ÁLCOOL

Memória comprometida

03:38 · 23.01.2011
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Esquecimento de fatos recentes é um dos problemas cognitivos estudados em ex-alcoólicos, segundo estudo coordenado pelo Dr. Emílio Herrera Júnior, da Academia Brasileira de Neurologia. De acordo com o neurologista, 91% dos indivíduos entrevistados tiveram dificuldades em recordar algo ocorrido após cinco minutos de conversa, resultado de problemas na formação de raciocínio dos ex-consumidores de álcool, diretamente relacionados à frequência e ao tempo de consumo da droga.

"A região mais afetada do cérebro pelo álcool é o córtex pré-frontal, responsável pelas funções intelectuais, principalmente o raciocínio. Os estudos mostram que quanto maior a quantidade de álcool consumida ao longo do tempo, maior será a lesão desse órgão. O hipocampo, que é responsável pela memória, e o cerebelo, responsável pela coordenação motora e equilíbrio, também são afetados", revela a Dra. Célia Roesler, da ABN.

Padrões de consumo

Segundo o I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, feito pelo governo federal em 2007, 52% dos brasileiros acima dos 18 anos bebem. Desse total, 65% são homens e 11% deles bebem todos os dias. "O cérebro começa a ser afetado de acordo com a quantidade, frequência, idade de início e o tempo de consumo", ressalta a Dra. Célia Roesler.

Também é cada vez mais precoce a ingestão de bebidas alcoólicas por adolescentes: 13,9% iniciam o consumo de álcool entre 14 e 17 anos e 15,3% começam a beber entre 18 e 25 anos, sendo que esta última faixa etária é a que mais consome regularmente bebidas.

Dentre as bebidas mais consumidas pelos jovens está a cerveja, para 61%. A cachaça, com 66% do consumo, é a bebida alcoólica mais consumida no País. "As bebidas fermentadas como a cerveja ou o vinho têm um teor em torno de 15% enquanto que as destiladas, que passam por mais um processo (destilação), chegam a atingir 60% a 70% de álcool", diz Dra. Célia Roesler.

Considerado pela OMS um problema de saúde pública, o uso de álcool é muito mais prejudicial para o cérebro do jovem, que está em fase de formação, do que para o do adulto. "Por afetar o córtex cerebral, dificulta o aprendizado, faz com que tenha esquecimentos frequentes, fique depressivo, desmotivado e violento. Um adolescente que fez uso abusivo de álcool está cinco vezes mais propenso a se tornar um adulto alcoólatra", diz Dra. Célia. Isso ocorre porque a sensação de prazer associada à bebida faz com que se ingira álcool com mais frequência.

Frequência

91% dos entrevistados tiveram dificuldades em recordar algo ocorrido após 5 minutos de conversa, resultado de problemas na formação de raciocínio dos ex-consumidores de álcool.

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