Picadas

O uso de repelentes em excesso traz danos à saúde

01:52 · 23.04.2013
Leitura atenta dos rótulos dos produtos evita a possibilidade de intoxicação por ingredientes químicos

Os repelentes formam uma camada de vapor (protetora) na superfície da pele que exala odor sensível aos insetos, o que os impede de se aproximar da pele. É preciso atenção, a substância pode ser tóxica se usada inadequadamente FOTO: AGÊNCIA DN

Picadas de mosquitos são sempre incômodas, ainda mais quando a incidência desses insetos aumenta devido às altas temperaturas ou quando transmitem doenças como dengue e malária. Um dos principais meios para evitá-las é a aplicação de repelentes na pele. Entretanto, poucos sabem que o uso exagerado do produto é prejudicial à saúde. É preciso estar atento ao modo de aplicação presente no rótulo e aos elementos químicos que o compõem o produto.

Segundo a dermatologista Maggy Poti, presidente regional da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o principal atrativo aos mosquitos são locais quentes e escuros, além do suor e de perfumes à base de essências florais. Os repelentes formam uma camada de vapor na superfície da pele que exala um odor sensível aos insetos, impedindo-os de se aproximar do corpo.

Os elementos que causam tal efeito são o DEET (dietiltoloamida) e a picaridina, substâncias químicas sintéticas utilizadas em repelentes disponíveis no mercado. Apesar de largo uso no mercado, essas substâncias podem ser tóxicas caso não aplicadas corretamente.

Composição

De acordo com parecer técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso de repelentes com DEET é inapropriado as crianças menores de 2 anos e, acima dessa idade, a concentração do composto não deve passar dos 10% devido à sensibilidade cutânea característica da pele da criança. A quantidade de aplicações deve ser restrita a apenas três vezes/dia; dormir com o produto na pele não é recomendado.

"O uso excessivo de repelentes com essa composição química pode ocasionar reações como dermatites (inflamação crônica da pele), alergias respiratórias e, em casos mais graves, efeitos neurológicos", informa a dermatologista.

Outros compostos dos repelentes são os óleos essenciais não tóxicos, como os encontrados na citronela, no eucalipto, na soja e no cedro. Por serem naturais, são menos agressivos e podem ser usados mais vezes durante o dia, mas também possuem menor eficácia. Seu efeito dura cerca de 30 minutos, enquanto os químicos variam de 4 a 6 horas. "Produtos com DEET ou picaridina são eficazes, porém é indispensável controlar a posologia e seguir o modo de aplicação contido no rótulo", alerta.

A psicóloga Alaíde Morais, 38, sempre esteve atenta à alergia cutânea a picadas de mosquito de sua filha Lara, de 4 anos. Desde pequena, Lara apresentava reações de coceira na região atingida e, por isso, decidiu procurar auxílio médico. "A dermatologista alertou que até os 2 anos de idade não era indicado usar repelentes químicos. Então, sempre utilizava hidratantes e produtos manipulados à base de citronela", relembra.

Para Alaíde, os pais devem conferir quais produtos irão aplicar nos filhos e o modo adequado de uso. "Não se pode comprar qualquer produto. É preciso observar o rótulo para saber se o produto é indicado a criança e quantas vezes é recomendada a aplicação durante o dia. O melhor é procurar um dermatologista, que irá indicar o melhor produto", acrescenta.

Recomendações

Maggy Poti também lembra que, para garantir eficácia e nenhum dano à saúde, é preciso levar em conta o modo de aplicação. "Espalhar o repelente de forma homogênea na região desejada, limitar o uso de perfumes se for aplicá-lo. Caso use com protetor solar, aplique o protetor e aguarde um tempo para usar o repelente. Em áreas cobertas por roupas, ele não é necessário".

Para evitar intoxicação, o produto deve permanecer fora do alcance das crianças e somente adultos devem manuseá-lo, higienizando as mãos logo em seguida.

Para livrar-se das picadas de mosquitos, o ideal é seguir várias estratégias que vão além do uso do repelente, como telas protetoras e roupas longas. "Aos bebês abaixo de 2 anos, é indicado usar telas protetoras. Acima dessa idade, os repelentes químicos sintéticos, com concentrações descritas, também são seguros", adverte a médica.

Resolução Anvisa

No dia 8 de abril, a Anvisa definiu normas para regulamentar embalagens dos repelentes existentes no mercado. Os fabricantes terão um prazo de 1 ano e 6 meses para realizar as adaptações. A psicóloga defende a decisão. "É uma forma de ajudar os pais a evitar o contato da criança com o produto, que é muito perigoso".

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