Luta contra a recidiva do câncer

00:58 · 02.07.2013
A mama é símbolo de feminilidade. Nela, o câncer abala mais que o lado funcional, e a recidiva é delicada

O câncer de mama tem uma característica muito especial, pois atinge mulheres de meia idade, embora tenha crescido o número de casos em pacientes jovens. Em sua maioria, a mulher está na fase de atividade plena. Como exame de rotina, faz uma mamografia e o resultado vira sua vida de cabeça para baixo, mergulhando em um universo desconhecido acompanhada de um medo que atinge especialmente sua família.

Passado o tratamento, essa mulher tem certeza de que está curada e seus médicos também, mesmo sabendo que as chances são pequenas. No entanto, quando a doença retorna, passa à condição de câncer de mama avançado ou metastático. Esse é o contexto descrito pelo médico oncologista Drauzio Varella, que trata de câncer de mama há mais de 20 anos.

"Não há o número exato de casos de CA metastático no Brasil. Baseado em alguns dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em média, 60% dessas mulheres eram curadas em 2009. Ou seja, 40% representam as pacientes não-curadas às quais nos referimos aqui", afirma o oncologista clínico Rafael Kaliks, do Hospital Albert Einstein e diretor científico do Instituto Oncoguia.

O médico explica que o câncer de mama pode ser diagnosticado quando a doença já é metastática, porém, na maioria das vezes, não encontra metástases. E, via de regra, para que exista cura no câncer de mama, é realizada uma cirurgia como parte do tratamento. Por sua vez, ela deve eliminar todas as células malignas presentes no organismo. Entretanto, é possível que restem algumas delas alojadas na mama ou circulando em outro lugar do corpo. É o que se chama de doença residual.

A partir daí, são realizados tratamentos adjuvantes (quimioterápico e/ou hormonioterápico) de acordo com a necessidade de cada paciente.

"Em princípio, com eles, as células de doença residual vão progressivamente desaparecer e a mulher ficará curada. Mas algumas resistem ao tratamento sistêmico e em algum momento ao longo dos anos seguintes pode levar a uma recidiva. Esta pode ser uma manifestação com uma metástase à distância (no pulmão, no cérebro, no fígado, no osso, etc) ou local, quando é preciso recomeçar o tratamento", afirma Kaliks.

VICKY NÓBREGA
ESPECIAL PARA O VIDA

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