Bipolar

Nos altos e baixos da vida

00:11 · 13.08.2013
O diagnóstico precoce é vital, assim como nas demais patologias. Para o TB, a tendência é que ocorra em estágios, a exemplo da Oncologia

Há fases na vida de C.V.L, 43 anos, onde "ou tudo ou nada" é a expressão que melhor define a intensidade com que esse administrador de empresas expressa seu estado de humor. Na maior parte dos episódios, a tristeza sem razão aparente, perda de interesse e prazer prevalecem. No entanto, com a mesma força que tais comportamentos o fazem quedar diante da vida, surge uma alegria desmedida, uma coragem que o faz envolver-se em atividades de risco tal qual uma criança que coloca o dedo em uma tomada sem noção do perigo que a espreita.

Para quem nunca procurou ajuda especializada, os sintomas descritos sugerem alteração do humor e necessidade de tratamento. É importante lembrar que 10% a 20% dos pacientes bipolares apresentam os primeiros episódios como quadro depressivo. Irritabilidade e alterações do sono (dificuldade para adormecer e manter o sono) são os sinais de alerta de piora no quadro no caso de quem já foi diagnosticado.

"Quando esses sintomas aparecem é porque algo não está bem; funcionam como termômetro ou sinalizadores. Deve-se procurar ajuda para que eles não progridam", esclarece Valéria Barreto Novais e Souza, Doutora em Farmacologia - Universidade Federal do Ceará (UFC) e MPhill em Psiquiatria - Universidade de Edimburgo.

Diagnóstico em estágios

Até os anos 1980, o transtorno afetivo bipolar era chamado de psicose maníaco-depressiva. A mudança na nomenclatura se deu devido à observação de que nem todos os pacientes que apresentavam alternância de humor registravam sintomas psicóticos (delírios, ideias de perseguição, de grandeza, alucinações, ouvir vozes).

A diagnose continua a ser clínica (histórico familiar, sintomas e comportamento). No entanto, dados de estudos genéticos, neurofisiológicos, neuropsicológicos, neuroimagem e neuroquímica sugerem a necessidade de investigação baseada nestas informações.

Hoje, os critérios são do Código Internacional de Doenças (CID-10) e do Manual de Diagnóstico Estatístico (DSM-V). O Instituto Nacional de Saúde Mental considera o Research Domain Criteria - RDoC, baseado em neurobiologia e comportamento baseado em dados genéticos, neuropsicológicos e de neuroimagem.

A médica confirma que há uma tendência para o diagnóstico ocorrer sob a forma de estágios (geralmente em números de I a IV) como acontece na Oncologia. "Isso reforça a necessidade de ser bem feito e precoce. O estadiamento acontece por meio de dosagem de BNDF (fator neurotrófico cerebral)".

A importância do diagnóstico precoce é reforçada pela perda neuronal decorrente das crises: quanto mais episódios, maior será a perda neuronal que leva a déficits cognitivos. Há chance de evoluir para demência e perigo de cronificação. A dificuldade do paciente responder ao tratamento pode implicar na necessidade de doses mais altas, associação de outros psicofarmácos, e consequente demora para estabilização do quadro.

GIOVANNA SAMPAIO
EDITORA DO VIDA

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