campanha

´Olho vivo´ para os produtos piratas

00:00 · 02.12.2013

A irregularidade da superfície das lentes oftálmicas de má qualidade pode comprometer a visão

Os olhos são as janelas da alma e o espelho do mundo. Fosse apenas pelas metáforas dos poetas, talvez tais afirmações não fizessem tanto sentido. Entretanto, fazem. Dos cinco sentidos, a visão é o responsável por 85% da integração do homem com o meio ambiente. É por meio do olhar que compreendemos e nos relacionamos com os contextos que nos cercam, percebendo e reconhecendo as cores e as formas de uma atmosfera física graças à tradução de imagens que chegam à mente e nos fazem, enfim, ver.

A boa lente oftálmica é aquela que tem proteção adequada, ou seja, protege o indivíduo das radiações UVA e UVB. É essencial só adquirir produtos de procedência conhecida e segura foto: abióptica

Cuidados com a visão tornam-se, então, indispensáveis para mantê-la saudável e sob controle. Dados do último Censo do IBGE revelam que 36 milhões de brasileiros sofrem de algum tipo de distúrbio visual. O mais preocupante, no entanto, é que há um número ainda maior de pessoas - estimado em mais de 60 milhões - que sequer sabem da existência de problemas oculares, na maioria das vezes pela falta de acesso aos exames regulares.

Para esclarecer os consumidores acerca dos riscos de usar produtos ópticos piratas e ilegais, orientar sobre as práticas adequadas na compra de óculos solares e de receituário, além de incentivar visitas regulares ao oftalmologista, é que a Fundação Abióptica - Pelo Direito de Enxergar Direito, entidade civil da Associação Brasileira de Indústria Óptica (Abióptica), promove durante todo o ano a campanha Olho Vivo. A iniciativa é apoiada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).

Óculos e lentes

Uma vez tendo a orientação médica adequada, é essencial que o paciente utilize produtos ópticos de procedência conhecida. Isso porque, além da falta de acesso dos brasileiros aos exames, os distúrbios oculares podem estar relacionados à pirataria de óculos e lentes oftalmológicas, que traz riscos à visão e já é considerada problema de saúde pública.

"A irregularidade da superfície das lentes oftálmicas de má qualidade pode induzir ao astigmatismo, causar dor de cabeça, cansaço visual e desconforto. Além disso, se as lentes não contarem com a proteção adequada, a exposição às radiações UVA e UVB é ainda maior, o que eleva o risco de doenças", alerta Leôncio Queiroz Neto, consultor médico da Abióptica e membro do CBO.

Mas o que esta sendo feito para frear e venda ilegal? Segundo o presidente do CBO, Milton Ruiz, "a entidade tem atuado na educação em relação à saúde ocular assim como na observância dos itens de segurança no uso dos óculos, sempre se reportando à responsabilidade do usuário ao adquirir produtos ópticos".

Check- ocular

60% dos casos de cegueira e deficiência visual podem ser evitados mas, para isso, na hora de comprar produtos ópticos é importante ficar atento à regularidade da superfície da lente. Tendo em vista que um grande número de brasileiros necessita usar óculos devido ao astigmatismo associado à miopia ou à hipermetropia, as lentes com tratamento antirreflexo melhoram o conforto visual. Importante: a armação não deve ficar apoiada no nariz e nem apertar as têmporas.

Para preservar a visão, o paciente deve fazer um check-up ocular completo a cada dois anos, especialmente após os 40 anos, quando podem surgir uma série de doenças como o glaucoma. Os exames realizados na óptica em que o produto será adquirido, por sua vez, não substituem a consulta com o oftalmologista.

"A única forma segura de garantir a correção visual adequada é através da prescrição médica. O exame na óptica mede apenas a refração, enquanto no oftalmológico são utilizadas tecnologias de ponta para checar a saúde da retina, do nervo óptico, do cristalino, da íris, da pupila, da conjuntiva e da córnea", ressalta.

Desde a primeira infância

No Brasil, o exame de vista só é obrigatório em duas situações: no alistamento militar e na avaliação para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz, o paciente deve ir regularmente ao especialista desde a primeira infância, cuidando, assim, da saúde da visão.

Ao nascer, a mãe deve observar se o bebê foi submetido ao Teste do Olhinho. "É feito com um oftalmoscópio que emite luz sobre a pupila. Quando é contínua significa que os olhos são saudáveis; se descontínua indica a presença de uma ou mais doenças que levam à deficiência grave ou à cegueira".

De acordo com a Abióptica, 80% das crianças nunca fizeram um exame oftalmológico. Consequência disso é que 30% têm problemas de visão: catarata congênita, glaucoma, retinoblastoma, estrabismo, retinoplatia da prematuridade, ptose e obstrução congênita do canal lacrimal.

A visão se desenvolve até os seis anos e dependendo do obstáculo pode causar danos irreparáveis. Por isso, a primeira consulta deve ser feita aos 3 anos. Quando os pais usam óculos ou a criança apresenta sinais de que não enxerga bem, a consulta deve ser antecipada para os 2 anos.

Como algumas vezes o baixo rendimento escolar está relacionado à distúrbios da visão, é importante que, a partir da primeira ida ao oftalmologista, a criança faça uma nova consulta no início da alfabetização e repita o exame a cada novo início de ano letivo.

Campanha Olho Vivo

Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica)
Apoio do CBO e da SBO
Site: olhovivo.info

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.