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Óleo: um bem renovável

00:13 · 20.01.2008

Sabão, sabonete e biodiesel são alguns dos produtos feitos a partir do óleo de cozinha reutilizado


Cada litro de óleo despejado no esgoto tem capacidade para poluir cerca de um milhão de litros de água. Além disso, o acúmulo de óleos e gorduras nos encanamentos e tubulações pode causar entupimentos, refluxo de esgoto e, até mesmo, rompimento nas redes de coleta. A partir do momento que esse óleo é liberado no meio ambiente, dificulta a entrada de luz e a oxigenação da água, comprometendo, com isso, a base da cadeia alimentar aquática.

Apesar de todos os prejuízos, ainda existem pessoas que, por puro desconhecimento, dizem: ´Não sei direito o que fazer com o óleo usado, por conta disso, costumo sempre jogar no ralo. É a maneira mais simples, fácil e rápida de descartá-lo´. Com o passar do tempo, porém, a consciência da população vem mudando e importantes medidas no sentido de reutilizar o óleo de cozinha vêm sendo tomadas. Biodiesel, sabão e sabonete perfumado são alguns dos produtos feitos a partir do reuso desse produto, por vezes, considerado inutilizável.

Pão de Açúcar e Unilever

Desde junho de 2007, o Grupo Pão de Açúcar, em parceria com o Instituto Unilever, recebe óleo de cozinha usado para transformação em biodiesel. A ação, que integra o programa ´Estações de Reciclagem´, é desenvolvida, atualmente, em 39 lojas da rede. Em apenas três meses foram recebidos 3.500 litros para reciclagem. O programa ainda não chegou ao Ceará, entretanto, de acordo com a assessoria de imprensa do Grupo, é provável que ainda este ano os cearenses possam participar da iniciativa.

Após a coleta realizada nos postos, o óleo é encaminhado às cooperativas recicladoras de lixo. Em seguida, o material segue para uma empresa especializada e credenciada especificamente para a transformação em biocombustível. O biodiesel, além de conduzir o óleo vegetal novamente ao sistema produtivo, substitui total ou parcialmente o óleo diesel utilizado em motores.

Instituto Triângulo

Outra iniciativa é desenvolvida pelo Instituto Triângulo, uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), criada em outubro de 2002, e sediada em Santo André, São Paulo. Ao contrário do Grupo Pão de Açúcar e Unilever, a organização transforma o produto final coletado em sabão em barra, através da campanha: “Limpe sua Casa, Recicle Óleo de Cozinha”. O programa produz 5.700 quilos de sabão por mês, através da doação mensal de 10 mil pessoas e cerca de 90 empresas. Estes são os dados da última estimativa realizada pela entidade.

Além de receber o óleo em sua sede, o Instituto Triângulo possui o ´Disque Triângulo´. Através de um número - (11) 4991-1112 - os moradores do Grande ABC Paulista (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) têm o material recolhido em casa, desde que o mínimo a ser coletado seja de cinco litros.

Muitas pessoas têm dúvida quanto ao armazenamento correto do material. Após a utilização, o óleo, que não precisa ser coado, deve esfriar, para só então, ser colocado em garrafas pet ou similares, desde que possuam tampa. Em algumas cidades da região Sul já existem organizações especializadas na recuperação de óleo de fritura. Outro fato comum de ser observado são restaurantes e lanchonetes que trocam o óleo já utilizado em suas cozinhas, por produtos de limpeza com algumas empresas.

Como conservar os alimentos


Isopor, papelão e filme plástico são alguns dos materiais utilizados para embalar e conservar os alimentos. Muitas pessoas, entretanto, deixam os produtos em contato com as embalagens durante muito tempo. Será que existe algum tipo de risco em relação a contaminação? De acordo com Cláudio Lima, engenheiro de alimentos do Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec) e especialista em alimentos e saúde pública, as embalagens de papelão, por exemplo, não liberam nenhum tipo de resíduo para o alimento.

