kua: conhecimento pessoal, maior flexibilidade, queima de gordura localizada, controle emocional, conhecimento pessoal, aumento da capacidade cardiorrespiratória e melhoria do convívio em grupo. Apesar dos aspectos positivos que também beneficiam a mente, a psicóloga do esporte e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), Thabata Telles diz que no Brasil ainda é forte a associação entre exercício e estética. Entretanto, afirma que o ato de se exercitar nunca é puramente físico, pois cada vez mais as pesquisas, tanto em psicologia do esporte como em psicologia do exercício, têm apontado a impossibilidade de se estudar o esporte e o exercício sem considerar também os aspectos mentais.

Mas o que é aprendido nesses exercícios pode mesmo contribuir para uma sociedade melhor? Thabata Telles afirma que sim. Qualquer atividade na qual a pessoa se sinta bem pode contribuir para um mundo melhor. "Mesmo em esportes com um caráter mais competitivo, como o futebol e algumas lutas, o praticante contribui para a sociedade quando aprende a conviver com regras e a respeitá-las, a trabalhar em grupo, a traçar estratégias em prol do seu objetivo no jogo, a tolerar frustração e dor, a ter noção dos seus limites, ficar mais atento e concentrado", observa.

Sem, restrições

No Pa-Kua não há restrições ou limite de idade. Isso acontece porque, segundo Jean Barbosa, as maestrias é que se adaptam à pessoa. O estado de felicidade plena é a principal mudança que o professor observa nos alunos que começam a praticar as modalidades do Pa-Kua, pois tal condição resulta em mudanças e crescimento pessoal.

"Um aluno que fará o vestibular, por exemplo, se torna mais tranquilo por meio da prátaica e tem mais serenidade para estudar", compartilha o professor. A estudante Marjorye Maciel, 24 anos, sempre admirou a arqueria. Após uma aula experimental na Escola de Pa-Kua, Marjorie passou a vivenciar os benefícios da prática. Além da questão do respeito e da postura obtidos com a arqueria, a estudante acredita que a prática irá ajudá-la a ter uma maior concentração.

Segundo o publicitário Guilherme Venske, instrutor faixa azul de Armas de Corte há seis anos, "os tempos estão mudando e as pessoas buscam atividades onde possam exercitar mais a mente. É comum pensarmos que após um dia estressante, o melhor é fazer algo que gaste mais energia e que descarregue a "raiva". No entanto, existe alternativa para meditações, pois liberamos de forma diferente, canalizando nossa energia", descreve o instrutor.

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