garganta

Não é só a alergia que causa pigarro e tosse

00:00 · 21.01.2014
O ato de coçar a garganta não deve ser visto como algo normal e precisa ser investigado, alerta especialista

Já ouviu alguém coçar a garganta ou que faça esporadicamente um barulho semelhante a um porquinho ou, ainda, sentiu na própria pele essa vontade? Se a resposta for afirmativa, fique atento. Segundo o otorrinolaringologista Jorge Evandro, a princípio o sintoma não faz mal, mas é um sinal de alerta que merece ser investigado.

Quando ocorrer os eventos de coceira, o recomendado é hidratar a mucosa da garganta com a ingestão de água levemente gelada ou uma bala com sabor de menta. "Essas medidas ajudam momentaneamente a reduzir o sintoma", diz o membro benemérito da Fundação de Otorrinolaringologia, membro da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e especialista pela Sociedade Brasileira da Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervico-Facial.

Múltiplos fatores

As causas das ocorrências podem ser causadas por diversos fatores. Isso porque, a garganta é repleta de órgãos de defesas (sistema linfático), que combatem a infecção de vírus e bactérias.

No início de um processo inflamatório infeccioso ou alérgico, o incômodo pode ser o primeiro sintoma, sendo um sinal para que seja desencadeado um quadro inflamatório. "A alergia respiratória e o refluxo laringofaríngeo, estão entre os principais causadores de coceira e pigarro na garganta", afirma o médico.

O paciente deve estar atento a tais sintomas, pois o fato de coçar a garganta com insistência pode gerar uma evolução no quadro infeccioso a longo prazo, piorando o quadro. O otorrinolaringologista explica que o ato provoca um atrito na musculatura do palato mole e da faringe, o que deve resultar em um processo inflamatório local ou intensificar um problema já existente.

Inflamação ou infecção?

Para evitar a coceira, o primeira passo é identificar o fator que está desencadeando o evento. Se a coceira for proveniente de um refluxo laringofaríngeo, onde o ácido gástrico atinge a garganta e provoca um processo inflamatório, o procedimento será o tratamento do refluxo e orientações e a adoção de uma nova dieta alimentar. Mas se for um quadro infeccioso, será por meio de medicações.

E, nos eventos alérgicos (ex: faringite alérgica), destaca o médico, o importante será identificar o alergêno causador, que normalmente é associado a fatores existentes no ambiente domiciliar, assim como fazer a remoção do mesmo e usar medicação.

Geralmente, esse último quadro de faringite alérgica, pode provocar a ocorrência de coceira na garganta durante o sono. O quarto de dormir é um ambiente repleto de ácaros e fungos, principalmente depositados no colchão e no guarda-roupa. Durante o sono, o indivíduo pode involuntariamente coçar em uma reação espontânea em relação a presença dos micro-organismos suspensos no ar.

"O ato pode evoluir para uma piora no quadro inflamatório e, assim, aumentar as chances de se tornar um episódio bacteriano. Nesse caso, já será necessário o uso de antibiótico", ressalta o médico. Por isso, é fundamental ter uma atenção especial com a limpeza do quarto, com a idade do colchão e dos travesseiros a fim de que seja providenciada a correta assepsia do ambiente.

Coçar não é normal

Diante desses aspectos, pode-se dizer que, se a garganta está coçando, significa que existe algo errado no organismo. A busca de ajuda médica (logo aos primeiros sintomas) é o mais indicado, pois tal condição aumentam as chances de tratar a doença rapidamente. "Não é normal coçar a garganta. Toda doença tratada no início dos sintomas evita possíveis complicações. Até algumas medicações de uso contínuo podem desencadear esse sintoma", frisa o médico.

Limpeza do quarto

O quarto de dormir deve ser considerado, segundo Dr. Jorge Evandro, como o local mais importante de uma residência, pois é lá que o indivíduo permanece cerca de oito horas por dia. Isso explica a importância de evitar o uso de edredons e travesseiros de penas. Além disso, é prudente evitar a presença de bichos de pelúcia, pois armazenam muita poeira e não devem permanecer expostos. Animais de estimação no quarto de dormir também não devem aceitos (pelos mesmos motivos).

Higiene do piso

Os pisos lisos são mais fáceis de limpar e não abrigam ácaros, necessitando de limpeza diária com pano úmido e aspirador. Os tapetes devem ser lavados semanalmente. Os ideais são os mais finos e pequenos, pois são práticos e fáceis de higienizar.

As cortinas leves são as mais adequadas já que permitem lavagem frequente. Outro detalhe importante: a roupa de cama precisa ser trocada toda semana. A mesma periodicidade deve ser dada a limpeza do guarda-roupa (deve ser feita sempre com um pano úmido e álcool). Além disso, paredes úmidas, frias e com vazamentos, devem ser identificadas e reparadas para eliminar a umidade no ambiente.

"Não varra nem espane, pois a poeira fica suspensa no ar por 12 horas. Passe sempre um pano úmido sobre os móveis e no chão, se possível, diariamente; deixe os ambientes abertos para arejá-los e para que o sol entre neles o maior tempo possível", recomenda Dr. Jorge Evandro.

Quanto ao colchão, o médico explica que cada fabricante possui um tempo determinado para a troca, que varia de 5 a 10 anos. "Em relação a alergia é essencial verificar o estado do colchão e dos travesseiros. A ocorrência de manchas amareladas ou escuras, pode indicar a presença de ácaros e/ou fungos", complementa.

Aspirador de pó

Em ambos, o otorrinolaringologista indica o uso de aspirador de pó (uma vez por semana) para auxiliar a retirar as impurezas acumuladas na espuma. Também é recomendado trocar o lado do colchão periodicamente, após 30 dias de uso; colocar no sol, pois a exposição à luz solar e a ventilação ajudam a retirar a umidade presente na espuma do colchão (impedindo o acúmulo de impurezas). Para os casos em que há dificuldade na limpeza, uma capa com forro impermeável evita que o suor e outras substâncias entrem em contato direto com a cobertura do tecido.

Ficar atento e colocar em prática essas medidas são formas de prevenção para reduzir os danos nos quadros de faringite alérgica e, consequentemente, aos sintomas de coceira na garganta.

VICKY NÓBREGA
ESPECIAL PARA O VIDA

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