CONSCIENTIZAÇÃO

Pai é o melhor brinquedo

03:27 · 11.09.2011
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Tornar os pais mais receptivos ao ato de brincar é vital; os laços desses "encontros" serão fortes vínculos na fase adulta
Tornar os pais mais receptivos ao ato de brincar é vital; os laços desses "encontros" serão fortes vínculos na fase adulta ( Arquivo )
O ato de brincar com os filhos é um privilégio e, como tal, deve ser valorizado, sempre

Nada de videogame, carrinho com controle remoto ou boneca que chora e fala. Pesquisas recentes apontam ser o pai o brinquedo predileto do filho (a). Não é à toa que o pai representa esse objeto de desejo quando o assunto é deixar a brincadeira rolar.

É ele que normalmente demonstra ter mais confiança de que o filho(a) será capaz de correr, pular, saltar sem tanto perigo; de que ele não é assim tão frágil (como pensa e se apavora a maioria das mães) e, sobretudo, que costumam dizer com maior facilidade um "NÃO" para os pequenos, sem tanto sentimento de culpa como as mães.

Isso ocorre, segundo afirma a psicóloga e terapeuta familiar Lídia Aratangy, porque "cabe à mãe o papel de guardiã, de protetora da prole. É ela que se sente normalmente culpada, cobrada por cuidar do filho", afirma. Autora de mais de 20 livros sobre a dinâmica dos afetos nas relações familiares (a exemplo de "O livro dos avós"; "Doces venenos", "Novos desafios da convivência", "Para entender o adolescente na era digital", Lídia Aratangy estará nesta quinta-feira (dia 15), em Fortaleza, onde ministra seminário que terá como tema central a 2ª edição do projeto Brinqueducando - "A importância do brinquedo no desenvolvimento da criança".

Palestra

Formada em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Clínica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), Aratangy também é professora e diretora da Faculdade de Psicologia da PUC/São Paulo. Atualmente exerce a função de assessora do Ministério da Educação na área de Cultura do Adolescente, tendo participado do Projeto de Educação à Distância (para formação de professores) na área de ética e convívio escolar.

A vinda de Aratangy é uma iniciativa da Planeta Brinquedo, cuja idealizadora do evento, Patrícia Couto, destaca a importância de se trabalhar "o conceito de que o brinquedo é um item valioso na socialização da criança e aproximação entre pais e filhos. Desejamos conscientizar os pais que brincar durante a infância faz parte do processo de formação de um adulto feliz".

Brincar, brincar muito

Quando o assunto é educar crianças e estimular sua criatividade, o ato de brincar é visto como sendo uma das ferramentas mais importantes, um momento único de aproximação na dinâmica familiar. Mas o ato não deve ser visto como uma tarefa, longe disso (já não bastam as várias tarefas, missões atribuídas aos pais - cada vez mais estressados e culpados pelo pouco tempo dedicado aos filhos).

Segundo a psicóloga, "o ato de brincar com os filhos é um privilégio. Afinal, em pouco tempo esses mesmos pais estarão correndo atrás dos filhos adolescentes, preocupados com os perigos próprios dessa idade (violência, drogas, bullying).

O que ocorre de fato, complementa a terapeuta familiar, "é que as crianças estão verdadeiramente disponíveis para esta troca, ávidas pelo contato. Este é um universo interessante de ser vivenciado pelos pais e passado para os filhos, pois o momento de brincar (do tempo só deles) pode ser determinante para que o adolescente e os pais consigam levar esse diálogo iniciado através da brincadeira) para outras fases da vida".

Brinquedo tem memória

Seja qual a brincadeira escolhida - contação de histórias, pintar, desenhar ou jogar bola - o importante é tornar o encontro lúdico - entre pais e filhos - um momento de celebração. Tais encontros fazem com que o ato de brincar - seja com um brinquedo ou não - assuma uma importância ímpar na relação afetiva.

De acordo com Lídia Aratangy, é nessa hora que o brinquedo passa a exercer o papel de objeto intermediário. "Ele fica imantado, vira uma espécie de depositário desse encontro. O brinquedo (quando trabalhado nestas condições) tem uma forte memória afetiva", destaca.

Parte dessas memórias e laços afetivos que a criança pode vir a ter com um determinado brinquedo pode se perder. Costuma ocorrer quando o pequeno é presenteado constantemente com vários brinquedos ao mesmo tempo. Situação típica do mundo consumista atual, a aquisição de um brinquedo pode ser apenas mais um ato, uma compra (como outro objeto qualquer). Mas se um único brinquedo é compartilhado (entre pais e filhos), os laços possibilitados por esse objeto intermediário terão cumprido seu papel no desenvolvimento cognitivo da criança.

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