SOLIDARIEDADE

O amor em ação

03:37 · 13.02.2011
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Afeto e conduta proativa consigo e com os outros elevam imunidade e qualidade de vida

A mudança de estilo de vida tem sido significativa e determinante para alterações de quadros de saúde até há alguns anos atrás tidos como fatais. Nesta esteira encontramos, dentre outros problemas, o câncer, as doenças cardiovasculares e também a Aids, esta última ainda bastante estigmatizada devido à sua estrutura contagiosa e, sobretudo, pela via que ainda mais sucede, a sexual.

A educadora social Maria (nome fictício), hoje desempregada e com 33 anos, estava grávida em 2003 quando realizou os exames do pré-natal. Tudo estava normal, com uma variante bastante assustadora: ela era portadora do HIV.

Os exames foram refeitos algumas vezes, com o mesmo resultado em todos, ou seja, Cd4 com 21 cópias e carga viral indetectável, na época. O curioso é que o esposo e pai de seu filho, José (nome fictício), repetiu todas as vezes os testes, sem nenhum sinal do vírus.

Cássia seguiu a prescrição médica de fazer uso dos anti-retrovirais, a fim de seu bebê não ser afetado. E, também, de não amamentá-lo. De fato, o filho, hoje com sete anos de idade, conseguiu ficar livre de ser infectado pelo vírus.

Cidadãs positivas

Tudo parecia correr bem, até que em 2005 sofreu uma séria recaída. A tristeza e o medo tomou conta da alma e do corpo de Maria neste período. "Não conseguia fazer nada. Estava totalmente sem ânimo. Foi quando conheci pessoas do grupo Cidadãs Positivas. Ao sair do isolamento, unir-me a outras pessoas com o mesmo problema, passei a ver tudo de forma diferente. A luz voltou a brilhar", diz.

O casamento foi por água abaixo, sendo obrigada a voltar a morar com a mãe. Foi quando sentiu que deveria se abrir e compartilhar seu segredo com as irmãs. "Minhas amigas já me davam um apoio incondicional. Quando minhas irmãs passaram a fazer o mesmo, me senti muito mais fortalecida para enfrentar o problema e seguir com meu propósito de criar e educar bem meu filho", relata, reforçando que o cultivo da dimensão espiritual (hoje é evangélica) a tem ajudado muito, sobretudo na integração com grupos que apoiam outros pacientes com problema idêntico.

Além disso, pensar positivamente acerca da vida e de seus problemas inerentes, buscar compreender e aceitar a doença, focalizar imagens mais favoráveis de sua saúde e realizar práticas simples de Yoga (respiração e meditação) têm se revelado como sustentadores do seu empenho em prosseguir com uma vida que vale a pena ser vivida.

Maria credita também seu bem-estar psicofísico às ricas trocas de apoio, afeto, informações e talentos após seu ingresso na Rede de Solidariedade Positiva, uma Organização não governamental (ONG) com mais de 100 membros.

Ela faz parte de um dos grupos mais atuantes e participativos da Rede (cerca de 20 pessoas), onde 11 dos quais compuseram uma amostragem inicial realizada pelo físico, professor da Universidade Federal do Ceará (já aposentado) e terapeuta quântico, Harbans Lal Arora. Ele acompanha os integrantes dessa ONG e outras instituições que assistem pacientes com quadros graves de saúde.

Terapias quânticas

Há cerca de oito anos, Arora orienta todos os que vivem com HIV a estabelecerem uma rotina de vida mais equilibrada, contribuindo para que fortaleçam o sistema imunológico. Tanto é que, alguns deles - com mais de 10 anos de diagnóstico da doença - ainda não tomam sequer medicamentos específicos, mantendo boa saúde. Todos realizam exames regulares e são atendidos por uma equipe médica.

Há três anos, Arora, juntamente com a esposa Vedi, professora de Yoga, as filhas, a psiquiatra Anmol, a psicóloga e também instrutora de Yoga, Subhashni, e, ainda, a fisioterapeuta Lize Magalhães Barroso, registraram suas experiências com o cuidado do ser de forma integral na obra "Terapias Quânticas" (Ed. QualityMark). Trata-se de um registro sistematizado das aplicações do Yoga milenar para diversos problemas, o que Arora descreve como terapias quânticas ou integrativas e transdisciplinares.

