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Medicação na terceira idade

02:27 · 04.12.2011
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O uso prolongado dos medicamentos, falta de motivação e o alto custo são questionados pelos pacientes idosos
O uso prolongado dos medicamentos, falta de motivação e o alto custo são questionados pelos pacientes idosos ( Arquivo )
Efeitos colaterais e o "morar sozinho" são fatores que determinam a não adesão de idosos ao tratamento medicamentoso

O aumento da prevalência das doenças crônicas não transmissíveis na idade avançada coloca os idosos no grupo etário mais medicalizado da sociedade.

Frente a essa condição, as pesquisadoras Fernanda Aparecida Cintra, Maria Elena Guariento e Lilian Akemi Miyasaki, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), investigaram a adesão ao tratamento medicamentoso entre idosos e identificaram fatores relacionados a esta adesão. A pesquisa "Adesão medicamentosa em idosos em seguimento ambulatorial" foi publicada ano passado na revista Ciência & Saúde Coletiva.

A investigação foi realizada no Hospital das Clínicas da Unicamp nos ambulatórios de Cardiologia Geral, Medicina Interna e Oftalmologia. Segundo as autoras, estas especialidades foram eleitas devido ao número elevado de idosos em seguimento terapêutico.

A pesquisa contou com a participação de 165 idosos de ambos os sexos. A maioria revelou cumprir a terapêutica medicamentosa, "possivelmente motivada pelo ´medo de agravo à saúde´ e pela ´vontade de viver", dizem as pesquisadoras.

Fatores combinados

Ao todo, 88,5% dos idosos revelaram adesão ao tratamento. Desses, 91,1% moravam acompanhados. Os idosos que moravam sozinhos apresentaram três vezes mais chance de não aderência ao tratamento. Os fatores combinados que apresentaram maior chance de predizer a não adesão à terapêutica prescrita foram: "morar sozinho" e "efeitos colaterais".

Segundo as autoras, "a participação da família ou do cuidador é importante para o cumprimento da terapêutica pelos idosos, uma vez que com o avançar da idade eles tendem a se tornar mais dependentes devido aos déficits cognitivo e fisiológico, próprios dessa fase da vida".

Além desses fatores, a pesquisa revelou que há outras causas relacionadas à não adesão ao tratamento, como consumo elevado e uso prolongado de medicamentos, desaparecimento dos sintomas, desconhecimento sobre os remédios, falta de motivação, analfabetismo e distúrbios de memória.

O alto custo das medicações também é citado como um importante fator para a não adesão ao tratamento. "O uso em doses inferiores ao que recomenda a prescrição médica por iniciativa própria, por parte dos idosos, é revelado como tentativa de ´economizar´ a medicação, especialmente no final dos meses. Esta conduta é motivada pelo medo da falta da medicação nas Unidades Básicas de Saúde, bem como pelas condições financeiras precárias para adquiri-la", dizem as autores. Os idosos tendem a adotar outras estratégias em função do impacto econômico causado aquisição dos remédios, por exemplo, o uso de crédito, substituição da compra de alimento pelo medicamento ou o não cumprimento do tratamento.

O estudo também chama a atenção para o número expressivo de idosos que relata queda da acuidade visual, considerando as implicações da baixa visão no cumprimento da terapêutica medicamentosa.

O total de medicamentos em uso contínuo pelos entrevistados variou entre um e 12, com média de 4,5 medicamentos por idoso. Segundo a pesquisa, a quantidade diária de medicamentos a ser consumida pode originar erros na sua administração, particularmente entre os idosos. O uso de vários comprimidos ao dia em horários distintos pode ser dificultado pelo esquecimento, trabalho e déficit cognitivo.

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