Yoga

O lúdico traz ganhos físicos e emocionais

00:00 · 07.10.2013
Na prática para adultos, as posturas exigem maior força física, flexibilidade, além de estimular o sistema hormonal, o que não é indicado nessa fase de desenvolvimento da criança. "As aulas variam conforme a atenção delas. Nada é fixo! Não tem uma série de exercícios pré-estabelecida. O importante é que mantenham o interesse para aprender e se divirtam", afirma Fabiana Grego.

Durante a aula de Yoga, as crianças imitam o herói "Super Homem" para fazer a postura da prancha (suspensa) por meio de brincadeiras Fotos: Fabiane de Paula

Os benefícios são inúmeros e refletem em aspectos físicos e psicológicos. A prática estimula a concentração, a sociabilidade, a criatividade, o equilíbrio emocional e físico, a autoconfiança e a autoestima, reduz o estresse e aprimora a respiração, uma vez que ensina a desenvolvê-la corretamente. Também aumenta a força, a flexibilidade, a agilidade, a coordenação motora, assim como a lateralidade, a consciência corporal. Massageia os órgãos internos e anula a tensão muscular.

Posturas de equilíbrio

Apesar de destinado a toda e qualquer criança (da condição física ou mental), é a partir de quatro anos que há um maior aproveitamento e desenvolvimento efetivo. Diante da demanda de consciência do todo, as limitações são semelhantes às enfrentadas pelos adultos. "Algumas crianças sentem dificuldade nas posturas de equilíbrio e outras no relaxamento ao final da aula, assim como na flexibilidade e na concentração. O mais importante é que, gradativamente, os limites vão sendo superados e elas ganham confiança", diz Carina Pinheiro.

Glória em Sukhasana com as mãos em Namaskara Mudra (posição de prece)

Por esses aspectos, o Yoga auxilia na hiperatividade, na ansiedade, no estresse, no déficit de atenção, na agressividade, na depressão, na obesidade e na socialização. "Há cerca de 4 anos, tive um aluno de escola pública, que morava longe e pegava dois ônibus para vir à aula. Me realizava em poder ajudá-lo, já que era uma criança agressiva e costumava brigar no colégio. A identificação dele com a prática foi tão grande que não faltava nenhum dia; logo os benefícios começaram a aparecer. Diminuiu a agressividade, melhorou nos estudos e passou a obedecer mais à mãe", relata.

Da espontaneidade, os alunos mostram intimidade com o Yoga. "Lembro-me da primeira aula, quando uma menina de três anos se sentou em posição de meditação ao meu lado (com as mãos em gyan mudra - polegar e indicador juntos e os outros dedos esticados), fechou os olhinhos e entoou OM OM OM", recorda Fabiana.

Bons exemplos

Na maioria das vezes, as crianças são levadas pelos pais que praticam ou que conhecem os efeitos do Yoga. É o caso de Glória, 10 anos, que começou por influência da mãe, Manuela do Vale Uchoa. "Acho uma prática fantástica para o organismo e o comportamento em qualquer idade. Sempre quis fazer, mas nunca encontrei horário que se adequasse ao meu. Em uma das buscas pela internet, encontrei as aulas para crianças e, como via a Glória assistindo um desenho animado que o personagem fazia Yoga, perguntei se ela tinha interesse em fazer. Na primeira aula, a professora disse que ela tinha consciência corporal", relembra a mãe.

Com um mês de prática, Glória percebe mudanças na flexibilidade e já sabe alguns mantras. A mãe conta que em momentos de lazer, a filha faz as posições facilmente. "Apesar dela fazer hip hop, natação, teatro e coral, acredito que o Yoga dá disciplina e benefícios duradouros. Além de ser algo que Glória curte e que, se decidir criar o hábito, pode levar para a vida toda", diz Manuela.

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

A importância da atividade física na infância

O movimento é a atividade primordial da infância. Nesta etapa da vida, principalmente dos dois aos seis anos, é preciso oferecer oportunidades para que a criança possa desenvolver as habilidades naturais como andar, correr, saltar, saltitar, rolar, equilibrar-se, subir, lançar, arremessar, receber, chutar, etc.

As crianças estão sendo privadas de tempo e espaço para as brincadeiras, reduzidos cada vez mais. Já não se constroem residências com jardins ou quintais. Os condomínios são minúsculos, onde as crianças precisam disputar espaços entre a mobília. Já não se pode brincar nas calçadas ou nas ruas, tomadas pelos carros e pela violência. Nas horas para as brincadeiras, elas ficam juntas à TV, ao videogame, ao computador e outros eletrônicos, que não proporcionam nenhuma interação com outras crianças.

Uma pesquisa feita no Canadá, publicada no BioMed Central (2012), com crianças de 2 a 4 anos, alerta que a cada hora que uma criança passa em frente à TV, todo o dia, pode representar meio centímetro a mais de barriga, comprometendo o tônus muscular e a capacidade atlética. É preciso que os pais proporcionem às crianças espaço e tempo para brincar, combatendo o sedentarismo. A escola pode se tornar uma grande aliada e oferecer a disciplina Educação Física, da pré-escola ao Ensino Fundamental I, como obrigatória.

Outra preocupação é a iniciação precoce em alguns esportes. Cedo os pais matriculam os pequenos em escolinhas, onde treinam gestos técnicos, que não são aconselháveis neste período. Se os pais desejarem iniciar os filhos em atividades fora do contexto escolar, devem observar: 1) Liberdade para que elas escolham as atividades, pois devem ser prazerosas; 2) Oferecer várias ações para que elas experimentem habilidades (natação, voleibol, basquete, handebol, futsal, andar de bicicleta, patins); 3) Procurar uma instituição com profissionais qualificados (professores de Educação Física graduados, pedagogos, psicólogos, nutricionistas); 4) No caso de uma atividade sistematizada, acho que três vezes por semana, de 30 a 40 minutos, seria o ideal.

Fernanda Goersch Fontenele
Prof. do Curso de Educação Física da Unifor

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.