Neste contexto, pacientes com HIV/Aids, câncer e outros problemas, de brandos a severos, são ouvidos, acompanhados e motivados a cuidarem de si e de sua vida como um todo. Isso inclui estarem próximos e darem as mãos amorosas aos demais que estejam sofrendo.

Diálogo e empatia

A escuta com empatia, revela Arora, estabelece um diálogo franco e aberto. Com essa abertura favorável, qualquer pessoa acolhe receptiva orientações de novas condutas que vão levá-la a sair da posição de vítima e refém da vida e da doença. Na sequência do acompanhamento, seu sistema imunológico volta a ser ativado de forma positiva, descreve.

O médico, especialista em infectologia, professor de Medicina do Centro de Ciências da Saúde da Universidade de Fortaleza (Unifor), e preceptor da residência médica do Hospital São José, Keny Colares, destaca um ponto importante no tratamento das doenças infecto-contagiosas em geral e do HIV/Aids, em particular.

A melhor conduta, diz, desponta a partir de um diagnóstico precoce. Como se trata de um problema de evolução lenta (em geral, são transcorridos de cinco a 10 anos entre a contaminação e o desenvolvimento dos sintomas) existe tempo para buscar ajuda.

"É importante não esperar adoecer para procurar atendimento", avisa, lembrando que o Núcleo de Atenção Médica Integrada da Unifor (Nami), desde agosto de 2010 já conta com um setor de Infectologia, onde são atendidos os pacientes diagnosticados com HIV/Aids.

"Alguns pacientes graves que já tratei até conheciam seu estado sorológico há muitos anos, mas preferiam fugir da realidade. Isto certamente tem uma relação estreita com o preconceito", afirma Keny Colares.

Outra chave para o sucesso do tratamento é, segundo Dr. Keny Colares, realizar um acompanhamento regular. Se estiver assintomático, isto será determinado por seus exames, que devem ser feitos regularmente, a fim de receber o tratamento adequado.

Esclarece ser possível iniciar o tratamento mesmo sem o paciente apresentar qualquer sintoma específico da doença. "O ideal é que ele nunca chegue a desenvolver os sintomas da Aids. E ao iniciar o tratamento, deve fazê-lo de forma regular", informa o médico infectologista.

Conhecimento

"Os animais de sangue quente gostam de ser tocados. O contato traz a paz. O abraço é o melhor tratamento para a depressão"

Harbans Arora
Físico e terapeuta, emprega técnicas de Yoga milenar integradas à Medicina

"Os avanços no combate à Aids trouxeram conhecimentos em muitas doenças, sobretudo as virais"

Keny Colares
Médico infectologista, professor do curso de Medicina da Unifor

Fique por dentro
Comportamento mais saudável

O comportamento e estilo de vida são grandes chaves para as pessoas - mesmo acometidas pelo HIV - manterem bom estado de saúde por muitos e muitos anos.

Os denominados grupos de risco do início (homossexuais masculinos, pacientes submetidos a transfusões de sangue e usuários de drogas injetáveis), no decorrer dessas três décadas da Aids foram alterados. Como objetos contaminados pelas substâncias como sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno são transmissores do HIV, entende-se que há na verdade comportamentos de risco com perigo do contágio.

Os médicos hoje confirmam que tão logo se identifique a presença do HIV, exames regulares vão orientar o estado de saúde da pessoa, o tratamento adequado e o comportamento favorável à manutenção do sistema imunológico. Este sinaliza possíveis contágios, não só do HIV mas de outros problemas e DST´s como a Hepatite B (metade da população mundial já é infectada por este vírus).

Há portadores do vírus HIV há mais de uma década sem qualquer manifestação da doença e sem necessidade de medicamento. Mantêm uma vida regrada e normal, com qualidade. O estado emocional depressivo, o estresse e os excessos praticados são sempre muito prejudiciais à saúde.

ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

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