ALOPECIA

O sobe e desce dos hormônios

04:22 · 13.11.2011
( )
( )
Queda de cabelo na mulher pode sinalizar disfunções hormonais, estresse e até problemas mais graves

Toda mulher, pelo menos em algum período da vida, já se apavorou ao perceber que o seu cabelo estava caindo. Na escova, no ralo do banheiro ou no travesseiro, o excesso de fios denuncia que há algo de errado acontecendo e que vai além da questão estética, tão importante para a autoestima feminina.

Muitas buscam tratamentos milagrosos para o fortalecimento capilar, mas a maioria não se dá conta de que a alopecia temporária está inteiramente relacionada com a saúde orgânica.

Conforme a dermatologista, dra. Fernanda Viana Melo, a queda de cabelo é um evento comum nas mulheres por conta da variação hormonal a que estão sujeitas em várias fases da vida. Também pode sinalizar estresse e problemas de saúde mais graves. "Há períodos em que o cabelo cai mais, porém, de maneira fisiológica", explica a médica.

O couro cabeludo contém, em média, cerca de 100 mil fios. Normalmente, cerca de 100 deles são perdidos diariamente, quando tomamos banho, escovamos e prendemos o cabelo, sendo repostos por novos, chamados de telogênicos.

Quando esses números ultrapassam o limite da normalidade e é constatada uma diminuição do volume do cabelo ou áreas sem fios é hora de consultar um especialista para tentar descobrir a causa do problema, já que, só assim é possível iniciar o tratamento adequado.

"Além da queda fisiológica, alguns fatores como estresse, cirurgias, carências nutricionais como anemia, noites sem dormir, doenças da tireoide, autoimunes, específicas do couro cabeludo e até transtornos psiquiátricos, dentre outros fatores, podem causar queda de cabelo, afirma a dra. Fernanda Viana.

Hormônios em excesso

Segundo a endocrinologista, dra. Gretna Maia, na mulher vários hormônios interferem na unidade pilosebácea e com o ciclo de crescimento do cabelo de diferentes formas. "Quando acontece uma mudança muito grande na concentração de hormônios no sangue - por exemplo, durante a gravidez - todo o couro cabeludo sofre com a ação dessa influência. Quando ela cessa abruptamente (no pós parto), o cabelo acaba caindo", explica.

Os principais hormônios relacionados com a alopecia, de acordo com a médica, são os andrógenos como a testosterona, que é convertida em seu metabólito ativo, a diidrotestosterona, que causa a miniaturização dos folículos capilares no couro cabeludo, fazendo com que o cabelo enfraqueça e caia. São mais comuns na gravidez (em mulheres predispostas geneticamente) e no início da puberdade.

A correção do problema é possível com o controle da causa principal dessa produção excessiva de andrógenos. Isso se dá com a utilização de medicamentos que regulam a secreção hormonal inadequada para o organismo feminino.

Outra causa hormonal da queda de cabelo está relacionada à tireoide. Pode ocorrer pela elevação da produção dos hormônios T3 e T4 devido ao hipertireoidismo ou pela ingestão errônea de L-Tiroxina para "emagrecer" ou pela diminuição das taxas hormonais, que reduzem a espessura dos fios, tornando-os mais fracos e quebradiços.

Já a falta de hormônios da tireoide (hipotireoidismo) é uma causa de queda dos cabelos e pelos do corpo. No pós parto também pode haver diminuição de L-Tiroxina.

O uso de anticoncepcionais, segundo a dra. Gratna Maia, pode ajudar no tratamento da alopecia. Porém, outros podem piorar ou desencadear o problema. "É preciso que esse tipo de medicamento seja ministrado pelo profissional adequado", alerta.

Múltiplas causas

Vários outros medicamentos também podem desencadear a alopecia feminina, como os quimioterápicos a anti-hipertensivos, imunosupressores, antidepressivos e anticonvulsivantes.

Para a dra. Fernanda Maia, alguns tratamentos capilares - principalmente os que envolvem o uso de formol e amônia - devem ter o cuidado redobrado. O calor em excesso e os "puxões" das escovas e chapinhas, em cabelos já enfraquecidos, também pode estimular a queda.

Questões nutricionais como regime de emagrecimento, deficiência proteica, de ferro, de zinco ou mesmo estados estressantes prolongados, podem, conforme cita o clínico geral e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), dr. Aglaerton Pinheiro, interferir na aparência dos fios e provocar a alopecia. Por isso, o médico alerta sobre a importância de manter uma dieta equilibrada e procurar orientação profissional durante regimes alimentares.

Tratamento

Qualquer tratamento é mais eficaz e duradouro se o diagnóstico for preciso; a cooperação entre o endocrinologista e o dermatologista é essencial. "Precisamos primeiro identificar o agente causador para que possamos iniciar o tratamento adequado. O diagnóstico pode ser clínico ou necessitar de exames complementares e deve ser orientado pelo dermatologista", enfatiza a dra. Fernanda Maia.

Dependendo da causa, as medidas podem ser simples. No caso de medicamentos, a suspensão deles (se possível) é a melhor opção. Suplementos vitamínicos devem ser oferecidos a pacientes que possuem deficiências nutricionais.

A dermatologista informa ainda que os produtos que usam plantas medicinais promentendo acabar com a queda, podem apresentar resultados variáveis entre os pacientes e, por isso, precisam ser avaliados. Em se tratando de fatores hormonais, o endocrinologista deve trabalhar com tratamentos específicos que podem ser mais demorados.

Perda

100 mil é o número médio de fios de cabelo presentes no couro cabeludo. Mais de 90% deles estão em fase ativa de crescimento e cada um tem um período de vida de três a sete anos.

Prevenção

Lavar regularmente os cabelos com água morna, usando xampu e condicionador próprio para o fortalecimento dos fios;

Manter uma alimentação balanceada, uma vez que a ingestão de vitaminas em excesso (principalmente A e E) pode causar queda de cabelo;

Fazer check up regularmente e cuidar da saúde, pois a baixa da imunidade por conta de infecções contribui para o problema;

Ficar longe de tratamentos de beleza que agridam os cabelos como colorações permanentes, alisamentos, dentre outros.;

Evitar estilos de penteado como dread e rabos de cavalo muito apertados;

Consultar com frequência o dermatologista, procurando se informar sobre os produtos específicos para seu tipo de cabelo.

ANAMÉLIA SAMPAIO
REPÓRTER

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.