Fotofobia

Muita luz é invisível aos olhos

01:52 · 23.04.2013
Sintoma causado por disfunção no organismo ou doenças oculares, a Fotofobia tem medidas paliativas e tratamento

Tentar fugir da claridade numa cidade conhecida como “Terra da Luz”, não é tarefa fácil. Mas quando essa aversão - que faz os olhos arderem, a cabeça latejar e desencadear uma enxaqueca - também acontece à noite, e as luzes do freio e dos faróis atingem a visão como agulhadas, é sinal de que há algo mais sério que precisa ser investigado.

Óculos com proteção ultravioleta (UV) é uma medida simples para amenizar a fotofobia. Já os óculos sem proteção UV podem trazer prejuízos, como acelerar quadros de catarata e perda de visão decorrentes a danos na retina foto: divulgação

De acordo com Dácio Carvalho Costa, presidente da Sociedade Cearense de Oftalmologia (SCO), a fotofobia não é uma doença, mas um sintoma que pode ser causado por algumas disfunções do organismo, mas é principalmente decorrente de doenças ligadas aos diversos elementos que formam o olho humano. “É um sintoma de que algo não está bem no nosso sistema visual, seja porque estamos nos expondo aos raios UV ou porque temos algum problema orgânico e que devemos nos recolher”, argumenta o oftalmologista.

Dependendo da causa, a fotofobia pode ser contínua ou surgir apenas em certas circunstâncias. “Algumas pessoas tem o quadro agravado no período vespertino, quando a diminuição da luz natural provoca o aumento do tamanho da pupila e as luzes artificiais se tornam extremamente incômodas”, diz.

Astigmatismo

O problema mais frequente é o astigmatismo, que está relacionado a anomalias estruturais da córnea, considerada a lente externa do olho.

A fotofobia ocorre para proteger o sistema óptico do excesso de raios ultravioleta (UV) provenientes de corpos luminos como o sol foto: Fabiane de Paula

Segundo o médico, a porção central da córnea é semelhante a uma esfera (superfície esférica), mas em cerca de 30% da população ela apresenta um formato que se assemelha ao oval (superfície tórica). Por esta razão, os raios luminosos não se concentram em um único ponto focal dentro do olho e espalham luz por todo o sistema óptico, provocando sensibilidade extrema.

A correção do astigmatismo é feita normalmente com a utilização de óculos ou lentes de contato. No entanto, é possível tratamento por meio de cirurgia refrativa (utilizando laser Excimer) ou implante de lente intraocular. “Cicatrizes na córnea, como as causadas por traumas perfurantes, queimaduras, pós-operatórios ou até mesmo por uma crise de conjuntivite viral são causas que podem levar à fotofobia”, acrescenta Dácio Costa.

Foco na íris

Alterações na íris também são fatores importantes, que devem ser analisados por um especialista. É nesta região do olho que se encontra a pupila, responsável por controlar a quantidade de luz que entra no sistema óptico.

“São pessoas que possuem certa aversão à claridade. Geralmente, quem tem olhos claros se inclui nesse grupo, pois existe uma predisposição a terem maior diâmetro pupilar e mais sensibilidade à luz. Outra causa é a inflamação da íris, frequente nas uveítes.

Filme lacrimal

A fotofobia está relacionada, ainda, a problemas no filme lacrimal, que podem ocasionar desregulação na superfície ocular, refratando de maneira inadequada a luz que chega do ambiente externo, como é o caso da síndrome do olho seco.

Além disso, a sensibilidade é comum como sintoma de distúrbios pontuais no sistema nervoso central, como enxaquecas frequentes, devido a pressão exercida por vasos sanguíneos na região da cabeça e do pescoço.

“O olho seco e a enxaqueca podem apresentar como gatilho maus hábitos alimentares, por exemplo o consumo excessivo de substâncias estimulantes como café, vinho ou chocolate”, explica o médico.

Proteção

Utilizar óculos escuros, mesmo os que não possuem proteção ultravioleta, confortam o sistema óptico e diminuem os incômodos gerados pela fotofobia. Entretanto, os problemas são frequentemente causados pela alta exposição aos raios UV.

“Neste caso, os óculos sem proteção UV continuam provocando aumento do tamanho da pupila e permitem que uma maior quantidade de luz ultravioleta atinja os olhos, acelerando quadros de catarata e perda de visão decorrentes a danos na retina (degeneração da mácula)”, afirma.

Os melhores óculos são os montados sobre lentes polarizadas, pois reduzem o ofuscamento. “Outra boa opção são as lentes fotocromáticas ou que escurecem no contato com o sol”.

Desconforto visual

A sensibilidade à luz também pode dificultar tarefas do cotidiano. “Sair de manhã, à luz do sol muito forte, é uma tortura”, afirma a estudante Jhéssica Diógenes, 21. Diagnosticada com astigmatismo quando criança, ela diz ter enxaqueca com frequência, o que agrava ainda mais a fotofobia.

Os óculos escuros amenizam o problema apenas durante o dia. “Sinto muito com as luzes de freio e do farol. Qualquer luz mais forte, durante um certo tempo, já desencadeia uma dor de cabeça. A solução é ir para um quarto escuro até a dor passar”.

A estudante Ana Janmilly, 19, foi diagnosticada com astigmatismo ainda criança. “Quando estou exposta ao sol muito forte fica difícil enxergar e a dor de cabeça é inevitável, fazendo com que não consiga me concentrar direito”.

Conforme a pedagoga Marilac de Souza, 48, “meus olhos doem e tenho vontade de mantê-los fechados ou cobertos”. Ela afirma que a sensibilidade à luz não limita suas atividades, já que sempre procura estar abrigada do sol, mas encontra dificuldade quando dirige. “Por precaução, já parei o carro e aguardei escurecer para continuar o trajeto”, relembra. Marilac diz que sua sensibilidade à luz é tamanha que chega a ter pesadelos com a claridade. “Sonho que estou em um lugar tão claro que não posso abrir os olhos”, conclui.

Atenção

Ao perceber a sensibilidade exagerada à luz, o primeiro passo é buscar o auxílio de um oftalmologista para obter o diagnóstico e a conduta de tratamento;

Lentes fotossensíveis são uma ótima opção para os portadores de fotofobia, já que se adequam a diferentes ambientes e intensidades de luz, gerando proteção e conforto aos olhos;

Escolher óculos escuros com selos de proteção ultravioleta garantem maior conforto, além de proteção contra doenças como catarata e degeneração da mácula;

Utilizar lentes de boa qualidade, que passam por rigor laboratorial, auxilia no combate ao incômodo causado pela fotofobia, além de preservar a saúde visual.

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