Incidência

Novo tratamento para o melanoma

00:32 · 07.05.2013
Pacientes que integram o Programa de Acesso Expandido relatam os bons resultados obtidos com a nova droga

O câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil, representando 25% de todos os tumores malignos registrados. Desses, o melanoma corresponde apenas a 4% do total, embora seja a forma mais invasiva da doença. O melanoma atinge o tecido epitelial, que reveste a superfície externa do corpo, órgãos e cavidades internas.

Os efeitos dos raios ultravioleta são acumulativos. Evitar o sol e observar o surgimento de pintas na pele são medidas preventivas essenciais FOTO: REPRODUÇÃO


O distúrbio origina-se nos melanócitos, células produtoras de melanina (substância que determina a cor da pele e a protege contra a radiação solar) e tem predominância em adultos brancos. Causa lesões na pele, nas membranas mucosas, nos olhos e no sistema nervoso central. Em pessoas de pele escura, as lesões ocorrem com mais frequência nos pés e nas mãos.

Em geral, o melanoma tem chances de cura quando detectado na fase inicial. Nos últimos anos, houve um considerável avanço no diagnóstico da doença, auxiliando no tratamento precoce e na sobrevida dos pacientes. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2012, cerca de 6 mil pacientes, entre homens e mulheres, foram diagnosticados com melanoma.

As estatísticas, divulgadas durante o Simpósio Internacional do Melanoma, realizado dia 26 de abril, em São Paulo, foram apresentadas pelos oncologistas Antônio Carlos Buzaid, chefe-geral do Centro Avançado de Oncologia do Hospital São José, e Sanjiv Agarwala, chefe da Unidade de Hematologia e Oncologia do St. Luke´s Cancer Center.

Fatores de risco

O principal fator ambiental é a alta exposição aos raios ultravioleta (UV). Segundo o Dr. Antônio Buzaid, a infância e a adolescência são os períodos mais críticos, uma vez que o histórico frequente de queimaduras solares pode gerar melanomas na fase adulta.

"Um terço dos casos é causado pelo tabagismo, outro terço pela má alimentação, e o restante é multifatorial", explica o oncologista.

A alta densidade de nevos displásicos (pintas na pele) também é um forte indicativo de problemas futuros. Outra causa relevante é o histórico familiar. Estima-se que 10% dos pacientes diagnosticados têm, na família, algum parente com caso semelhante.

Novo tratamento

As condutas para combater o melanoma evoluíram muito nos últimos anos. Os avanços se devem, principalmente, à imunoterapia como forma de estimular a imunidade do indivíduo. Nesse sentido, a Bristol-Myers Squibb traz ao Brasil o Yervoy (Ipilimumabe), medicamento que auxilia pacientes previamente tratados e que se encontram na fase avançada da doença (metastática).

O novo tratamento foi realizado em 676 pacientes com melanoma avançado ou com tumores que não podiam ser removidos cirurgicamente, já tendo recebido outros tipos de medicação. Cerca de 15 pacientes brasileiros participaram dos testes clínicos com a nova droga, enquanto 500 receberam o medicamento por meio do Programa de Acesso Expandido. O projeto é regulamentado pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) que disponibiliza medicamentos ainda em fase de aprovação, mas com eficácia demonstrada.

No Brasil, o método se tornou disponível a partir de março de 2013. "É um tratamento personalizado, que age diretamente no tumor, ao contrário de outros, que tem o organismo inteiro como alvo". Sanjiv Agarwala salienta que não há necessidade de o paciente permanecer hospitalizado, já que o medicamento é aplicado de maneira tópica, feito com apenas quatro infusões no período de três meses.

A professora Adriana Van Deursen, 48, foi uma das pacientes que participou do Programa de Acesso Expandido. O primeiro sinal da doença ocorreu há 9 anos, quando surgiu uma pinta escura em seu braço esquerdo e ainda era possível controlar o avanço por meio de exames periódicos. À medida que o câncer evoluiu, Adriana foi submetida a sessões de quimioterapia, mas sem sucesso. "Foi um choque quando eu recebi a notícia de que estava com melanoma metastático. Somente com esse tratamento o câncer foi sarando", comenta.

Gizélia Batista, 54, participa do tratamento devido a nódulos malignos nos pés e nas mãos. Afirma que os medicamentos convencionais, em seu caso, não surtiram efeito. "Eu precisava ficar em observação e não podia voltar ao trabalho. Sou professora de Educação Física e, hoje, continuo tratando os nódulos e dou minhas aulas normalmente", conta.

O oncologista Antônio Buzaid esclarece que, em um terço dos pacientes, pode ocorrer algum tipo de efeito colateral, como reações inflamatórias em diferentes órgãos, tal como erupções cutâneas. "Essas reações acontecem devido à estimulação do sistema imunológico do paciente e são facilmente contornáveis", conclui o médico.

*O Vida viajou a convite do Simpósio de Melanoma

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