Guardar sobra de pizza, que, geralmente, é comercializada em invólucro de papelão, na geladeira é hábito comum. Apesar do risco de contaminação por resíduo haver sido descartado pelo especialista, a procedência do material deve sempre ser verificada. ´Dependendo da origem, o papelão pode causar problemas de contaminação microbiológica´, ressalta Cláudio Lima. O ideal é que as sobras sejam acondicionadas em recipientes apropriados e sob refrigeração, e consumidas, no tempo máximo, de 24 horas.

O engenheiro de alimentos também chama atenção para o fato de que as pizzas são entregues em caixas de papelão que vêm abertas, apenas com a tampa encaixada na base. ´Será que estas embalagens não caíram no chão durante as várias entregas? Que garantia o consumidor tem que a pizza não foi tocada ou que não caiu no chão?´, indaga Lima.

Conforme o especialista em saúde pública, pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos afirmam que os disruptores endócrinos, substâncias presentes nos filmes plásticos com o qual frutas e verduras são embaladas, podem causar sérios danos ao meio ambiente, além de câncer e infertilidade. Segundo os resultados, peixes que viviam em rios contaminados com estas substâncias na Europa estavam mudando de sexo, e jacarés que vivem em lagos dos Estados Unidos estariam tendo diminuição no tamanho do pênis, dentre muitas outras anomalias.

Outros estudos mostram que essas substâncias são lipossolúveis e liberadas através do calor, ou seja, para passarem do plástico para os alimentos têm que estar envolvendo comidas gordurosas como queijos, presuntos e amanteigados. ´Até o momento, estas substâncias são liberadas, por exemplo, dos copinhos plásticos usados para tomar cafés e chás que são consumidos quentes. As pesquisas até agora não revelam que possam ser liberadas para as frutas e verduras´, atesta Cláudio.

Preocupação constante dos consumidores ocorre com relação aos ovos comprados no comércio. Muitos deles têm o hábito de lavá-los antes do consumo, como forma de afastar qualquer risco de contaminação. Sobre esse costume, o especialista diz ser desnecessário, já que as grandes indústrias os lavam e colocam uma camada de óleo mineral para proteção. ´Nesses casos, o interessante é observar a procedência e a validade´, diz.

SABÃO CASEIRO

Ingredientes:
2 litros de óleo de cozinha usado
350 gramas de soda cáustica em escama
350 mililitros de água

Preparo
Dissolva a soda cáustica na água em um balde reforçado ou em uma lata de tinta de 18 litros. Reserve.

Coloque o óleo, já coado, em um recipiente e leve ao fogo até aquecer em temperatura aproximada de 60 graus.

Apague o fogo e, em seguida, acrescente a soda, já dissolvida, e mexa até engrossar (cerca de 20 a 30 minutos).

Após esse período despeje o conteúdo em recipientes e aguarde a secagem.

Atenção!!!

Cuidado no manuseio da soda cáustica, pois é um material muito corrosivo. Utilize luvas e óculos de proteção para evitar qualquer acidente. Deixe o sabão em descanso depois de pronto, por alguns dias antes de utilizá-lo, para que a soda cáustica se dissolva.

Fonte: http://www.triangulo.org.br/

FIQUE POR DENTRO

Sacolas de compras retornáveis

A preservação do meio ambiente tem sido um tema discutido em vários setores da sociedade. O simples ato de ir ao supermercado, fazer compras e voltar para casa com uma sacola de plástico, que depois será descartada, pode ser sinônimo de prejuízo ao ecossistema. Pensando nisso, o Grupo Pão de Açúcar iniciou, em março de 2005, um projeto objetivando estimular o consumo consciente, através de embalagens ecológicas. A iniciativa já registra mais de 106 mil sacolas vendidas em pouco mais de dois anos. Até o final deste mês, a Associação Super Rede de Supermercados (Pinheiro, Compre, Certo & Guaiúba, Do Povo, Frangolândia, Super Lagoa e Mercadinhos São Luis) estará, também, disponibilizando a comercialização em suas unidades, por preços bem acessíveis, das embalagens recicladas retornáveis.

Mais informações:
http://www.grupopaodeacucar.com.br/
www.triangulo.org.br

Mirtila Facó
Especial para o Viva

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