PAPANICOLAOU

Maior precisão para detectar lesões

01:52 · 06.11.2011
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A gestação pode ocorrer normalmente no caso de ocorrência de lesões causadas pelo papilomavírus . O médico orientará a gestante quanto ao tratamento e o parto adequado
A gestação pode ocorrer normalmente no caso de ocorrência de lesões causadas pelo papilomavírus . O médico orientará a gestante quanto ao tratamento e o parto adequado ( Arquivo )
Novo exame (por meio de base líquida) amplia a precisão no diagnóstico do CA

O alerta para a prevenção do câncer do colo do útero é cada vez maior. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres e é responsável pela morte de mais 274 mil das pacientes anualmente em todo o mundo. Causada principalmente pelo papilomavírus humano (HPV) e transmitida através das relações sexuais, a proteção contra a doença é difícil. "Mesmo com o uso de camisinha, a vulva e a virilha ainda ficam expostas e esses locais também podem estar contaminados com vírus", afirma Cristovam Scapulatempo, patologista do Hospital do Câncer de Barretos, São Paulo.

Segundo o médico, o vírus possui muitas variações que podem se manifestar de formas diferentes. Em cerca de 80% dos infectados, porém, o próprio sistema imunológico consegue eliminar o microrganismo. Nos demais casos, a doença aparece na forma de verrugas genitais, que podem soltar um líquido pútrido, ou se associa às células do útero, podendo evoluir para o câncer. Embora seja uma doença mais rara, o HPV também afeta os homens, originando o câncer de pênis.

Gravidez

Caso a mulher desenvolva lesões causadas pelo papilomavírus durante a gravidez, a gestação pode continuar normalmente, em paralelo ao tratamento. O médico auxilia a gestante orientando sobre o tipo de parto mais adequado, mas caso ainda haja condilomas na região vaginal, corre-se o risco do bebê ingerir secreções infectadas durante o parto normal. Nesse caso, é possível que o vírus se aloje na garganta da criança, formando lesões que, se crescerem demais, podem provocar asfixia.

Prevenção

Em alguns casos, o câncer do colo do útero demora a se desenvolver, podendo não apresentar sintomas no início. Por isso é importante que as mulheres façam o exame Papanicolaou, meio mais eficaz de detecção da doença. Caso não seja diagnosticado cedo, é possível que seja necessária a retirada completa do útero, ou mesmo evoluir para o óbito.

"A camisinha pode ajudar, mas não totalmente. Alguns condilomas se alojam na vulva, que fica desprotegida durante o ato sexual. Ter um parceiro fixo é um meio de prevenir a exposição a vírus como o HPV", aconselha Cristovam Scapulatempo.

De acordo com o patologista, existem dois tipos de vacinas contra o HPV. Uma delas protege contra dois tipos de papilomavírus, enquanto a outra garante a imunização contra quatro tipos. Mas mesmo recebendo a vacina, corre-se o risco de se contaminar pelas demais formas do microrganismo.

Diagnóstico mais preciso

O tradicional exame de Papanicolaou existe desde 1940, sendo utilizado até hoje no Brasil como o principal meio de diagnóstico. A técnica consiste em recolher uma amostra de células do colo do útero (depositada numa lâmina de vidro), que depois de analisada consegue detectar anomalias. Porém, da maneira como ainda é feito, o exame apresenta grandes chances de falha.

Há perdas significativas do número de células recolhidas, sendo aproveitadas para o exame apenas 30%. Segundo Scapulatempo, mais da metade dos exames de Papanicolaou tradicional apresentam falhas.

Uma alternativa é a realização do exame através de uma substância líquida, método pouco difundido no Brasil, mas que já é utilizado em mais de 90% dos casos nos Estados Unidos.

O Papanicolaou por base líquida garante a preservação total das células analisadas, o que tira a necessidade de recolher uma nova amostra da mulher, caso seja necessário fazer uma contraprova. Além disso, o exame traz resultados mais seguros, com mais de 80% de eficiência, comprovados em pesquisa realizada com 12 mil mulheres no Hospital do Câncer de Barretos.

Cristovam aponta, porém, que o exame ainda não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e mesmo os planos de saúde não oferecem cobertura para a sua realização. "O Hospital do Câncer de Barretos é o único no Brasil que faz o exame sem custos para as mulheres. Estamos trabalhando na tentativa de alertar o Ministério da Saúde quanto à importância desse exame mais preciso. Os números de câncer do colo do útero estão sendo subestimados porque o exame atual é falho", informa.

A técnica por base líquida é mais cara que o exame tradicional, mas o médico lembra que ainda é mais barato oferecer um método que tenha maiores chances de diagnóstico precoce do que tratar um câncer em estágio avançado. Em todo o mundo, são diagnosticados mais de 470 mil novos casos de câncer do colo do útero/ano.

Segundo o INCA, é o segundo câncer que apresenta maior potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente, atrás apenas do câncer de pele. Os Estados Unidos, depois que adotaram o modelo mais recente de Papanicolaou em quase todos os exames, conseguiu diminuir drasticamente os índices de câncer do colo do útero, sendo hoje o 13º tipo de CA que mais atinge as mulheres.

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