DEFESAS

Mantenha o corpo fechado

03:38 · 23.01.2011
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Fortalecer o sistema imunológico é o ponto de partida para a manutenção da saúde

Trabalho em excesso, noites mal dormidas, estresse e alimentação à base de "fast-food". Basta uma semana de cansaço para o corpo pedir trégua e as doenças atacarem o exército enfraquecido de anticorpos. Mas como melhorar as defesas e "turbinar" o nosso sistema imunológico a fim de evitar contágios?

O professor de Imunologia do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Talapala Naidu, doutor em Imunologia Médica, diz como elevar a resistência para se tentar fugir de doenças típicas da estação. As vitaminas A, C, E, o ácido fólico, os minerais zinco e selênio são os principais elementos que fortalecem o sistema imunológico.

Segundo Talapala, "esse sistema é vital para nossa vida. Temos barreiras que nos protegem, como a pele e as mucosas que filtram a entrada de micro-organismos prejudiciais". Cita a importância de cuidar bem da dieta, dormir bem, evitar o estresse e estar atento aos sinais de alerta do corpo. "Recomendo alimentação rica em ômega 3 e demais substâncias antioxidantes que façam o intestino funcionar bem para a desintoxicação", diz.

A ideia é cuidar bem das barreiras naturais: pele (queratina, lipídios e ácidos graxos), saliva, ácido clorídrico do estômago, pH da vagina, cera do ouvido externo, muco presente nas mucosas e no trato respiratório, cílios do epitélio respiratório, peristaltismo, flora normal.

Para se entender melhor como age o sistema imune, Talapala Naidu compara a organização das células a um exército, onde cada um age de acordo com sua função. Algumas são encarregadas de receber ou enviar mensagens de ataque, ou de supressão (inibição), enquanto outras apresentam o "inimigo" ao exército do sistema imune. Há as atacam para matar, as que constroem substâncias para neutralizar os "inimigos" ou as substâncias liberadas pelos mal vindos.

Vitaminas

Para fortalecer as defesas, Talapala indica a ingestão de vitaminas, principalmente A e E que fazem bem às mucosas". Na lista de boas práticas, sugere: evitar abusos no álcool, não fumar nem usar drogas, tentar dormir bem - pelo menos 6 horas por noite, comer mais frutas e verduras, "maneirar" na carne e, principalmente, relaxar, ter uma mente boa, estar na paz na tentativa de alcançar um equilíbrio entre corpo e mente na busca pela saúde completa e holística.

Utopia? Para Naidu, uma escolha de vida. "Tudo passa por uma opção de vida, de como cuido de mim e o que faço para tentar estar sempre disposto. Exagero é a fórmula da baixa imunologia, há que se ter equilíbrio em tudo, na comida, no sono e no humor".

Existem vários alimentos que fortalecem o sistema imune tais como frutas cítricas e vermelhas, brócolis, repolho, salsa, cenoura, alho, cogumelos, aveia, cevada e levedura. A hidratação também é fundamental em todos os momentos.

Sistema em alerta

O sistema imunológico ou sistema imune é de grande eficiência no combate a micro-organismos invasores. Mas não é só isso; ele também é responsável pela "limpeza" do organismo, ou seja, a retirada de células mortas, a renovação de determinadas estruturas, rejeição de enxertos, e memória imunológica. Também é ativo contra células alteradas, que diariamente surgem no nosso corpo, como resultado de mitoses anormais. Essas células, se não forem destruídas, podem dar origem a tumores.

Além dos leucócitos, também fazem parte do sistema imune as células do sistema mononuclear fagocitário, (SMF) antigamente conhecido por sistema retículo-endotelial e mastócitos. As primeiras são especializadas em fagocitose e apresentação do antígeno ao exército do sistema imune. São elas: macrófagos alveolares (nos pulmões), micróglia (no tecido nervoso), células de Kuppfer (no fígado) e macrófagos em geral.

Quando o função do sistema imunitário é afetada, o exercito se alinha para tentar matar esses "invasores". Como resultado de uma possível imunodeficiência, o indivíduo torna-se propenso à infecções recorrentes, aquelas tais "gripes" mal curadas que teimam em voltar a cada nova baixa imunológica.

E se as barreiras falham e o corpo é invadido? O combate ao agente infeccioso entra em outra fase em que os tecidos e células liberam substâncias vasoativas, capazes de provocar dilatação das arteríolas da região, com aumento da permeabilidade e saída de líquido.

Isso causa vermelhidão, inchaço, aumento da temperatura e dor, conjunto de alterações conhecido como inflamação. Essas substâncias atraem mais células de defesa, como neutrófilos e macrófagos, para a área afetada. A vasodilatação aumenta a temperatura no local inflamado, dificultando a proliferação de microrganismos e estimulando a migração de células de defesa.

Algumas das substâncias liberadas no local da inflamação alcançam o centro termorregulador localizado no hipotálamo, originando a febre que é um importante fator no combate às infecções, pois além de ser desfavorável para a sobrevivência dos micro-organismos invasores, também estimula muitos dos mecanismos de defesa de nosso corpo. "As vacinas são agentes protetores. Elas são importantes em determinadas fases da vida e em casos de surtos e epidemias como foi o caso da gripe H1N1", finalizou o professor da UFC, Talapala Naidu.

Excessos

"O exagero é a fórmula para a baixa imunidade. Precisamos buscar o equilíbrio"

Talapala Naidu
Prof. de Imunologia do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará

Cultivar o bom humor fortalece imunidade

Pesquisa recente apontou que o bom humor e a satisfação pessoal melhoram o sistema imune e o ajudam a funcionar da forma adequada. Entre as boas práticas diárias, está uma dose de alegria, riso e ações simples como ser abraçado ou acariciar um animal de estimação.

O estudo diz que ter um animal e acarinhá-lo durante pelo menos 18 minutos pode fazer muito bem ao dono do pet justamente por aumentar a produção de imunoglobulinas, anticorpos naturais do organismo que agem contra gripes e resfriados, por exemplo.

Ação terapêutica

A presidente da União Protetora dos Animais Carentes (Upac), Mariana Baraldi, comenta que já vive na prática essa ação terapêutica de ter em casa um "bichano" de estimação. "A gente faz adoção de gatos e cachorros que viviam nas ruas. Percebemos a diferença no humor e na saúde de pessoas idosas com depressão ou crianças tímidas quando começam a criar um animal. Interagir com eles é muito bom para a saúde, faz com que a gente se sinta em paz, tranquilo. Independente de fazer bem ou não ao sistema imune, eu faço carinho todos os dias nos meu animais".

Além disso, outras práticas diárias podem melhorar o sistema imunológico: o banho de sol diário- cerca de 20 minutos antes das 10h e depois das 15h - e a inclusão de sopas nutritivas no cardápio daqueles que não tem se alimentando bem - baixo consumo de vitaminas e minerais - e estão há meses com uma tal gripe mal curada.

IVNA GIRÃO
REPÓRTER

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